O comprometimento da renda das famílias com o pagamento de dívidas atingiu 28,85% em setembro, atingindo o maior nível desde 2022, segundo dados do Banco Central. A inadimplência entre as pessoas físicas também vem avançando e chegou a cerca de 6% em agosto, batendo novo recorde da série histórica iniciada em 2011. Na avaliação do diretor de investimentos da Zelen Family Office, Raphael Cordeiro, apesar da nova etapa do programa Desenrola, anunciada pelo Governo Federal na tentativa de reduzir os índices de inadimplência, os dados colocam em alerta investidores e empresas familiares.
Ele
explica que o aumento do endividamento vai além do orçamento doméstico, podendo
reduzir o consumo, elevar o risco de crédito e pressionar a geração de caixa de
companhias mais dependentes do mercado interno. Nesse ambiente, ganham
importância a qualidade dos balanços, a liquidez e a capacidade das empresas de
atravessar períodos prolongados de juros elevados. “Os efeitos tendem a ser
mais relevantes para empresas expostas ao consumo doméstico e à oferta de
crédito. Com uma parcela maior da renda destinada ao pagamento de dívidas, os
consumidores podem adiar compras e priorizar despesas essenciais, pressionando
receitas e a geração de caixa das empresas”, destaca Cordeiro.
Nesse
cenário, avaliar os balanços, a liquidez e a alavancagem das companhias é
importante, alerta o especialista. “O contexto atual sugere que teremos um
aumento de recuperações judiciais, o que compromete o investimento em títulos
de renda fixa como debêntures, CRIs e CRAs. Também é necessário avaliar a
exposição das empresas à inadimplência de seus clientes”, afirma Cordeiro ao
lembrar que o Brasil passa por um momento recorde de recuperações judiciais,
com mais de 6 mil empresas em recuperação judicial ativa somente no primeiro
semestre de 2026.
O
‘Desenrola 3.0’ acrescenta um elemento conjuntural ao debate ao buscar
facilitar a renegociação de dívidas inadimplentes. Seus efeitos sobre o consumo
e o crédito, no entanto, dependerão da capacidade das famílias de manter os
pagamentos após a renegociação. “Vale lembrar que os fatores que contribuíram
para o acúmulo das dívidas ainda persistem. Por outro lado, companhias que
negociam com os credores antes da recuperação judicial tendem a sair da crise
com mais facilidade”, explica Cordeiro.
Na
avaliação de Cordeiro, um alívio pontual não deve ser interpretado pelo
investidor como sinal de recuperação automática e homogênea do consumo. Ele
ressalta que apenas os títulos bancários, como CDB, LCI e LCA contam com a
garantia do Fundo Garantidor de Crédito (FGC).
Para
as empresas familiares, o cenário reforça a importância de preservar liquidez,
evitar a concentração excessiva de riscos e manter uma alocação compatível com
o horizonte do patrimônio. A diversificação entre classes de ativos, emissores
e indexadores reduz a dependência de um único cenário macroeconômico. “Em um
ambiente de renda pressionada e crédito caro, preservar flexibilidade é tão
importante quanto buscar retorno. A orientação é priorizar ativos de qualidade,
empresas com balanços resilientes e decisões compatíveis com o horizonte de
cada família”, ressalta Cordeiro.
A Zelen Family Office é uma empresa especializada na consultoria patrimonial e de investimentos, com foco na administração estratégica de ativos familiares. Fundada por profissionais com mais de 20 anos de atuação no mercado financeiro, a Zelen Family Office se destaca pelo trabalho integrado de planejamento patrimonial, investimentos e organização da sucessão familiar.

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