É um padrão que resistiu a disputas acirradas, reviravoltas políticas, crises econômicas, mudanças de governo e até eleições decididas por margens estreitas. Agora, em 2026, o tabu volta ao centro da disputa.
Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT) chegam ao segundo turno, marcado para 25 de outubro, depois de uma primeira rodada em que o candidato do PL terminou à frente. Flávio teria alcançado 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula, uma diferença de aproximadamente 2,2 milhões de votos.
A pergunta que emerge é inevitável: será que, desta vez, o
segundo colocado conseguirá transformar a desvantagem inicial em vitória?
O histórico brasileiro diz que não.
1989: Collor abriu o precedente
A primeira eleição presidencial direta após o fim da
ditadura militar reuniu 22 candidatos e levou Fernando Collor de Mello (PRN) e
Lula (PT) ao segundo turno.
Collor terminou a primeira etapa com 30,5% dos votos
válidos, contra 17,2% de Lula. Na votação decisiva, ampliou a vantagem e foi
eleito presidente com 53%, diante dos 47% do petista.
1º turno: Collor 30,5% | Lula 17,2%
2º turno: Collor 53,0% | Lula 47,0%
Vencedor: Collor
1994 e 1998: FHC nem precisou do segundo turno
Fernando Henrique Cardoso transformou o Plano Real em uma
poderosa plataforma eleitoral e venceu a eleição de 1994 ainda no primeiro
turno, com 54,28% dos votos válidos. Lula terminou em segundo, com 27,04%.
Quatro anos depois, FHC repetiu a façanha. Na primeira
eleição presidencial após a aprovação da possibilidade de reeleição, venceu
novamente no primeiro turno, com 53,06%, contra 31,71% de Lula.
Foram duas eleições sem segundo turno e, portanto, sem
possibilidade de uma virada.
2002: Lula confirma a lógica
Depois de três derrotas presidenciais, Lula chegou a 2002
como favorito. No primeiro turno, obteve 46,4% dos votos válidos, mais que o
dobro dos 23,2% de José Serra (PSDB).
No segundo turno, o petista não apenas manteve a dianteira
como ampliou a diferença. Foi eleito com 61,3% dos votos.
1º turno: Lula 46,4% | Serra 23,2%
2º turno: Lula 61,3% | Serra 38,7%
Vencedor: Lula
2006: Lula novamente na frente e novamente vencedor
Em 2006, Lula terminou o primeiro turno com 48,6%, enquanto
Geraldo Alckmin (PSDB) alcançou 41,6%.
A disputa foi para a segunda etapa, mas o resultado não
mudou de mãos. Lula ampliou sua vantagem e conquistou a reeleição com 60,8%.
1º turno: Lula 48,6% | Alckmin 41,6%
2º turno: Lula 60,8% | Alckmin 39,2%
Vencedor: Lula
2010: Dilma mantém a liderança
A eleição de 2010 apresentou Dilma Rousseff (PT) em sua
primeira disputa presidencial. Apoiada pelo então presidente Lula, ela terminou
o primeiro turno com 46,9%, contra 32,6% de José Serra.
No segundo turno, Dilma confirmou o favoritismo e foi eleita
com 56,1%, tornando-se a primeira mulher a ocupar a Presidência da República
pelo voto direto.
1º turno: Dilma 46,9% | Serra 32,6%
2º turno: Dilma 56,1% | Serra 43,9%
Vencedora: Dilma
2014: a eleição que mais se aproximou de uma virada
Se existe uma eleição recente que ajuda a explicar o peso do
primeiro turno, é a de 2014. Dilma terminou a primeira etapa com 41,6% dos
votos válidos, enquanto Aécio Neves (PSDB) ficou com 33,6%.
No segundo turno, entretanto, a diferença praticamente
desapareceu. Dilma venceu por apenas 3,3 pontos percentuais: 51,6% contra
48,4%. Foi uma das disputas presidenciais mais apertadas da história
brasileira, mas, ainda assim, o líder do primeiro turno permaneceu líder até o
fim.
1º turno: Dilma 41,6% | Aécio 33,6%
2º turno: Dilma 51,6% | Aécio 48,4%
Vencedora: Dilma
2018: Bolsonaro amplia a vantagem
Em 2018, Jair Bolsonaro (PL) chegou ao segundo turno com 46%
dos votos válidos, enquanto Fernando Haddad (PT) terminou a primeira rodada com
29,3%.
A diferença inicial era superior a 16 pontos percentuais. No
segundo turno, Bolsonaro confirmou a liderança e foi eleito com 55,1%.
1º turno: Bolsonaro 46,0% | Haddad 29,3%
2º turno: Bolsonaro 55,1% | Haddad 44,9%
Vencedor: Bolsonaro
2022: Lula vira a eleição — mas não no segundo turno
A eleição de 2022 oferece um detalhe importante para
entender o atual cenário. Lula terminou o primeiro turno na frente de Jair
Bolsonaro, com 48,4% dos votos válidos, contra 43,2% do então presidente.
A diferença era muito menor do que a observada em algumas
eleições anteriores. Mesmo assim, Lula manteve a dianteira e venceu a segunda
rodada por uma margem mínima: 50,9% contra 49,1%.
1º turno: Lula 48,4% | Bolsonaro 43,2%
2º turno: Lula 50,9% | Bolsonaro 49,1%
Vencedor: Lula
2026: o histórico está novamente em jogo
A eleição deste ano coloca Flávio Bolsonaro e Lula frente a
frente em uma disputa que pode entrar para a história por mais de um motivo.
Flávio chega ao segundo turno na liderança, enquanto Lula
tenta repetir o desempenho de outras eleições e transformar sua experiência
eleitoral em uma vantagem na reta final.
1º turno: Flávio Bolsonaro 47,03% | Lula 45,16%
Diferença: cerca de 2,2 milhões de votos
2º turno: 25 de outubro

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