Enquanto as eleições se aproximam, algumas das práticas
mais demagogas vêm à tona. É o caso do discurso que se molda às circunstâncias
– e que demonstra que figuras aparentemente jovens também adotam hábitos da
velha política. Em uma mescla de conveniência e oportunismo, partidos que até
ontem integravam a base do governo agora adotam posição contrária a temas
relevantes para o futuro do Rio Grande do Sul, como o plebiscito sobre a
privatização de três empresas estatais.
Há quase duas décadas, esse é o mecanismo necessário para
se vender uma companhia do estado. Trata-se de um absurdo, é claro. Estatais
não foram criadas por plebiscito, mas por projetos de lei aprovados na
Assembleia Legislativa. E assim deveriam ser extintas. Mas se a Constituição
estadual prevê esse procedimento, que assim seja – e que a população não fique
privada de decidir sobre o destino de empresas deficitárias que, hoje, sugam
recursos que poderiam ser alocados em segurança, saúde e educação.
Esse foi um tema exaustivamente discutido na imprensa,
nas redes sociais e no Parlamento ao longo dos últimos anos. A dificuldade de
encaminhar a matéria ao Legislativo deve-se a um equívoco do próprio governador
José Ivo Sartori, que deveria ter falado abertamente sobre o assunto durante a
campanha. Isso, porém, não tira o mérito da iniciativa.
É preciso ter postura definida: eu, pessoalmente, defendo
as privatizações e um estado mais enxuto e eficiente. Ao tentar impedir que
esse tema também seja votado em outubro, imagino que alguns políticos
tradicionais tenham resistência – ou medo – de se manifestar a respeito.
Em um período de tanta descrença na política, o mínimo
que se espera de um postulante ao cargo de governador é nada menos que a
verdade. Ter posições claras para que a população, à frente das urnas, saiba em
qual projeto está votando.
As eleições que se avizinham serão uma oportunidade de as
pessoas se manifestarem através do voto. O que estará em jogo não é apenas o
nome que assumirá o Piratini a partir de 2019, mas suas ideias, seus planos e
seus posicionamentos. Espera-se que sejam retos e conhecidos, e que não mudem
ao sabor dos ventos e das circunstâncias. Quem pretende governar o Rio Grande
deve, no mínimo, ter coragem de assumir posições claras e objetivas. Depois,
soberano, o eleitor decide.
Ex-CEO da FALCONI, ex-presidente do Banrisul e
ex-secretário de Planejamento do Rio Grande do Sul
"[...] partidos que até ontem integravam a base do governo agora adotam posição contrária [...]": E qual é a novidade? Tão velho quanto a própria política...
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