As recentes ofensas de Javier Milei a Lula e ao ministro Alexandre de Moraes reforçam a impressão de que a diplomacia perdeu espaço na relação entre países. Em vez da linguagem prudente, chefes de Estado multiplicam ataques pessoais, juízos morais e intervenções abertas na política de outros países. Donald Trump fez da agressividade verbal uma marca, e o próprio Lula também já dirigiu críticas contundentes a governantes estrangeiros. Surge então a pergunta: estaria a diplomacia se tornando inútil?
A suspeita é antiga: a de que a linguagem diplomática seria hipócrita, feita de eufemismos destinados a esconder conflitos reais. Mas sua função não é mascarar a realidade, e sim codificar e graduar o diálogo. Quando um governo manifesta “profunda preocupação”, convoca um embaixador para consultas ou suspende uma reunião, os demais entendem a gravidade da mensagem. O conflito permanece no plano institucional, sem se transformar imediatamente em ofensa pessoal ou ruptura. É justamente essa previsibilidade — muitas vezes discreta — que permite que comércio, investimentos e cooperação técnica continuem funcionando, mesmo quando a retórica presidencial parece explosiva.
A diplomacia não elimina interesses, rivalidades ou hostilidades: procura administrá-los. Isso não a torna dispensável; ao contrário, explica sua necessidade. Se os Estados agem segundo interesses, precisam de canais para negociá-los, defendê-los e, quando possível, compatibilizá-los. E esses canais não se resumem aos presidentes: corpos profissionais permanentes, como o Itamaraty e chancelarias estrangeiras, mantêm conversas técnicas, preservam compromissos e evitam que declarações intempestivas se convertam em danos duradouros.
O caso de Milei, porém, revela algo além da perda de compostura. Seu discurso insere-se numa disputa política internacional entre direita e esquerda. Ele não fala somente como presidente da Argentina diante do Brasil, mas como aliado de uma corrente ideológica que ultrapassa fronteiras. Dirige-se aos argentinos, à direita brasileira e a uma audiência internacional mobilizada pelas redes sociais. O mesmo ocorre quando Lula apoia aliados de esquerda — como Maduro, Noriega ou Khamenei — e critica seus adversários — Trump, em primeiro lugar. A política externa passa, assim, a funcionar como prolongamento da luta partidária interna. O chefe de Estado deixa de representar apenas os interesses permanentes de seu país e assume também o papel de militante de uma causa transnacional.
Isso não é inteiramente novo: fascismo, comunismo, liberalismo e movimentos religiosos sempre buscaram aliados além das fronteiras. A novidade está na velocidade, na exposição e na ausência de mediação. As redes sociais permitem que presidentes falem diretamente a públicos estrangeiros, interfiram em campanhas e transformem divergências institucionais em confrontos pessoais. A frase agressiva produz repercussão imediata, mobiliza seguidores e reforça identidades políticas. Já a prudência diplomática parece lenta, artificial e pouco atraente — embora continue sendo o instrumento que mantém acordos, regula fronteiras e sustenta investimentos, mesmo quando a política performática tenta incendiar o ambiente.
Isso não significa que os interesses econômicos tenham tornado a diplomacia irrelevante. Comércio, segurança, cooperação e integração regional dependem de negociação contínua. Significa, antes, que esses interesses passaram a ter a concorrência da mobilização ideológica, da campanha permanente e da disputa pela atenção pública. A diplomacia, portanto, não desapareceu. O que mudou foi o ambiente em que atua. Antes, administrava relações entre Estados; agora precisa também conter os efeitos de líderes que se comportam como dirigentes de movimentos políticos internacionais.
Sua linguagem pode continuar parecendo hipócrita, mas tem utilidade: impedir que divergências se convertam em humilhação pública e que rivalidades momentâneas comprometam relações que deverão sobreviver aos governantes de turno. Em um mundo em que presidentes falam como influenciadores, a diplomacia é o que resta para garantir que países continuem se entendendo.
O senhor já assistiu uma briga dentro de um sindicato ? se esconde atrás de alguma parede ou deitei no chão que lá vem bala voando....e temos os sindicalistas no poder central....o que podemos esperar. uma briga dentro de um sindicato ....o brasil herdou a tradição diplomática portuguesa ..Portugal resolveu suas disputas sempre na diplomacia...e aliado da Inglaterra desde 1350 e também do Vaticano desde está época...o brasil através do tratado de Madrid teve as fronteiras atuais reconhecidas diplomaticamente em 1750...e depois disso com pequenas alterações.....mas o pt jogou no lixo 650 anos de diplomacia...da portuguesa e da brasileira ..os portugueses tem tanta expertise em diplomacia que os chineses (turroes) se utilizam da diplomacia portuguesa para negociar com a União Europeia...até o Trump ao se referir a Lula disse que ele e volátil .um eufemismo de trapaceiro .para não dizer isso diretamente..um sujeito sem caráter e sem palavras...Lula e um porco num salão de visita...e sendo o que e jamais poderia ser diferente...
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