Artigo, Dagoberto Lima Godoy - O Leviatã ameaça a inteligência artificial

O Brasil parece disposto a regular a inteligência artificial antes mesmo de compreender bem do que se trata. Em nome da proteção de direitos, da segurança e da transparência, uma nova camada de controle sobre o ambiente digital avança no Congresso e no Executivo. A intenção declarada é nobre, como quase sempre é. Mas a história ensina que o poder raramente se expande confessando seus verdadeiros apetites. O Leviatã moderno não se apresenta como tirano, mas como tutor.

A inteligência artificial é a inovação mais decisiva de nosso tempo — talvez de todos os tempos. Ela afetará a produtividade, a ciência, a indústria, a educação, a saúde, a defesa, a administração pública e será decisiva para a competitividade internacional. O país que souber usá-la ganhará velocidade; o que a constranger — por medo, burocracia ou suspeita — ficará para trás.

É claro que há riscos: fraude, manipulação, violação de intimidade, discriminação, abuso de dados e vigilância indevida. Mas a resposta não pode ser transformar a inovação em território vigiado, submetido a conceitos vagos como “alto risco”, “impacto sistêmico”, “uso responsável” ou “falha sistêmica”, entregues à interpretação de burocracias reguladoras.

A norma vaga é o instrumento preferido do Estado sedento de poder. Ela não proíbe claramente; intimida. Não censura diretamente; induz à autocensura. Não impede a inovação por decreto; torna-a cara, arriscada e juridicamente insegura.

O resultado é previsível. Plataformas e empresas passam a remover conteúdos, bloquear experiências e evitar riscos antes mesmo de qualquer ordem estatal. Ao mesmo tempo, os grandes grupos saem fortalecidos, pois têm departamentos jurídicos, equipes de compliance e acesso permanente ao Estado. Já startups, pesquisadores, pequenas empresas e empreendedores locais são empurrados para fora do jogo.

Assim, uma regulação apresentada como defesa da sociedade pode acabar concentrando mercado, sufocando a inovação nacional e aumentando a dependência de plataformas estrangeiras. O Estado diz proteger o cidadão, mas termina protegendo os gigantes e constrangendo os pequenos.

Não se trata de defender uma terra sem leis. O Brasil já as tem até em excesso, embora muitas vezes desconsideradas até por quem existe para por elas zelar. O que se contesta é a criação sucessiva de novas estruturas administrativas, com sanções, relatórios, deveres genéricos e crescente margem de intervenção política.

A inteligência artificial precisa de responsabilidade, mas precisa, sobretudo, de liberdade. Sem liberdade, não há ciência viva, mercado dinâmico nem criatividade transformadora. O perigo não está apenas nos abusos da IA, mas na tentação de usar esses abusos como pretexto para domesticar a inteligência humana.


Artigo, Fernando Schüler, Estadão - Desculpa, mas hoje é preciso falar sobre Henry Borel

Há poucas coisas mais desprezíveis do que usar retórica ideológica para justificar a maldade e o crime.

 O que me fica na cabeça é a imagem daquele quarto. Este tipo monstruoso chamado Jairinho levando um guri alegre, de 4 anos, com a vida pela frente, lá para dentro, trancando a porta, ligando a TV em volume alto para ninguém escutar e enchendo de pancadas. Depois o guri saindo, mancando, o olhar apavorado, o choro contido, indo pro colo da empregada, a Thayná.

No dia fatal, foram vinte e tantas pancadas. Na cara, na cabeça, no nariz, na barriguinha, hemorragia interna, edema cerebral. Peço desculpas por escrever estas coisas, em uma coluna onde geralmente trato do Brasil. Mas hoje não dá. Preciso falar sobre o menino Henry.

A verdade é que não me conformo. Tenho um filho pequeno, imagino a dor do pai do Henry, nestes anos todos, e acho que ninguém deveria ficar indiferente, diante disso. Não me conformo com uma pena de apenas 40 anos para este assassino monstruoso. Uma pena que vai se transformar em muito menos, pelas progressões e pela brandura de nossa legislação. E de jeito nenhum me conformo com o "perdão judicial" para a mãe do Henry, Monique.

Ela inequivocamente sabia de tudo. Sabia das agressões, viu os hematomas no filho e mantinha aquele sujeito dentro do apartamento. A Thayná avisou, mandou mensagem, mandou vídeo com o guri violentado. E ela estava lá, dentro daquele apartamento, quando o espancamento final aconteceu, e era de fato a única pessoa que podia salvar o Henry.

Ao invés disso, não fez nada. E diante do menino morto mandou a empregada ficar quieta para não incriminar o casal. É simplesmente um sintoma da nossa completa perda de valores sugerir que a culpa atribuída a Monique seja algum tipo de "discriminação de gênero".

Há poucas coisas mais desprezíveis do que usar retórica ideológica para justificar a maldade e o crime. Monique era a mãe. Não se trata de ser perfeita, mas de fazer o mínimo. Ela tinha a guarda do filho, era responsável por ele. E sabia o que estava acontecendo.

Vamos inverter o problema. Imagine que você é pai, tem uma filha adolescente e sabe que ela está sendo estuprada e agredida por um brutamontes. Ato seguinte traz o sujeito para dentro do seu apartamento, impunemente. Está tudo bem? Não acho. Não acho aceitável isso. Deixar isto dessa maneira é simplesmente um convite a mais violência, no Brasil, algo que não deveríamos permitir.

O caso do menino Henry está longe de ser um caso isolado. O Disque 100, nosso canal de denúncias, só em 2024 registrou 289 mil denúncias sobre violações contra crianças e adolescentes. 33 registros por hora, Brasil afora. Violência, maus-tratos, abandono, agressão sexual.

No caso de crianças de 0 a 6 anos, perto de 80% dos casos acontece dentro de casa. As mães são as mais identificadas como agressoras. Depois os pais, e ainda depois padrastos, madrastas e outros parentes. Há uma barbárie silenciosa espalhada pelo País. Por alguma razão, falamos pouco sobre isso. E a não-sentença dada a Monique diz algo bastante sombrio sobre tudo isso.

A melhor homenagem que podemos fazer ao Henry é sermos pessoas melhores. Melhores pais e melhores mães. Melhores padrastos e madrastas. Melhores avós e o que mais pudermos ser. Podemos prestar atenção, falar sobre este assunto e ajudar organizações que protegem crianças. E ainda agora podemos exigir que um crime bárbaro como este não seja perdoado ao sabor de alguma retórica.

A ideologia é um tipo perverso de indiferença. O ato soberbo de quem no fundo não se importa que o menino Henry não terá uma vida para viver. Que morreu aterrorizado, em um apartamento com a mãe e o padrasto, espancado, fruto da displicência criminosa de quem deveria ter cuidado para que ele pudesse viver, e não morrer daquela maneira.


Artigo, Daiana Schaid, Zero Hora - Câncer de pâncreas: a nova droga e um aplauso de pé

Este artigo é do jornal Zero Hora. Leitura só para assinantes. O editor é assinante. 

Dada a importância do tema, o editor publica o texto também neste blog.

 Levo aos meus pacientes a certeza de que o "incurável" de ontem pode ser o "tratável" de amanhã

Por Daiana Scheid, médica oncologista da Santa Casa de Porto Alegre


Há décadas a oncologia persegue um inimigo que parecia invencível. Na tarde de 31 de maio, sentada na plenária do congresso da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO, na sigla em inglês), em Chicago, vi esse muro começar a ruir e confesso que me emocionei até as lágrimas.



O anúncio veio do estudo de fase 3 RASolute 302, e a sala, com milhares de oncologistas, levantou-se em aplauso. O motivo: pela primeira vez, um medicamento praticamente dobrou a sobrevida de pacientes com câncer de pâncreas metastático já tratados, de cerca de 6,7 para 13,2 meses, e com menos efeitos colaterais do que a quimioterapia. Para quem, como eu, acompanha diariamente essas famílias na Santa Casa de Porto Alegre, esses meses não são estatística: são aniversários, formaturas, despedidas com dignidade.


Décadas de ciência básica, antes invisíveis ao público, converteram-se em esperança concreta


A droga se chama daraxonrasibe e sua engenhosidade me comove como médica. O câncer de pâncreas é movido, em mais de 90% dos casos, por mutações no gene RAS, considerado "indrogável" por décadas, porque a superfície dessa proteína não oferecia um ponto de encaixe para os remédios. A nova molécula resolve o impasse de modo astuto: o câncer de pâncreas cresce com o auxílio de uma proteína chamada KRAS, que fica permanentemente ligada, enviando sinais para a célula se multiplicar sem parar. O daraxonrasibe age bloqueando essa proteína, como se desligasse o principal "interruptor" que alimenta o crescimento tumoral. E tudo isso em um comprimido tomado em casa.


A importância ultrapassa o pâncreas. A mesma estratégia pode alcançar tumores de pulmão e de intestino também movidos pela RAS, abrindo um capítulo inteiro da medicina de precisão. Décadas de ciência básica, antes invisíveis ao público, converteram-se em esperança concreta.


Voltei de Chicago renovada. Levo aos meus pacientes não uma promessa milagrosa, mas algo mais valioso: a certeza de que a pesquisa avança e de que o "incurável" de ontem pode ser o "tratável" de amanhã.

Dica do editor - Saiba mais sobre a nova droga para combater o câncer de pâncreas

Um dos avanços mais significativos na oncologia recente é a terapia-alvo oral com daraxonrasib. O medicamento, focado em mutações do gene KRAS, dobrou o tempo de sobrevida global de pacientes com câncer de pâncreas metastático avançado e reduziu o risco de morte em 60% em comparação à quimioterapia padrão.O cenário científico e os detalhes da droga incluem:O Mecanismo de Ação: Mais de 90% dos tumores de pâncreas são impulsionados por mutações na via RAS/KRAS. Historicamente considerado "intratável", o daraxonrasib atua como um inibidor que desliga esse "interruptor" molecular, freando a multiplicação descontrolada das células tumorais e permitindo um melhor controle da doença.Resultados Clínicos: Em testes clínicos de fase 3 envolvendo cerca de 500 pacientes, a sobrevida média saltou de 6,7 meses (com quimioterapia) para 13,2 meses (com a nova droga). Além disso, apresentou taxas de respostas expressivas e qualidade de vida superior, com efeitos colaterais muito mais brandos (como erupções cutâneas leves).Avaliação de IA e Pesquisa Médica: A Inteligência Artificial tem sido utilizada por laboratórios e centros de pesquisa (como a rede NIH) para prever sinergias medicamentosas, antecipar perdas antigênicas e desenhar vacinas personalizadas de forma rápida. O uso dessas ferramentas digitais vem acelerando a modelagem e o desenvolvimento de novas combinações de terapias (como o uso conjunto do daraxonrasib com outros inibidores) para contornar resistências e aumentar ainda mais a eficácia do tratamento.A comunidade científica internacional considerou o anúncio um marco histórico. O medicamento já foi submetido a agências reguladoras (como o FDA), mas continua em avaliação rigorosa antes de uma liberação comercial ampla.

Editorial do Estadão - Lula quebra o Brasil para se reeleger

Petista usa truques contábeis para esconder o aumento cavalar de despesas, lembrando as malfadadas pedaladas fiscais de Dilma. Mas a conta da dívida pública explosiva sempre chega

 "Quebrei o Banespa, mas elegi meu sucessor." Essa frase, atribuída ao ex-governador de São Paulo, Orestes Quércia, resume uma forma de usar os instrumentos à disposição do governo não para o bem comum, mas para proveito próprio. É amplamente sabido que o governo de Luiz Inácio Lula da Silva vem patrocinando uma série de medidas para tentar levantar sua popularidade e ajudar em sua reeleição. Mas ninguém, até o momento, havia tido a paciência de somar todas as "pequenas bondades eleitorais" que, tomadas uma a uma, parecem inofensivas. O economista Marcos Mendes, em relatório da XP Investimentos, fez esse trabalho para o cidadão brasileiro. E o retrato não é nada bonito.

Segundo o economista, somente neste ano foram nada menos do que 33 medidas diferentes, somando a incrível marca de R$ 215 bilhões em aumento de despesas ou redução de receitas. Em comparação, a malfadada PEC 126/2022, a chamada "PEC da gastança", liberou R$ 168 bilhões de gastos no ano seguinte por fora do teto dos gastos, o que já foi um escândalo. Pelo visto, o governo Lula perdeu a pouca vergonha que ainda tinha.

Há uma ficção em curso no Brasil chamada "novo arcabouço fiscal", que substituiu o finado teto de gastos. Segundo essa ficção, o País está com suas contas em ordem porque o novo arcabouço fiscal está sendo obedecido à risca. Pois bem, de acordo com o relatório de Marcos Mendes, somente 4% dos R$ 215 bilhões aprovados afetam os indicadores do arcabouço. Não, caro leitor, o senhor não leu errado: mais de R$ 200 bilhões em despesas extras ou renúncias de arrecadação simplesmente não aparecem nas contas públicas.

Mendes lista três truques usados pelo governo para maquiar as contas. O primeiro são as linhas de crédito subsidiadas, que não impactam a despesa primária e, portanto, não consomem espaço do arcabouço. É o caso, por exemplo, do subsídio para a compra de caminhões. Como esses gastos saem do Orçamento, mas continuam "pertencendo" ao Tesouro (são empréstimos), não são considerados despesas. Na prática, no entanto, esses recursos nunca voltam para o Tesouro, sendo reutilizados para outros "pacotes de bondades". O resultado é o aumento da dívida pública, apesar de não serem uma despesa primária.

O segundo truque é o uso de fundos públicos para financiar programas de incentivo. Esses recursos, que saíram do orçamento no passado, poderiam ser usados para abater a dívida, diz Mendes. E, obviamente, estes gastos não afetam as métricas do arcabouço. Um exemplo escandaloso foi a transferência do "dinheiro público esquecido" pelos correntistas diretamente para o Fundo de Garantia de Operações (FGO), usado para turbinar o Desenrola. Esses recursos deveriam passar pelo Tesouro, para daí serem encaminhados ao FGO, mas isso afetaria o resultado primário, o que impactaria as medidas do arcabouço fiscal. Nem pensar.

Por fim, o terceiro truque é abrir crédito extraordinário, gasto que fica de fora do arcabouço. As subvenções aos combustíveis, segundo o economista, provavelmente seguirão esse caminho.

Tudo isso parece um déjà vu das pedaladas fiscais do trevoso governo de Dilma Rousseff. Estamos diante dos mesmos truques para gastar mais sem nenhuma transparência. Não se discute a conveniência desses gastos - todos parecem bastante justificados quando analisados um a um, ainda que se possa questionar a incrível coincidência de todos estarem sendo feitos justamente em ano eleitoral. O problema está em escamotear esses gastos da sociedade, fazendo parecer que o arcabouço fiscal continua em pé e saudável. Esses truques servem apenas para cumprir formalmente as regras fiscais, mas não são suficientes para fazer o dinheiro aparecer do nada.

Hoje, sem espaço de manobra, com o Orçamento tomado por decisões populistas do passado e do presente, o governo Lula lança mão dos mesmos expedientes do governo Dilma. O final dessa história já conhecemos. Mas Lula poderá dizer, lembrando Quércia, que quebrou o Brasil, mas reelegeu-se.

 Link deste editorial:

 https://www.estadao.com.br/opiniao/lula-quebra-o-brasil-para-se-reeleger/?srsltid=AfmBOopfambl_Z1bEiHscJs3ykFFPu4QsihlmDDzvhA6R6xb2rEoCdlv


Artigo, Polibio Figueiredo Braga - Marrocos não assustou. O que assustou foi o próprio Brasil.

O autor é jornalista, Porto Alegre.

Empate expõe erros de Ancelotti, atuação decepcionante dos veteranos e a inexplicável ausência de Endrick em um time sem poder de fogo.

A estreia da Seleção Brasileira na Copa do Mundo FIFA 2026 deixou um gosto amargo para quem esperava ver o velho Brasil competitivo, agressivo e protagonista. O empate em 1 a 1 contra Marrocos não foi apenas um resultado ruim. Foi uma atuação preocupante, sem personalidade, sem intensidade e, principalmente, sem a mentalidade de uma seleção que entra em campo para conquistar o hexacampeonato.

Os primeiros 20 minutos foram um choque para o torcedor brasileiro. Marrocos dominou completamente o jogo, controlou as ações, pressionou a saída de bola e abriu o placar com naturalidade. Foi um domínio raramente visto contra o Brasil em uma Copa do Mundo. Em determinados momentos, parecia que a seleção africana era a favorita da partida.

O empate brasileiro surgiu em uma jogada individual de Vini Jr., um dos poucos jogadores capazes de desequilibrar. Mas a igualdade no marcador mascarou um problema maior: o Brasil não jogava bem.

No segundo tempo, a partida caiu drasticamente de intensidade. Marrocos sentiu o desgaste físico, enquanto o Brasil parecia satisfeito em administrar o empate. Faltou coragem, faltou ambição e sobrou respeito. Respeitar o adversário é obrigatório. Ter medo dele é inadmissível para uma seleção pentacampeã mundial.

E nesse cenário, o principal responsável pela atuação decepcionante foi Carlo Ancelotti. O treinador escalou mal a equipe, montou um meio-campo lento e previsível e, quando teve a oportunidade de corrigir os erros durante a partida, conseguiu piorar ainda mais o desempenho com substituições questionáveis.

Individualmente, vários jogadores ficaram muito abaixo do esperado. Casemiro demonstrou lentidão, falta de ritmo e dificuldade para acompanhar a velocidade do jogo. Igor Thiago simplesmente não mostrou credenciais para justificar sua convocação. Ibanez teve dificuldades defensivas, Lucas Paquetá pouco produziu e Raphinha foi a síntese da inoperância ofensiva brasileira: inerte, inodoro e insípido durante praticamente toda a partida.

Marrocos não assustou. O que assustou foi o próprio Brasil.

A pergunta que fica é simples: por que Endrick continua fora?

O jovem atacante é, hoje, o jogador brasileiro com maior instinto goleador. Tem velocidade, personalidade, força física e não demonstra medo de grandes desafios. Enquanto a seleção procura desesperadamente alguém que ataque o espaço e finalize com agressividade, seu principal artilheiro potencial permanece no banco.

Também é hora de começar uma renovação mais profunda. Marquinhos, embora tenha uma trajetória respeitável na seleção, talvez já não ofereça a mesma segurança de outros tempos. O Brasil precisa considerar alternativas mais jovens, rápidas e fortes fisicamente. Nomes como Danilo Santos e Ryan mostram que existe uma nova geração pedindo passagem.

A sensação deixada pela estreia é de uma seleção acomodada, excessivamente burocrática e emocionalmente distante da dimensão do torneio que está disputando. Estamos falando de Copa do Mundo, não de amistoso internacional ou jogo de preparação.

Após a partida, Ancelotti afirmou que o time estava nervoso. A explicação soa insuficiente. Cerca de 80% dos jogadores presentes já disputaram a Copa do Catar em 2022. Nervosismo pode explicar alguns erros individuais, mas não justifica falta de intensidade, ausência de imposição física e uma postura excessivamente conservadora diante de um adversário que claramente acreditou mais na vitória.

O Brasil precisa entender rapidamente que Copa do Mundo não perdoa equipes que entram em campo esperando que a camisa resolva os problemas. A história ajuda, mas não ganha partidas. O talento existe, mas precisa ser acompanhado de coragem, organização e espírito competitivo.

A boa notícia é que ainda há tempo para corrigir a rota. A má notícia é que o futebol apresentado contra Marrocos foi digno de alerta máximo. Se o Brasil continuar jogando dessa forma, respeitando demais os adversários e acreditando de menos em si próprio, a caminhada rumo ao sonhado hexacampeonato pode terminar muito antes do que a torcida imagina.

Chegou a hora de colocar coração em campo. Chegou a hora de colocar raça. Chegou a hora de jogar como Brasil.



Dica do editor - Pesquisas revelam que o TDAH não ocorre de modo isolado. Entenda o caso.

Pesquisadores revelam que o TDAH raramente ocorre isoladamente. Estudos genéticos e de neuroimagem recentes descobriram que o transtorno compartilha mecanismos cerebrais e biológicos fundamentais com outras condições de saúde física e mental, o que exige uma mudança para uma visão médica muito mais integrada.As principais conexões e comorbidades do TDAH descobertas pela ciência incluem:Dor Crônica: Uma ampla sobreposição genética foi identificada entre o TDAH e a dor persistente. Pesquisas sugerem que a dor crônica também deve ser considerada uma condição de saúde mental em muitos desses pacientes.Transtornos do Neurodesenvolvimento e Psiquiátricos: O TDAH frequentemente caminha junto com o Transtorno do Espectro Autista (TEA), Transtorno Opositivo Desafiador (TOD), depressão, ansiedade e distúrbios de humor.Saúde Sistêmica: Evidências mostram associações diretas com doenças do sistema imune, diabetes tipo 2 e obesidade.Novos Biótipos Cerebrais: Pesquisas com ressonância magnética apontam que o TDAH pode não ser um quadro único, mas sim dividido em três tipos biológicos distintos: desregulação emocional, hiperativo/impulsivo e predominantemente desatento.