Artigo, especial - A casinha vazia

Artigo do Observatório Brasil Soberano

Um dos assuntos mais comentados nas redes sociais nos últimos dias, expõe a podridão ética de uma sociedade que vem abandonando o respeito pela vida. Orelha era um cachorro comunitário, com cerca de 10 anos, que transmitia ape nas amor e convivia pacificamente com moradores, turistas e comerciantes na Praia Brava, em Florianópolis. Todos o conheciam pelo nome, ofereciam carinho e o consideravam parte da comunidade. Até que alguns adolescentes o transformaram em alvo de uma brutalidade covar de: pauladas repetidas na cabeça, empalamento, agressões prolongadas que o deixaram agonizando por horas, culminando na eutanásia inevitável em um hos pital veterinário. Essa crueldade nasce de uma degradação profunda. A atitude criminosa desses jovens pode ser explicada pelo fenômeno da permissividade extrema de pais que confundem proteção com impunidade, ou que acham que o dinheiro compra tudo. Todos são de famílias abastadas que, com algo dessa na tureza, passam o recado que priorizam a blindagem dos filhos acima de qualquer correção moral. E isso fica escancarado quando dois dos adolescentes criminosos foram tirados de cena e enviados à Disney. Uma verdadeira afronta à sociedade saudável que não suporta mais tanta coisa errada. A Polícia Civil indiciou três familiares — um advogado e dois empresários, incluin do pais e tio de um dos adolescentes — por coação no curso do processo. Eles ten taram intimidar testemunhas, ameaçar com processos e pressionar para alterar depoimentos, revelando uma estrutura familiar que usa poder e intimidação para encobrir a responsabilidade em vez de assumir e corrigir. E essa sensação de que rico pode tudo, também revolta com a informação de que o porteiro que testemu nhou o crime, ao invés de ser protegido, foi demitido. Vivemos numa era em que a violência se banaliza nas telas: vídeos curtos, jogos e algoritmos premiam o choque e o extremo. A crueldade vira conteúdo, curtidas viram validação, e o outro — animal ou humano — se transforma em objeto. Es ses adolescentes cresceram dessensibilizados, convencidos de que a vida alheia é descartável e o que importa é que a própria vida está garantida. O sofrimento do Orelha é reflexo de uma sociedade que abandona princípios e valores fundamentais em nome de um individualismo tóxico. Uma sociedade que tolera impunidade, romantiza a rebeldia sem causa – incluindo agressões e des respeito aos professores em sala de aula, troca princípios e valores por consumo e privilégio. Jovens se formam acreditando que podem destruir o que não criaram e ainda serão protegidos pela família. A justiça, sempre permissiva com os chamados "de menor", provavelmente não aplicará uma punição severa o suficiente. Mas esses adolescentes carregam, pelo resto da vida, a marca indelével da brutalidade que cometeram contra um ser in defeso que só transmitia amor. E aí reside o grande buraco da nossa sociedade: a perda do respeito pelo maior presente do Criador — a vida. A casinha do Orelha está vazia. Uma imagem tão triste quanto saber que, se nada for feito para recuperar o respeito à vida — de qualquer vida —, o caminho pode ser sem volta

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