Artigo, especial - Bolsonaro acendeu a luz

Jair Messias Bolsonaro não inventou a direita brasileira. Ela já estava aqui, calada e sem dono. O que ele fez foi maior: acordou, organizou e deu voz a milhões de pessoas que não se enxergavam em nenhum palanque, partido ou editorial.

Os números mostram que esse Brasil existia muito antes de 2018.

Em 2012, quando Bolsonaro ainda era tratado como figura de baixo clero, o Datafolha ouviu 2.588 brasileiros em 160 municípios. A Folha de S.Paulo estampou: “Tendência conservadora é forte no país”.

No ano seguinte, o retrato ficou ainda mais claro. O instituto classificou 48% dos brasileiros entre direita e centro-direita. Esquerda e centro-esquerda somavam 30%. Cinco anos antes de Bolsonaro chegar à Presidência, o Brasil conservador já estava de pé. Faltava organização, identidade e alguém com coragem de dizer em voz alta o que milhões pensavam dentro de casa e calavam na rua.

Por isso a força não apareceu inteira em 2014. Aécio Neves não era o avesso da esquerda. Era a esquerda limpinha: a mesma agenda com outro sotaque, a falsa polarização entre a esquerda assumida e a esquerda disfarçada. O eleitor conservador olhou para a urna e não viu representação. Viu duas versões do mesmo campo.

Bolsonaro ocupou o espaço que ninguém ousou ocupar. Não pediu licença.

Até a ciência política registrada por quem veio de dentro do lulismo teve de admitir o fenômeno. André Singer, porta-voz e secretário de Imprensa do primeiro governo Lula, apontou Bolsonaro como o responsável por reativar predisposições conservadoras já enraizadas em parcela enorme da sociedade. Quando até quem trabalhou com Lula reconhece isso, o tamanho do fenômeno fica impossível de negar.

Bolsonaro acendeu a luz.

O brasileiro que mal sabia o nome do próprio deputado em quem havia votado passou a acompanhar o Congresso Nacional. Ministro do Supremo Tribunal Federal ganhou nome e histórico. Votação, decreto, imposto e orçamento saíram do circuito fechado de Brasília. As pessoas começaram a perguntar: quem decidiu, quem votou, quem indicou, quem ganha e quem paga a conta.

Quem pergunta incomoda.

Ele colocou milhões diante de uma política vendida como coisa de especialista. A urna deixou de ser o fim. O cidadão passou a acompanhar o dia seguinte. Esse despertar explica o cerco: investigações, processos, decisões eleitorais e condenações. O conflito em torno de Bolsonaro está ligado ao fato de ele ter mobilizado o país contra estruturas que antes operavam quase sem testemunha.

Podem tirá-lo de uma eleição, processá-lo, condená-lo e apagá-lo da televisão. Artista pedindo voto não apaga isso. Narrativa de imprensa não apaga isso. Pesquisa encomendada também não. Ninguém manda milhões de pessoas voltarem a dormir.

O fenômeno nunca foi só um homem. É o trabalhador que passou a acompanhar votação, a dona de casa que discute Brasília e o cidadão que pesquisa antes de engolir a versão pronta.

Bolsonaro deu identidade ao que estava disperso e organização a uma força social órfã. Jogou luz sobre o poder. Reduzi-lo a um mandato ou a uma sentença é recusar o tamanho do que aconteceu.

A consciência de quem descobriu que precisa prestar atenção dificilmente volta ao ponto de partida. A luz foi acesa. E é nesse mesmo interruptor que, no domingo, o sistema toma mais um choque de realidade

Prefeita de Eldorado, RS, promove assedio eleitoral em favor de Gabriel Souza

  O Ministério Público Eleitoral do RS não tem como não investigar e reprimir de imediato as ações da prefeita de Eldorado do Sul, Juliana Carvalho, PSD, portanto do mesmo Partido do governador Eduardo Leite e que apoia a candidatura do vice-governador Gabriel Souza, tudo diante do volumoso material de áudios e vídeos que comproam assedio eleitoral sobre os funcionários públicos da prefeitura.

Juliana Carvalho entrou de licença para fazer campanha.

Os áudios e os vídeos examinados pelo editor, que conferiu o caso, mostram a preefeitua reunida com servidores e ameaçando exonerar exonerar servidores municipais que não fizerem campanha para Gabriel Souza (MDB). A publicação Política News diz que a fala aparece em vídeos de uma reunião com servidores comissionados que circulam em grupos de WhatsApp e aos quais o Política News teve acesso. O editor também teve acesso.A convocação: a reunião foi chamada pela manhã em um grupo de WhatsApp dos cargos em comissão (CCs) do governo municipal. A mensagem pedia a presença de "TODOS os CCs" às 18h, em um piquete no Centro da cidade.

O que conta Política News.

- O que ela disse: "Não andem na rua sem colinha. Se eu vir qualquer um na rua sem colinha no bolso, eu vou exonerar

O pedido: segundo a gravação, a ordem vale também para o horário de trabalho e alcança os postos de saúde, onde atendentes e recepcionistas deveriam entregar o material a quem é atendido, inclusive idosos.

Artigo, J. M. Cardoso e Silva - A passividade não é própria do cristão

Mais importante do que ser devoto é ter o coração puro e a coragem de olhar de modo honesto para si mesmo e para o próximo. É como traduzo a inquietação que tenho nestes dias, diante de manifestações políticas e refletindo sobre qual deve ser o papel de um cristão na sociedade. Somos muitos: evangélicos, católicos e kardecistas. O quanto ressoam em nossas vidas as palavras do Evangelho?

"Guardai-vos dos falsos profetas, que vêm a vós disfarçados de ovelhas, mas por dentro são lobos ferozes. Pelos seus frutos os conhecereis" (Mateus 7: 15,16). Que sentido encontramos em tais palavras?

Os fatos se precipitam e, a meu ver, afrontam a crença autêntica dos que pretendem, com maior ou menor devoção - ou sem ela - viver de acordo com os valores cristãos.

Confesso que vi com tristeza, quando a esposa do presidente da República e candidato a reeleição, Sra. Rosângela da Silva (Janja), durante uma cerimônia no Palácio do Planalto, exibiu-se com um símbolo muito caro para os irmãos católicos: uma medalha de Nossa Senhora Aparecida.

Mas ela não tem o direito de manifestar o que quiser? Em absoluto, não é essa a questão. O lobo não fica manso ao vestir uma pele de cordeiro, assim como uma pessoa não muda de fé ao trocar os adereços com que se apresenta aos outros. Há quatro anos, ao Fantástico, da Rede Globo, a mesma senhora declarou: "Ser ligada a uma religião de matriz africana só me dá orgulho." Fique claro, nós respeitamos a sua opção religiosa assim como, incondicionalmente, respeitamos as pessoas que não têm fé alguma.

Olhemos com honestidade para nós mesmos e para os fatos. Dias antes de ela produzir sua imagem com aquele símbolo católico, o adversário do seu marido foi, injusta e falsamente, acusado de querer cancelar o título de "padroeira do Brasil" que a tradição católica atribui a Nossa Senhora Aparecida. Todos os brasileiros com um pouco de qualificação intelectual sabem que a acusação é falsa. Ela também sabe que a acusação é falsa. Estamos diante de um caso em que a "motivação", que pertence ao íntimo de uma pessoa, pode ser apontada: o símbolo católico usado como adereço pela primeira-dama não foi um ato de fé, mas um ato eleitoreiro.

Quando somos honestos ao examinar nossas próprias motivações e buscamos a verdade para iluminar o caminho, ganhamos imunidade contra a mentira. Aprendamos a ver e ouvir desapaixonadamente o que nos dizem. Há muitos anos, o pastor Silas Malafaia, da Assembleia de Deus, advertiu: "O PT procura os evangélicos de 4 em 4 anos. O restante do tempo, luta contra os valores e princípios que nós defendemos. Não vamos cair nessa."

Mas não só os evangélicos são assediados pelos políticos do PT em busca de voto. Em 2010, por ocasião de tradicionais festejos católicos, a então candidata à presidência Dilma Rousseff visitou a Basílica de Nossa Senhora Aparecida e assistiu a uma missa para mais de 15 mil fiéis. "Queria estar aqui por causa de um problema recente em minha vida, que prefiro não comentar", disse ela à imprensa após sair da igreja.

Aliás, em 2010, para ter o voto dos evangélicos, Dilma disse ser contra o aborto (tema caro para os cristãos) e foi acusada por adversários de ser incoerente, porque defendia, até há pouco, o direito ao aborto.

Em 2014, buscando a reeleição, Rousseff participou de uma cerimônia num Congresso Nacional de Mulheres da Assembleia de Deus. Fez um discurso cheio de frases piedosas, inclusive citando um salmo de David. Já havia, dias antes, participado da inauguração do "Templo de Salomão", obra de grande repercussão popular da Igreja Universal do Reino de Deus.

Em 2018, os candidatos do PT eram Fernando Haddad e Manuela d'Ávila. E foram registradas imagens dos dois, que, em campanha eleitoral, foram a uma igreja católica, assistiram à missa e pareciam rezar.

Muito mais pode ser lembrado com pessoas que jamais são vistas em local de fé. Mas fiquemos apenas com isto, de 2022. Lula propôs ao PT, como estratégia de retomar o poder, criar "núcleos evangélicos". Ele teria tido a ideia enquanto esteve preso, condenado na Lava Jato. Na cadeia, ele viu pastores evangélicos na TV e imaginou o estratagema.

Em 2026, além de tantas manifestações sobre as quais devemos refletir, temos a atitude da primeira-dama, que pessoas de boa vontade, mesmo não católicas, devem reconhecer como ofensiva. Há um simbolismo oculto no que vimos: o Brasil tem estado alinhado com países em que a fé cristã é desrespeitada. Já denunciamos isso. Hoje, o que há no Brasil é uma espécie de deboche. O que virá depois, se não reagirmos?


Preço do petróleo volta a subir e passa dos US$ 100

Nesta quinta-feira, 1 de outubro de 2026, os preços globais do barril de petróleo operam em alta de aproximadamente 2%, revertendo as perdas do início do pregão. O movimento de alta é impulsionado principalmente pela decisão repentina de refinarias da China de suspender as exportações de combustíveis e derivados em outubro para proteger seus estoques internos, o que acentuou o aperto na oferta global.

As cotações registradas nesta manhã são:

• Petróleo Brent (referência internacional): É negociado na faixa de US$ 100,09 por barril (alta de 2,1%) para o novo contrato de dezembro. O contrato de novembro havia expirado na véspera cotado a US$ 103,50.

• Petróleo WTI (referência dos EUA): É negociado na faixa de US$ 92,48 por barril (alta de 2,28%).

Principais Fatores que Movem o Mercado Hoje

• Restrição Chinesa: A suspensão de exportações de diesel e gasolina por parte de Pequim adicionou forte pressão aos mercados de combustíveis refinados, já penalizados pelas frentes de guerra.

• Tensões e Diplomacia no Oriente Médio: Os investidores seguem cautelosos e avaliam os impasses diplomáticos entre os Estados Unidos e o Irã, após o presidente Donald Trump rejeitar propostas recentes de alívio nas sanções iranianas.

• Estreito de Ormuz: O mercado monitora o tráfego e as ameaças de segurança envolvendo o escoamento de cargas nessa importante rota marítima internacional. 

WhatsApp lança regras para controle do WhatsApp por parte dos pais

A empresa Meta, dona do WhatsApp, anunciou nesta quarta-feira uma série de recursos para que pais, mães e responsáveis possam ter mais controle sobre como os adolescentes usam o aplicativo. Os responsáveis vão definir quem poderá ver a foto de perfil do adolescente e quem pode adicioná-lo a um grupo. Também receberá uma mensagem para avisar com quem o jovem está conversando, quando ele for adicionado ou sair de um grupo e quando um grupo do qual ele faz parte adicionar vários novos integrantes. Os pais também poderão escolher qual o tipo de experiência de Inteligência Artificial da Meta os adolescentes terão acesso: a configuração padrão, para maiores de 13 anos, ou uma opção mais rigorosa, com conteúdo limitado.Todas essas configurações só podem ser modificadas por meio de PIN, definido pelo responsável.

As informações estão nesta matéria especial da Agência Brasil. Leia o texto completo:

Apesar do controle, o conteúdo das conversas e ligações continuará privado e protegido por criptografia ponta a ponta. Ao anunciar a mudança, a Meta informou ainda que trabalha em novos controles parentais baseados em pedidos feitos pelas famílias.

Criado há um ano, o Estatuto Digital da Criança e do Adolescente estabeleceu uma série de normas para proteção de crianças e adolescentes em ambientes digitais como redes sociais, jogos e aplicativos.

Entre as regras, está o controle parental obrigatório como monitoramento das atividades pelos pais através de vinculação de contas.

As empresas ficam obrigadas a criar mecanismos de controle para averiguar a idade do usuário e bloquear conteúdos impróprios. A lei também proíbe as empresas de tecnologia de coletar dados excessivos de menores e rastrear comportamentos para sugerir produtos e serviços.

Como habilitar o controle parental no WhatsApp

A configuração precisa ser feita primeiro no celular do adolescente:

Baixe o WhatsApp, escolha o idioma, aperte “concordar e continuar” e depois em “mais opções”

Selecione a opção “criar uma conta gerenciada por pai, mãe ou responsável”

Cadastre o número de telefone, data de nascimento e idade

Clique em “continuar” para conectar com a conta do responsável

No celular do responsável:

Aponte a câmera do celular para o QR code exibido no aparelho do adolescente e toque no link que aparecer

Abra o WhatsApp, toque em “concordar e continuar” e confirme que você é um adulto

Crie um PIN de seis dígitos, confirme e toque em "avançar” e depois em “ok”

Agora conclua a configuração no celular

Cunhado de Vorcaro diz que ele é o maior amigo do ministro Alexandre de Moraes

 A conversa capturada pela Polícia Federal ocorreu em 2 de setembro de 2025, enquanto Zettel, cunhado de Vorcaro e que também está preso, acompanhava o julgamento no STF e a decisão do Banco Central sobre a compra do Master pelo BRB. Outros áudios publicados pela revista Piauí, Zettel afirmou que Vorcaro havia guardado R$ 20 bilhões no exterior e disse também ter escondido dinheiro fora do país antes da liquidação do banco.

O cunhado do banqueiro e um dos seus mais fiéis auxiliares,Fabiano Zettel, afirmou em uma conversa que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), era “melhor amigo” do fundador do Banco Master e disse estar “contando com ele” enquanto acompanhava a crise da instituição.

Na conversa, Zettel se refere ao ministro como “Xandão” e afirma: 

- Xandão, melhor amigo, Daniel. Tô contando com ele .... Melhor amigo, janta junto, sai junto.

Leia o texto integral da reportagem de hoje do site Times Brasil:

A conversa ocorreu em 2 de setembro de 2025, enquanto Zettel e Marina comentavam o julgamento, no STF, do núcleo central da tentativa de golpe de Estado. A Primeira Turma havia iniciado naquele dia a análise da ação penal, relatada por Moraes. Ao mesmo tempo, Zettel acompanhava com apreensão a decisão do Banco Central sobre a compra do Master pelo Banco de Brasília (BRB), que seria rejeitada no dia seguinte.

As gravações foram reveladas nesta quarta-feira (30) pela revista Piauí, que obteve uma série de conversas e áudios de WhatsApp entre Zettel e uma mulher identificada pelo nome fictício de Marina, com quem ele manteve um relacionamento entre o início de 2023 e março deste ano, quando foi preso.

A reportagem também descreve Zettel como homem de confiança de Vorcaro na operacionalização de pagamentos e outras demandas. Segundo mensagens obtidas pela Polícia Federal, cabia a ele executar transferências, organizar assinaturas de contratos e lidar com cobranças, embora os pagamentos dependessem da autorização do fundador do Master.

Em outra conversa daquele período, Zettel disse que aguardava a decisão prevista para o dia seguinte e relatou a tensão em torno do futuro da instituição.

“Vou tomar remédio, vou dormir, porque amanhã a sorte tá lançada”, afirmou.

“Ele guardou 20 bi no exterior”

Os diálogos também revelam a preocupação de Zettel com o dinheiro de Vorcaro depois da liquidação do Master e da prisão do ex-banqueiro.

Em uma conversa de 2 de dezembro, Zettel afirmou que o fundador do Master estava sem recursos disponíveis e não conseguia acessar dinheiro mantido no exterior.

“Ele está completamente sem dinheiro. Não está conseguindo acessar, não está conseguindo trazer”, disse.

Na sequência, Zettel citou um valor de R$ 20 bilhões.

“Ele guardou R$ 20 bi no exterior e não consegue ir lá, não consegue gastar, não consegue pegar. Porque se pegar, é preso de novo. Então, não adianta nada juntar dinheiro fora. Se ferra do mesmo jeito. Não sei até onde o Daniel tem essa consciência. Eu acho que ele é meio inconsequente.”

.Até agora as autoridades localizaram cerca de R$ 2 bilhões em imóveis e outros bens ligados ao fundador do Master. Em agosto, a Suprema Corte das Ilhas Cayman determinou a liquidação da Titan Capital, holding controlada por Vorcaro, mas a empresa não tinha ativos disponíveis e acumulava dívidas superiores a R$ 1 bilhão.

Zettel disse que escondeu dinheiro no exterior

Antes da liquidação do banco, o próprio Zettel relatou ter enviado dinheiro para fora do Brasil. Em meados de outubro de 2025, ele contou a Marina que havia viajado ao exterior para resolver um assunto sigiloso. Depois da viagem, afirmou que o Banco Central havia dado, segundo seu relato, três semanas para que Vorcaro reformulasse o banco sob risco de liquidação.

“Eu fui lá, escondi um dinheiro, porque se der tudo errado e der uma merda danada e tudo meu for bloqueado, eu tenho que ter um dinheiro pra poder continuar vivendo e mantendo as coisas”, afirmou.

Zettel disse ainda que não poderia ter contado o motivo da viagem enquanto estava fora do Brasil.

“Agora, eu estou no Brasil e confio em falar isso pra você. Lá eu não podia falar isso por telefone.”

Telefone escondido em compartimento do carro

Depois da liquidação do Master e da prisão de Vorcaro, Zettel passou a relatar preocupação com a apreensão de aparelhos eletrônicos e com o avanço das diligências.

“Pegaram os telefones, iPad de todo mundo já. O meu ainda não”, afirmou, em uma das conversas. Segundo ele, agentes já haviam ido a imóveis ligados à família e contas e bens haviam sido bloqueados.

“Esse telefone que eu falo com você, eu não tô carregando ele comigo, eu tô deixando ele guardado em um compartimento dentro do carro aqui, porque vai que tem alguma coisa.”

Na mesma conversa, resumiu o cenário depois da intervenção das autoridades.

“Agora a polícia tá lá dentro, não tem mais banco, banco não existe, foi liquidado. Agora é esperar para ver.”

Prisão de Vorcaro pegou Zettel dormindo

Outro áudio registra o momento em que Zettel descobriu que Vorcaro havia sido preso. Ele contou que o fundador do Master pretendia embarcar para Dubai e que acreditava que a negociação em curso para tentar salvar a instituição havia afastado, ao menos naquele momento, uma nova crise.

Zettel disse que tomou Rivotril para dormir e não percebeu as tentativas dos advogados de falar com ele durante a madrugada.

“Os advogados bateram na minha casa 1 hora da manhã, minha filha. Esmurraram, tocaram o interfone, ligaram na portaria, ligaram no meu celular. Eu não vi nada, eu acordei 6 horas da manhã.”

Ao acordar, segundo ele, havia dezenas de chamadas perdidas.

“Na hora que eu acordei 6 horas da manhã, tinha 80 chamadas no meu telefone, 30 da portaria. Aí que eu fui descobrir que tinha acontecido.”

Zettel também contou que foi preparada uma mala para Vorcaro com pijama, bermuda, blusa, chinelo, itens de higiene, toalha e travesseiro.

Questionado se havia ido ver o cunhado, respondeu que não.

“O meu advogado achou melhor eu não ir”, afirmou. Em seguida, resumiu a orientação: “Me preservar”.

Vorcaro “transformou a vida dele nesse circo”, disse Zettel

As gravações também mostram Zettel fazendo críticas ao cunhado em conversas privadas.

Em determinado momento, Marina questiona a inteligência de Vorcaro. Zettel responde que o fundador do Master era inteligente “para umas coisas” e “burro” para outras.

“Ele é emocionalmente burro”, afirmou.

Depois, acrescentou: “Por ele ser inteligente, ele conseguiu fazer o dinheiro todo. Por ele ser burro emocionalmente, ele transformou a vida dele nesse circo.”

Em outra conversa, Zettel relatou que Vorcaro havia passado a usar roupas com a marca do Banco Master em meio à crise da instituição e que funcionários ironizavam a mudança.

“Esses dias ele tá trabalhando com a camisa do Banco Master. […] O povo do banco tá zoando. Ele resolveu vestir a camisa”, disse. Mais adiante, afirmou ter encontrado Vorcaro usando “um casaquinho escrito Banco Master”.

Os diálogos revelam ainda que, depois da prisão de Vorcaro, Zettel passou a demonstrar preocupação crescente com a própria exposição. Em uma das conversas, afirmou que precisava se afastar dos negócios associados ao cunhado e preservar suas empresas diante do avanço das investigações.

Procuradas pelo Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC, as defesas de Daniel Vorcaro e Fabiano Zettel não se manifestaram até a publicação desta reportagem. O gabinete do ministro Alexandre de Moraes e o STF também foram contatados para pedido de posicionamento.