Uma canção de Toquinho e Carlinhos Vergueiro (de gosto discutível) diz: "Fique de olho no apito/ Que o jogo é na raça/ E uma luta se ganha no grito." Está desatualizada! Agora é "fique de olho no VAR!"
Charles quer estudar jornalismo e trabalhar com esportes. E já se exercita. fez uma experiência. Mandou seu irmão dar um tapinha amoroso no rosto da mãe, enquanto ele filmava a cena. Buscou um ângulo em que a expressão debochada do irmão não aparecia, mas apenas a mãe, que, com dotes de atriz, manteve uma cara séria. A imagem parada flagrava uma agressão! A mão de um homem na cara de uma mulher!
"Estou provando que o VAR é idiota", disse o futuro repórter. Exagerou. Mas lembrou um erro comum: quantas vezes vimos decisões decretadas pelo VAR baseadas em imagens paradas? O árbitro, que vê o lance de perto, pode avaliar aspectos que as câmeras não registram. Parece óbvio! Mas, do jeito que estão as coisas, não é dele a última palavra.
A coluna já abordou o que Arnaldo Cezar Coelho, um dos maiores árbitros que o Brasil já teve, falou em entrevista. Ele deu um exemplo: o atleta salta e, de cabeça, faz o gol. E só depois de saltar e marcar, ele se apoia no adversário. "Não é falta!", esbravejou Arnaldo. O árbitro, a poucos passos do lance, pode bem avaliar. Aí o VAR, "procurando pelo em ovo" (como diz Arnaldo), pega a imagem da mão do atacante no adversário. Usa a imagem parada e diz que é falta. Ou seja, a imagem parada, equivalente ao que o adolescente Charles fez, prevalece sobre a percepção do árbitro de campo.
Em 15/02/2025, o Grêmio enfrentou o Ipiranga pelo Gauchão. E viu o VAR expulsar o seu lateral João Lucas. O atleta foi prensado por dois adversários, desequilibrou-se e, caindo, teve o ato reflexo de usar os braços para não bater com a cabeça no chão. Mas um dos braços atingiu o peito de um dos adversários. Foi o que o árbitro Francisco Soares Dias viu. Foi o que todo mundo viu, inclusive o jornalista Diori Vasconcelos, que fez curso
de arbitragem para opinar nesses casos. A não ser algum torcedor emocional, não vi ninguém dizer o contrário. Só o VAR, olhando a imagem parada, entendeu que o gesto de autodefesa foi uma agressão a ser punida com a expulsão. E o atleta foi expulso!
Os árbitros que correm em campo, que, se não têm preparo físico, caem fora, estão expostos, aparecem na TV, são observados e avaliados (além de terem a mãe xingada...): a sua reputação profissional é um bem pelo qual devem zelar, o que ajuda a conter-lhes o ego. Entretanto, em termos concretos, sua autoridade ficou relativizada com o surgimento do VAR, que, interpretando imagens, acaba tendo a última palavra. É um problema!
Foi Arnaldo que disse haver uma empresa internacional que faz cursos a rodo para "árbitro de vídeo". Significa que qualquer fulano sedentário pode fazer o curso e "apitar" no VAR. E ter mais autoridade que aquele que teve um preparo muito mais exigente.
Há questões que merecem um exame detido. Quem não tem a experiência de apitar em campo terá background suficiente para atuar no VAR? Quem está mais exposto a condicionamentos: o que apita ou o que opera na cabine do VAR? Poder fundamentar decisões em imagens paradas não abrirá uma porta para decisões tendenciosas e até para ilícitos?
Não tenho respostas definitivas. Mas uma proibição parece necessária: o VAR não pode cometer a cretinice de jogar no telão do estádio a imagem parada e constranger o árbitro de campo. Ou não acontece?
Quem atua no VAR é que deveria estar mais preocupado com regras claras e até com um protocolo de transparência. Mostrar a gravação do que se fala na cabine do VAR não basta. De que adianta ouvir alegações baseadas numa imagem parada? Não se trata de lançar suspeitas sobre ninguém, mas de raciocínar em abstrato. Hoje, há margem a justificações falaciosas para decisões erradas que determinam resultados. Na era da jogatina e da esperteza, isso tem de ser tratado com calma e muito critério.
Para terminar... Lembram o Gre-Nal de 21/09/2025 (aquele em que o Inter foi agraciado com três pênaltis)? Fazemos votos de que os erros daquele jogo não se repitam neste domingo. E que vença o melhor!
a questão principal e o leviatã estatal..a nação não aguenta mais o peso do estado....existem dois tipos de cidadãos..o cidadãos privado e o cidadãos estatal...não há vida econômica fora do estado..e só escravidão...o salário inicial de contratação privado e de RS 2200 reais...o salário inicial do setor público e de 8000 reais...uma diferença absurda...e a escravidão comunista...
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