Renato Sant'Ana é Advogado e Psicólogo.
E-mail: releituras21@gmail.com
"Xingue-os do que você é, acuse-os do que você faz", eis a regra adotada por aqueles para quem o embate político é um vale tudo, adversários são inimigos e os meios mais sórdidos se justificam. O candidato ao governo de S. Paulo, Fernando Haddad, teve o peito de dizer: "O Banco Master nasce, cresce e se desenvolve durante a gestão do presidente do Banco Central nomeado pelo Bolsonaro." Haddad joga com a desinformação das pessoas, desviando-lhes a atenção de fatos graves que envolvem o PT, quando o escândalo do Master tem, como se verá aqui, DNA petista.
Sim, coincidindo com o período de Roberto Campos Neto na presidência do Banco Central (BC), o Master era gestado, só que num curral petista. É o que informa o Portal360: "A arquitetura da maior fraude financeira da história do Brasil jamais teria sido possível se Daniel Vorcaro, do Banco Master, não tivesse se associado ao empresário baiano Augusto Lima, no final de 2018. E Augusto Lima, o Guga, não teria prosperado sem a ajuda direta dos políticos petistas mais famosos da Bahia, Jaques Wagner e Rui Costa" (publicado em 10/08/2026).
Há muitos capítulos. Mas a síntese da história é esta: o Estado da Bahia tinha uma cadeia de supermercados na qual servidores estaduais podiam comprar alimentos. Depois foi criado um cartão (o Credicesta), em que o valor gasto nas lojas da rede era descontado na folha de pagamento do servidor. O sistema era deficitário. Mas não se pode dizer que foi por isso que o PT, fissurado em programas estatais, quis privatizá-lo.
Em 2018, o ativo da rede de supermercados foi privatizado, assim como o Credicesta. Pelo negócio, o Estado da Bahia recebeu um valor simbólico: R$ 15 milhões. Quem comprou? Augusto Lima! Quem vendeu? Rui Costa, então governador, com participação de Jaques Wagner. Diz a reportagem: "A operação foi esquisita. Participaram um empresário espanhol e outro da Bahia, mas o comprador real e definitivo dessa geringonça deficitária foi Guga [Augusto Lima]. Os outros 2 nunca mais apareceram."
Cabe perguntar: por que Augusto Lima compraria um negócio deficitário?
Nas mãos de Guga Lima, o Credicesta, renomeado como Credcesta, virou uma potência da noite para o dia, graças às suas sólidas relações de amizade com os petistas da Bahia. Conforme a matéria, antes de fechar o negócio, ele articulou tudo com Costa e Wagner: "Nas conversas, Guga deixava bem claro: a Ebal e seus supermercados não valiam nada. O Credcesta, sim, tinha um grande potencial. Não para comprar comida fiado. Mas para virar um cartão para empréstimos consignados (...)".
Aos 16 dias de virar dono do Credcesta, Guga recebeu um favor: Rui Costa (governador, com Jaques Wagner como secretário de Desenvolvimento) assinou dois decretos que mudaram o jogo. O Credcesta, um cartão que só prestava para comprar arroz e feijão, ficou a um passo da agiotagem. Com ele, o funcionário público passou a sacar dinheiro e tomar empréstimo consignado a juros de quase 5% ao mês (quando a inflação anual era menos de 4%). Rui Costa também ampliou o limite para empréstimos consignados, permitindo comprometer até 30% do salário com novos empréstimos). E deu ainda exclusividade para o Credcesta: o funcionário público ficou sem poder buscar juros menores no mercado.
"Eles [os petistas baianos] escravizaram o servidor. Deram um monopólio para o Credcesta. Depois impediram o servidor de sair do monopólio", diz o advogado Jorge Falcão, que defende a associação dos servidores.
O afortunado Guga Lima quis ampliar a operação. E precisava de dinheiro. Foi por isso que procurou Daniel Vorcaro. Em 28/12/2018, ele comunicou ao BC sua intenção de se tornar acionista da instituição de Vorcaro (o Credcesta já estava operante no banco). Porém, segundo a reportagem, o real segredo da alavancagem financeira do banco de Vorcaro não estava só nos juros cobrados: "A grande jogada consistia na securitização e na revenda dessas carteiras de crédito consignado para outros bancos, fundos de investimento e investidores."
Em suma, Daniel Vorcaro aumentou sua fortuna com a ajuda do Credcesta, comprado por Augusto Lima depois de uma série de facilidades advindas de medidas do PT na Bahia. O Credcesta baiano tornou-se nacional. Passou a oferecer crédito a funcionários públicos por todo o país, com pequenas variações, mas sempre com possibilidade de conceder empréstimos a um público com risco quase zero de inadimplência e juros altos.
Encurtando o assunto. Em 04/12/2024, Lula fez uma reunião no Planalto, fora da agenda, juntando Vorcaro e Guga Lima com figurões como o baiano Rui Costa, Guido Mantega (estrela do PT, lobista do Master em Brasília), Alexandre Silveira (ministro de Minas e Energia) e Gabriel Galípolo, que se tornaria presidente do Banco Central no mês seguinte. O Poder360 e o UOL, em 17/05/26, contam que, na ocasião, Vorcaro pediu um conselho a Lula: "O BTG, de André Esteves, quer comprar meu banco por R$ 1. Eu não quero confusão. Devo vender ou seguir no mercado? Nós queremos reduzir a concentração bancária do Brasil, presidente". Desancando com palavras chulas Roberto Campos Neto e André Esteves, Lula terminou por aconselhar Vorcaro que não vendesse o banco. E as matérias acrescentam que Vorcaro tomou a presença de Galípolo na reunião e as críticas a Roberto Campos Neto como um incentivo para seguir com o Master.
Por fim, vale comparar. Nos seis anos de gestão de Campos Neto, houve 24 reuniões presenciais de representantes do Master com o Banco Central. Já em 11 meses de Galípolo (nomeado por Lula), foram 41. Isso é bastante para implicar Galípolo ao escândalo do Master? Para quem é honesto, não. Mas na lógica de Fernando Haddad, a ligação seria certa.
Embora de má vontade, jornalões do país também veicularam as informações trazidas pelo portal Poder360. E hoje ninguém, que seja honesto, poderá negar que o escândalo do Master tem o DNA petista. A fala de Fernando Haddad é, portanto, uma afronta à inteligência dos eleitores, a quem ele pede voto. Claro, ele segue o mandamento da esquerda: "Xingue-os do que você é, acuse-os do que você faz!"
Clique nos links e leia matérias detalhadas do Poder360:
https://www.poder360.com.br/poder-justica/jaques-wagner-e-rui-costa-favoreceram-negocio-que-enriqueceu-vorcaro/
https://www.poder360.com.br/poder-economia/lula-aconselhou-vorcaro-a-nao-vender-master-ao-btg/
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