O candidato em quem já depositei confiança se tornou, para mim, símbolo de tudo aquilo de que hoje quero me afastar
Por aspectos diversos, o 13 é número de azar ao redor do mundo, e uma das mais fortes razões para a superstição está ligada à presença de um traidor, Judas, na ceia de Jesus Cristo com seus 12 apóstolos. Pensei nisso antes de ir dormir, nesta sexta-feira, inconformado com a farsa judicial montada por Gilmar Mendes, ministro do Supremo Tribunal Federal, e por Estela Aranha. Estela opera na corte eleitoral do país a serviço de seus ex-chefes - Lula e sua longa manus no STF, Flávio Dino, ex-ministro da Justiça que foi colocado na suprema corte para fazer as vontades do presidente que busca a reeleição. Ficou tudo escancarado. O STF, pela vontade de uma facção poderosa, se articulou nas sombras do entardecer de quinta-feira para, de última hora, fulminar a TV Globo com ordens brutalmente contrárias à lei e ao ordenamento jurídico com o propósito de melar - o termo é este - a realização de um debate que Lula, o candidato 13, quis, e conseguiu, evitar.
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Lula teve meu voto, no passado, quando eu o considerei um legítimo apóstolo de mãos limpas a pregar uma democracia de base popular e compromisso com a emancipação social e econômica dos brasileiros. Mas então seu número, que era o 3, tornou-se, cabalisticamente, 13, e diante daqueles meus olhos de 1989 foi-se tornando uma figura irreconhecível.
Governou o país, direta e indiretamente, em cinco mandatos. Fez fortuna. Loteou entre apaniguados não apenas a máquina pública do poder executivo, mas órgãos de controle, como tribunais de contas. Desgraçadamente partidarizou também dois baluartes de defesa do estado de direito - o ministério público e o Poder Judiciário. Como Nicolás Maduro, na Venezuela, Lula capturou a suprema corte, hoje atolada no mais profundo descrédito popular. Extrapolou, para muito além dos limites éticos da barganha política, a cooptação do parlamento brasileiro, transformado em balcão de negócios. Foi preso. Foi solto. E hoje é a viga-mestra de um regime que prendeu e persegue milhares de brasileiros que olham para nós, jornalistas, incrédulos, como a perguntar se não estamos vendo o que se passa debaixo de nossos narizes.
Em Lula, dependura-se todo o cortejo da velhacaria oligárquica. Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes, Flávio Dino, Davi Alcolumbre, Hugo Motta e muitos outros exemplares de um organismo institucional corrupto cujas vísceras estão sendo expostas à medida que se conhecem as relações de Daniel Vorcaro com figurões da República.
Nada mais posso fazer, ou dizer, a não ser votar na oposição. Hoje, avô, sou tomado de um espírito juvenil de rebeldia e protesto. Sentimento temporão, talvez. Mas é que quinta-feira fui dormir pensando na Santa Ceia e em Judas. Um pesadelo.
13? Não mais.
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