Entrevista, Ubiratan Sanderson

 O senhor, deputado, pediu que o TCU investigue pedaladas fiscais do governo Lula. Em que pé está a sua representação ?

Eu estou em cima e sei que o TCU investiga. Cabe ao Tribunal de Contas da União examinar se os mecanismos utilizados pelo governo federal observam plenamente os princípios constitucionais da transparência, publicidade, responsabilidade fiscal e correta evidenciação das contas públicas

Pedaladas fiscais, como ?
Envolvendo operações financeiras, fundos públicos, fundos garantidores, créditos subsidiados e créditos extraordinários utilizados pelo Governo Federal. Medidas econômicas adotadas pelo governo teriam gerado impactos fiscais estimados em aproximadamente R$ 215 bilhões, sem que parcela significativa desses efeitos estivesse plenamente refletida nos principais indicadores fiscais utilizados para monitoramento das contas públicas.

Pode se mais específico ?
Envolvem programas financiados por crédito subsidiado, utilização de fundos públicos, fundos garantidores e créditos extraordinários podem ter produzido efeitos econômicos relevantes sobre a dívida pública, o patrimônio estatal e os riscos fiscais da União, sem adequada transparência perante a sociedade e os órgãos de controle. 

Tem coisa oculta ?
Sim. São passivos ocultos, riscos fiscais não devidamente demonstrados e possíveis efeitos sobre a dívida pública federal. Agora caberá ao Tribunal de Contas da União examinar se os mecanismos utilizados pelo Governo Federal observam plenamente os princípios constitucionais da transparência, publicidade, responsabilidade fiscal e correta evidenciação das contas públicas

Dica do editor - Saiba por que cair não é normal e pode ser sinal de alerta para a saúde

Hospital Alemão Oswaldo Cruz reforça que quedas devem ser investigadas, especialmente quando ocorrem de forma recorrente ou envolvem pessoas mais vulneráveis

Cair pode parecer um acidente comum da rotina, mas não deve ser tratado como algo inevitável. No Dia Mundial de Prevenção de Quedas, lembrado em 24 de junho, o Hospital Alemão Oswaldo Cruz chama atenção para a importância de reconhecer a queda como um evento sentinela, definido pelo Ministério da Saúde como uma ocorrência inesperada que envolve óbito, lesão física ou psicológica grave, ou risco de sua ocorrência. No contexto das quedas, esse episódio pode indicar alterações de saúde, perda de força muscular, problemas de equilíbrio, uso de medicamentos, dificuldade visual ou riscos no ambiente.

 Embora as quedas possam ocorrer em qualquer fase da vida, em casa, no trabalho, durante atividades físicas ou deslocamentos diários, o envelhecimento aumenta o risco de consequências graves. Dados do Estudo Longitudinal da Saúde dos Idosos Brasileiros (ELSI-Brasil), mostram que 20,9% das pessoas com 60 anos ou mais relataram ter sofrido uma ou mais quedas nos últimos 12 meses. A prevalência cresce com a idade: entre pessoas de 80 anos ou mais, o índice chega a 29%. O levantamento também aponta maior ocorrência entre mulheres, com prevalência total de 24,9%, em comparação a 15,7% entre homens1.

 Para o Dr. Marcelo Risso, médico ortopedista do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, o principal erro é naturalizar esses episódios. “Queda não deve ser vista como algo normal do avançar da idade. Quando uma pessoa cai, principalmente se isso acontece mais de uma vez, é preciso investigar. O normal é não cair. A queda pode ser um sinal de perda de massa muscular, alteração de equilíbrio, redução de reflexos, problema de visão, tontura, hipotensão postural, uso de medicamentos ou riscos dentro de casa”, explica.

 As consequências podem ser importantes do ponto de vista ortopédico e funcional. Fraturas, traumas na coluna, lesões articulares, contusões, traumatismo craniano e perda de mobilidade estão entre os possíveis desfechos. No caso das pessoas mais velhas, uma das principais preocupações é a fratura de quadril ou fêmur. Segundo o ELSI-Brasil, 3% dos idosos que sofreram quedas tiveram fratura de quadril ou fêmur nos últimos 12 meses, percentual que chega a 7,6% entre aqueles com 80 anos ou mais1.

 “Fraturas de quadril e fêmur têm grande impacto na vida do paciente. Muitas vezes exigem cirurgia, internação e um processo prolongado de reabilitação. Em pessoas mais frágeis, podem representar perda de independência, piora da qualidade de vida e aumento importante de risco clínico”, afirma Risso.

 Segundo o especialista, as quedas em idosos costumam ser multifatoriais. Isso significa que, muitas vezes, não há uma única causa, mas uma combinação de fatores, como perda de massa muscular, menor velocidade de reflexo, alterações no labirinto, dificuldade visual, doenças associadas, uso de medicamentos e mudanças naturais na resposta do corpo ao levantar ou se desequilibrar.

 “Quando uma pessoa jovem tropeça, ela costuma ter reflexo e força para recuperar o equilíbrio rapidamente. Com o envelhecimento, essa resposta pode ser mais lenta. Além disso, muitos idosos têm queda de pressão arterial ao levantar, usam vários medicamentos ou enxergam mal à noite. Tudo isso aumenta o risco”, explica o ortopedista.

 A prevenção passa por medidas simples, mas que precisam fazer parte da rotina. Entre as principais recomendações estão evitar subir em cadeiras, mesas ou escadas sem segurança; usar calçados adequados; manter os ambientes bem iluminados; retirar tapetes soltos e obstáculos; instalar barras de apoio em banheiros; corrigir desníveis; revisar medicamentos com orientação médica; manter acompanhamento oftalmológico; e praticar exercícios voltados ao fortalecimento muscular, equilíbrio e mobilidade.

 Um cuidado muitas vezes negligenciado é o deslocamento durante a noite. “É comum a pessoa levantar da cama para ir ao banheiro sem colocar os óculos, no escuro ou com pressa. Esse tipo de situação aumenta muito o risco de queda. Pequenas adaptações no ambiente e na rotina podem evitar acidentes graves”, reforça Risso.

 Quedas também acontecem no esporte

 Apesar de o Dia Mundial de Prevenção de Quedas ser frequentemente associado à população idosa, o tema também merece atenção em outras faixas etárias. No esporte, especialmente em atividades repetitivas como corrida, as quedas podem estar relacionadas à fadiga muscular, desequilíbrios de força, técnica inadequada, aumento brusco de carga, calçados impróprios ou superfícies irregulares.

 “Na prática esportiva, a pessoa pode ter uma fraqueza muscular que não aparece nas atividades comuns do dia a dia, mas surge quando há esforço repetitivo ou fadiga. Em uma corrida, por exemplo, um grupo muscular pode chegar ao limite antes dos outros, gerando descoordenação e aumentando o risco de queda”, explica o médico.

 Por isso, além do condicionamento físico, é importante respeitar a progressão dos treinos, realizar fortalecimento muscular, usar calçados adequados, observar o tipo de terreno e evitar aumentos repentinos de intensidade ou distância.

 Quando procurar atendimento médico

 A avaliação médica é recomendada quando houver dor persistente, dificuldade para caminhar, inchaço, deformidade, batida na cabeça, tontura, desmaio, uso de anticoagulantes ou quedas repetidas. Em idosos, mesmo quedas aparentemente leves merecem atenção, especialmente quando há histórico de osteoporose, perda de autonomia ou insegurança para se locomover.

 Sobre o Hospital Alemão Oswaldo Cruz 

No Hospital Alemão Oswaldo Cruz servimos à vida. Somos um hospital de grande porte, referência em alta complexidade e confiabilidade. Uma instituição de 128 anos, sólida, dinâmica e determinada a inovar e contribuir com o desenvolvimento da saúde. Nossa excelência é resultado da nossa dedicação, prontidão, empatia no cuidado e na nossa incansável busca pela melhor experiência e resultado para nossos pacientes, com qualidade e segurança certificados internacionalmente pela Joint Commission International (JCI). Contamos com um corpo clínico diversificado e renomado, além de um modelo assistencial próprio, que coloca o paciente e familiares no centro do cuidado. Nosso protagonismo no desenvolvimento da saúde é sustentado por três pilares estratégicos: Saúde Privada; Educação, Pesquisa, Inovação e Saúde Digital; Sustentabilidade e Responsabilidade Social.

 


Artigo, Rubens S. Amador

Rubens S Amador é editor do site "Amigos de Pelotas".
Este artigo está publicado no Facebook de Rubgens.

A notícia da condenação em 1ª instância do ex-vereador Roger Ney a 16 anos de prisão em regime fechado, por abuso sexual de uma menina de 7 anos de idade, é uma decisão que nunca satisfaz.

Seja qual for o desfecho judicial, já que a defesa pode recorrer, o dano de um crime assim à vítima é tão grave que o cumprimento de qualquer sentença sempre parecerá o mesmo que nada.

Imaginar a cena do abuso provoca náusea em qualquer pessoa normal que consegue imaginá-la por mais de dois segundos.

A condenação de Ney me faz lembrar de um filme chamado Crimes Ocultos. É uma história sobre o período da União Soviética.

Os comunistas achavam que seu regime erradicaria todos os aspectos maléficos do comportamento humano. 

Para eles, o Capitalismo era o causador da pobreza, da prostituição, dos assassinatos etc. Uma frase marcante do filme: "Não há crimes no Paraíso".

Paraíso seria o regime comunista, aquele em que, com as condições de vida digna asseguradas a todos, ninguém precisaria se desviar do caminho do bem. Todos seriam felizes. 

Só se esqueceram de uma coisa: da psicopatia.

Numa região da URSS meninos começam a aparecer mortos e abusados sexualmente. A polícia da localidade varre para debaixo do tapete os casos, pois "não há crimes no paraíso". Até que a indignação dos pais dos garotos faz com que algumas autoridades locais criem coragem para caçar o criminoso.

O filme relembra que a imperfeição humana está presente em qualquer regime. Tristemente todos os dias, entre tantos crimes, ocorrem abusos sexuais de crianças, o mais abominável dos crimes, por matar em vida.

Não vejo como uma vítima possa se recuperar de um trauma como esse sem carregar sequelas que irão prejudicar para sempre sua relação com os semelhantes e com a vida.

Houve tempo em que eu entendia que abusadores mereciam tratamento. A verdade é que não há recuperação para um criminoso desse tipo.

Hoje acredito que o único destino aceitável, num caso desses, é a pena capital

OSMAR TERRA QUER INCLUSÃO DA PRIMEIRA INFÂNCIA NA CONSTITUIÇÃO

O deputado Osmar Terra (PL-RS) defende a inclusão da primeira infância na Constituição para evitar que políticas públicas mudem a cada troca de governo. Terra presidiu a comissão especial da Câmara  que aprovou a Proposta de Emenda à Constituição (PEC 34/2024) que trata sobre o tema.

 - A inclusão na Constituição garante uma perenidade para as políticas públicas voltadas para essa área, evitando que mudem a cada novo governo- diz Osmar Terra

A primeira infância vai do nascimento aos seis anos de idade. Segundo a proposta aprovada, passa a ser dever da família, da sociedade e do Estado assegurar, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação e à convivência familiar, entre outros. O texto reforça que a lei deverá punir severamente qualquer forma de abuso, violência ou exploração contra crianças nessa faixa etária.

 Médico, secretário da Saúde do Rio Grande do Sul durante oito anos, com mestrado em neurociência, o deputado Osmar Terra destaca que, desde os anos 1990, descobertas científicas comprovam que os primeiros anos de vida, são os mais críticos para o desenvolvimento cerebral. Estímulos adequados nessa fase evitam problemas emocionais e ajudam a romper o ciclo de pobreza das famílias

- Se quisermos mudar a humanidade, temos que começar do começo, cuidando bem do início da vida e do desenvolvimento cerebral.

Osmar Terra é autor do texto que deu origem ao Marco Legal da Primeira Infância, que completou 10 anos em 2026 (Lei 13.257/2016). Ele lembra que, antes da lei, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) não priorizava essa faixa etária;

- O marco traz para o para o ECA a questão da primeira infância. Então, políticas públicas podem ser organizadas a partir dele, nos municípios, no Estado, no Governo Federal para apoiar o desenvolvimento humano, o desenvolvimento das crianças no início da vida. 

A proposta precisa passar agora por dois turnos de votação no Plenário, antes de seguir para o Senado.


Artigo, especial - O fim do "braço invisível"e o avanço da direita

Esteartigo é do Observatório Brasil Soberano

O ex-funcionário do Departamento de Estado americano Mike Benz publicou no X uma frase direta: “Bolsonaro ainda seria presidente do Brasil se a USAID não tivesse interferido massivamente na eleição de 2022 para Lula”. Não é a primeira vez que Benz fala sobre isso. Em audiência na Câmara dos Deputados, ele já havia afirmado, de forma detalhada, que a USAID atuou como um dos principais instrumentos de interferência estrangeira nas eleições brasileiras de 2022. Segundo ele, a agência americana financiou uma rede de ONGs, organizações de “fact-checking”, veículos de imprensa e grupos de ati vistas com o objetivo de restringir a liberdade de expressão nas redes sociais e deslegitimar qualquer questionamento sobre o sistema eleitoral eletrônico. Benz também relatou que autoridades americanas, incluindo representantes da CIA e do Departamento de Estado, atuaram para desestimular o governo Bolsonaro de contestar as urnas e para garantir que as Forças Armadas não questionassem o resultado. O que torna a declaração de Benz ainda mais relevante é o que aconteceu de pois que o governo Trump cortou os recursos da USAID. Desde então, sete elei ções na América Latina foram vencidas por candidatos de direita: Chile, Bolívia, Peru, Equador, Honduras, Costa Rica e, agora, na Colômbia. Em todos os casos, candidatos alinhados ao conservadorismo derrotaram candidatos de esquer da. É difícil não notar o padrão: enquanto a USAID mantinha fluxo de recursos para projetos de “fortalecimento da democracia” e “combate à desinforma ção”, a esquerda mantinha vantagem competitiva. Quando o financiamento foi interrompido, a tendência se inverteu rapidamente. No caso brasileiro, o impacto dessa atuação foi especialmente sentido na cam panha de Jair Bolsonaro em 2022. A narrativa de que o ex-presidente represen tava uma ameaça à democracia foi amplificada de forma coordenada por veí culos e organizações que recebiam recursos indiretos ou diretos de programas americanos. A pressão pela regulação das redes sociais, o cerco judicial contra perfis conservadores e a construção de uma imagem internacional negativa de Bolsonaro contaram com apoio logístico e financeiro de estruturas que, segun do Benz, tinham ligação com a USAID. O resultado foi uma campanha em que o então presidente enfrentou não apenas a oposição interna, mas também uma narrativa global construída com recursos públicos americanos. Hoje, a preocupação com “interferência estrangeira” parece ter mudado de lado. O presidente Lula e membros de seu governo têm repetido com frequên cia alertas sobre possíveis intervenções americanas no Brasil. O tom mudou ra dicalmente. O que antes era tratado como “cooperação internacional” e “apoio à democracia” agora é visto com desconfiança, por que a preocupação se o governo de Donald Trump cortou a verbas da agência? Se a USAID realmente atuou de forma neutra em 2022, por que seu desmantelamen to gerou uma onda tão clara de vitórias conservadoras em toda a América Latina? A resposta mais honesta talvez seja incômoda: a chamada “ajuda internacio nal” raramente é apenas ajuda. Talvez a preocupação seja que, sem ela, os resultados eleitorais tendem a refletir mais fielmente a vontade dos eleitores locais — e não dos financiadores externos

Polícia Federal vai para cima dos crimes do Banco Digimais

  A Polícia Federal está desde cedo nas ruas para cumprir mandados judiciais no âmbito da Operação Miragem, deflagrada nesta terça-feira para apurar crimes contra o Sistema Financeiro Nacional, previstos na Lei nº 7.492/1986.  Entre as medidas estão a quebra de “sigilos bancário e fiscal dos investigados e o sequestro e bloqueio de bens e valores de até R$ 670 milhões. O Digimais nasceu em Porto Alegre com o nome de Banco Renner.

O alvo das investigações é o Banco Digimais, controlado pelo bispo Edir Macedo, líder da Igreja Universal do Reino de Deus. O banco é o braço financeiro da Univefrsal e, por via de consequência, ligado ao seu braço midiático Record (Record TV, Rádio Guaíba e Correio do Povo, Porto Alegre) e ao seu braço político, o Republicanos.

Mais de 50 policiais federais cumprem nove mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça Federal em São Paulo.

Segundo a PF, as investigações, subsidiadas por relatórios do Banco Central, indicam que os “investigados teriam manipulado demonstrativos contábeis e registros regulatórios para ocultar a real situação financeira da instituição, aparentar solvência perante os órgãos de controle e viabilizar operações supostamente irregulares”.

Os envolvidos poderão responder pelos crimes de gestão fraudulenta, inserção de dados falsos em demonstrativos contábeis e realização de operações de crédito vedadas pela Lei nº 7.492/1986.