segunda-feira, 18 de junho de 2018

Conjuntura econômica, Estadão - Depois do avanço, a neblina


O Brasil fechou os primeiros quatro meses de 2018 com o melhor desempenho econômico em quatro anos

O Brasil fechou os primeiros quatro meses de 2018 com o melhor desempenho econômico em quatro anos, segundo a nova atualização do Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br). Os novos dados combinam bem com números da produção industrial, das vendas no varejo e da execução de serviços, todos apontando para um avanço vigoroso em abril. Segundo as contas do BC, o nível de atividade entre janeiro e abril foi 1,55% superior ao de igual período de 2017. O último resultado melhor que esse foi registrado em 2014, com ganho de 1,69% no mesmo tipo de comparação. O IBC-Br, usado como antecipação do Produto Interno Bruto (PIB), só divulgado a cada três meses, resulta de uma combinação de informações setoriais e oferece uma primeira visão ampla do quadro econômico. 
Os números publicados pelo BC nesta sexta-feira têm significado ambivalente. Do lado positivo, mostram a recuperação continuada, embora lenta, de uma economia saída há pouco mais de um ano de uma funda recessão. Do lado oposto, são mais um indicativo da perda ocasionada pela crise no transporte rodoviário, pela demora na solução desse problema e pelo agravamento das incertezas de empresários, consumidores, investidores e agentes do setor financeiro. 
Como os números setoriais produzidos mensalmente pelo IBGE, o IBC-Br mostrou uma retomada de vigor em abril. No mês, o indicador subiu 0,46%, na série com ajuste sazonal, depois de um recuo de 0,51% em março. 
O dado de abril foi 3,70% superior ao de um ano antes, confirmando um desempenho econômico, mesmo com oscilações mensais, seguidamente melhor que o de 2017. A média do trimestre móvel ficou 1,15% acima da estimada para igual período do ano anterior e o crescimento acumulado em 12 meses chegou a 1,52%, embora a economia tenha exibido, no começo do ano, impulso menor que nos meses finais do ano passado. 
No trimestre encerrado em abril a atividade foi 0,29% menor que nos três meses de novembro a janeiro, mas as comparações interanuais continuaram positivas e isso mostra a continuação da tendência de recuperação. Em abril o IBC-Br alcançou 139,86 pontos na série sem desconto dos fatores sazonais. Esse foi o nível mais alto para um mês de abril desde 2015 (142,68 pontos), na fase inicial da recessão. 
Mas o desempenho positivo mostrado pelo retrovisor tem hoje pouco significado, segundo muitos analistas. Antes, poderia ser um indício de como a economia poderia evoluir nos meses seguintes, mas as condições, segundo argumentam, se tornaram muito menos animadoras: a crise no transporte, o longo impasse em relação à tabela de fretes e outros fatores de insegurança tornam inevitável uma baixa das expectativas. A mudança é facilmente visível nas projeções coletadas na pesquisa Focus, do BC, realizada por meio de consulta semanal a cerca de cem economistas do mercado. 
Na pesquisa divulgada na última segunda-feira o crescimento projetado para o PIB em 2018 ficou em 1,94%. Na semana anterior ainda estava em 2,18%, mas a queda havia começado semanas antes. Mas a piora das expectativas começou a afetar também as projeções para o próximo ano e esse talvez seja o detalhe mais sombrio. Durante um longo período as estimativas para 2019 indicaram crescimento econômico de 3%. Na última pesquisa esse número caiu para 2,80%. 
A inflação estimada para este ano e para o próximo continuou moderada, até esse levantamento, embora com alguma aceleração. O número esperado para 2018 subiu de 3,65% para 3,82% e o previsto para 2019 passou de 4,01% para 4,07%. Se as estimativas estiverem corretas, o resultado ainda ficará abaixo da meta (4,5%) nos dois anos. Mas qualquer projeção é agora mais arriscada que até recentemente, por causa da incerteza política interna, exacerbada pelo cenário eleitoral, e da mudança das condições externas, com juros mais altos e novos conflitos comerciais. Reformas paralisadas e novas pressões sobre as contas públicas tornam mais enevoado o caminho – o trajeto da recuperação hoje ameaçada.


É mais interessante o Lula sacralizado ou o Lula profano?

Se arrancarem do ex-presidente sua poderosa humanidade, com suas virtudes e pecados, vão transformá-lo em uma triste caricatura.

Juan Arias

Desde que Lula foi condenado e preso existe, entre seus seguidores mais fervorosos, uma campanha para sacralizá-lo. É realmente melhor e mais interessante o Lula santo que o Lula profano? Que eu saiba, o que sempre agradou no político popular foi sua humanidade, a capacidade de entender como ninguém a linguagem e os lamentos dos sem passaporte e sem futuro. Eles entendem suas metáforas sobre futebol, suas hipérboles. Eles gostam de vê-lo com seus defeitos, comendo e bebendo o que eles comem e bebem. E amar o que eles amam. Divertem-se com seus exageros e até mesmo com suas mentiras. Perdoam-no por andar entre os ricos e grandes do mundo, porque pensam que continua sendo um deles capaz de defendê-los, quando chegar a hora, contra aqueles mesmos poderosos.
Agora começou a corrida pela sacralização. É o Lula que parou de beber e está feliz e não enfurecido, porque a ira é pecado. O Lula que assiste pela televisão as missas do Santuário de Aparecida. O que recebe um terço abençoado pelo Papa Francisco, que não era assim, enquanto um grupo de evangélicos até tirou o pó das cartas que o apóstolo Paulo escreveu na prisão, mais de dois mil anos atrás, dizendo que mesmo prisioneiro “lutava contra as bestas”(1Cor.13,32).
Lula tem agora um pai espiritual a cada semana que acaba sendo um porta-voz de sua conversão na prisão, onde estaria sereno, lendo e meditando. Dá medo de que, se continuar esse processo de sacralização, logo saberemos que o ex-sindicalista capaz de competir no bar com piadas e linguagem do mais veterano dos caminhoneiros acabe recebendo alguma aparição da Virgem ou dos santos. Façam, por favor, uma pesquisa entre os eleitores fiéis de Lula e perguntem se eles o preferem santo, manso e rezando, ou gritando que se sente enjaulado e obrigado a assistir as novelas da Globo. Se o preferem pecador como todos, com suas paixões e misérias, seu gosto pelas coisas boas da vida, ou transformado em monge a caminho da santidade.
A característica de Lula que sempre impressionou fiéis e infiéis é o seu incrível talento político, sua capacidade de prever as jogadas, como acontecia com Maradona no futebol. Ser um e vários ao mesmo tempo, conhecer pela biografia e pelo instinto, as pulsações mais profundas da miséria. O Lula profano, sem dúvida, é muito mais atraente e convincente do que o dos altares em que querem colocá-lo. E demos graças que a Igreja do Vaticano ainda não canonize ninguém em vida, caso contrário, já haveria gente colhendo assinaturas para pedir sua beatificação. Para começar, já estão pedindo para ele o Prêmio Nobel da Paz.
Não é difícil imaginar o Lula que um dia tornou pública a sua capacidade de metamorfose acompanhar o jogo de seus assessores que o vestem com os hábitos da santidade, enquanto deve se divertir pensando que sim, que não se incomoda com os terços, a leitura da Bíblia e as missas pela televisão, mas seu sonho é voltar a desfrutar da liberdade perdida e das coisas boas e profanas que a prisão tomou dele, na sua opinião, de forma injusta. Não acham que tantos preferem o Lula de sempre, furioso como um leão enjaulado, maldizendo os juízes, proclamando sua inocência, sonhando em sair correndo para a rua e tomar um bom trago durante um churrasco, em vez de vê-lo de joelhos, pacificado, rezando salmos ou sonhando que o Papa Francisco lhe apareça sorrindo? Se arrancarem de Lula sua poderosa humanidade, com suas virtudes e pecados, vão transformá-lo em uma triste caricatura. Para quê?

Samuel Pessôa: Piora a conversa


Ajuste fiscal que não quer aumentar receita e não quer cortar despesa é enganar o eleitor

Na quinta da semana passada (14), o jornal Valor Econômico publicou entrevista de André Lara Resende e Eduardo Giannetti da Fonseca, assessores econômicos da candidatura de Marina Silva à Presidência.

O tom da entrevista foi ruim. Não há por parte deles noção da gravidade do problema fiscal e falta sentido de urgência.

A emenda do teto já é um ajuste fiscal muito gradual. Com ela, teremos déficit primário de 2014 a 2020, pelo menos. O cenário mais otimista é que o resultado primário positivo volte entre 2021/2022, mas em um nível que não estabilizará a relação dívida/PIB.

Sem a emenda do teto dos gastos ou com um teto mais brando, parte do ajuste terá de vir de uma maior carga tributária.

Ser contra a emenda do teto e o aumento da carga tributária, e a favor de um ajuste fiscal supergradual, é algo difícil de entender. Se o teto já significa um ajuste gradual, o que seria mais gradual ainda? Esperar a dívida pública chegar a 100% do PIB?

Talvez maior gradualismo fosse possível com forte reestruturação da dívida da União por meio de um rápido processo de privatização. Mas um processo de privatização veloz, mesmo em um governo forte, leva em média dois anos.


Há diversas formas de fazer ajuste fiscal: ou aumento de receita e/ou corte de despesa. Ajuste fiscal que não aumenta a receita e não corta a despesa é enganar o eleitor.

A despesa primária do governo central neste ano será de R$ 1,375 trilhão. A despesa discricionária total é de R$ 125 bilhões, mas a despesa realmente discricionária, que exclui gastos de outros Poderes e gastos obrigatórios definidos pela LDO, é de R$ 80 bilhões.

Construir base partidária de apoio no Congresso para aprovar projetos em um Congresso com mais de 28 partidos políticos requer atender políticas das diversas legendas. Isso significa execução de políticas públicas a partir da demanda dos partidos da base. Algo normal em qualquer democracia. O Congresso não vota baseado nos belos olhos do presidente.

O maior incentivo à votação da reforma da Previdência não está ligado ao envelhecimento da população brasileira. O maior incentivo é que a despesa da Previdência está “expulsando” —isto é, tornando cada vez mais inviáveis— as demais despesas. Para um gasto programado neste ano de R$ 1,375 trilhão, todo o debate orçamentário está em um subgrupo de R$ 80 bilhões.

Falar que “não é fiscalista”, que é contra o teto e que não quer aumento de imposto não promove o bom debate político de que necessitamos. É necessário um posicionamento mais claro ou estaremos alimentando a ideia de que é possível fazer ajuste fiscal apenas com combate à corrupção.

Ainda o tema dos caminhões. Laura Carvalho, na sua coluna de 7 de junho nesta Folha, repercutiu post de Bráulio Borges no Blog do Ibre. Bráulio argumenta que os subsídios do BNDES elevaram a oferta de fretes. Todo o problema do setor é fruto da queda da demanda por fretes.

Se a tese de Bráulio está correta, há duas consequências.

A primeira é que a demanda por aquisição de caminhões é insensível a preços. Seria legal Bráulio documentar esse fato pouco usual.

A segunda, que a inutilidade do BNDES é ainda maior do que diversos estudos têm apontado. Subsídio não consegue nem elevar a demanda por caminhões!

Ou seja, a quantidade de dinheiro do contribuinte que foi jogada no lixo quando o governo petista decidiu direcionar R$ 400 bilhões ao banco é ainda maior do que eu imaginava.

Artigo, Marcelo Aiquel - por que o Brasil é o que é


Artigo, Marcelo Aiquel - por que o Brasil é o que é

         Basta analisar o comportamento do povo, orquestrado e ilustrado por quem “dá o tom” dos modos e espelha culturalmente o futuro da nação.
         Não restam dúvidas que uma enorme fatia da população acredita piamente que a Rede Globo é a porta voz da verdade e da correção.
         Querem três exemplos recentes disso?
         O primeiro remete ao “ensinamento de malandragem” que o consagrado Galvão Bueno transmitiu (e repetiu!) durante o jogo inaugural da Copa do Mundo 2018, dando “aulas” de como se deve levar vantagem ilegal (a Lei de Gerson), e não teve pudor em dizer que o jogador impedido deveria participar da jogada, pois, vai que o juiz não vê!
         E assim vale pra corrupção: vai que ninguém vê!
         Já o segundo (péssimo) exemplo veio do mesmo lugar do primeiro: Na prévia da estreia da seleção canarinho, a Globo mostrou – cheia de pompa – um dos maiores desrespeitos a um símbolo nacional: o Hino da pátria!
         Pois, quem assistia, foi surpreendido pelo Hino ser tocado ao som da banda baiana olodum. Querem desrespeito maior?
         O terceiro é uma aula de patriotismo, Circulou nas redes sociais um vídeo mostrando a comemoração – de crianças – ao gol do Uruguai na Copa.
         Enquanto isso, centenas de crianças brasileiras brincavam nas ruas (só não viu quem não quis) durante o jogo do Brasil, Totalmente alheias ao falso ufanismo (exclusivamente comercial) criado para promover a Copa do Mundo da Fifa.
         Assim fica até fácil “descobrir” porque o Brasil é o que é!

Projetos em regime de urgência

1) Adequação à Lei Federal do ISS: revisão de benefícios fiscais
Prevê que nenhum serviço na cidade tenha alíquota inferior a 2%. É uma adequação à legislação federal (Lei Complementar 157/2016), para evitar guerra fiscal entre municípios.
2) Criação do Cadastro de Inadimplentes Municipal
Projeto divulga na internet os nomes de todos os devedores da prefeitura - inclusive, dívidas não tributárias.
3) Criação do Comitê Gestor de Parcerias Público-Privadas 
Autoriza o Executivo a instituir o Fundo de Garantia de Parceria Público-Privada Municipal (FGPPPM).
4) Projeto que dispõe sobre o reconhecimento de dívidas consolidadas referentes às despesas de exercícios anteriores 
5) Criação e extinção de fundos públicos, novas regras para movimentação financeira dos atuais fundos e reversão dos saldos financeiros dos fundos ativos e extintos ao Tesouro Municipal
6) Atualização da planta genérica de valores do IPTU
O projeto abrange a reavaliação dos imóveis, redução de alíquotas e simplificação de isenções

domingo, 17 de junho de 2018

Entenda como será o julgamento de Gleisei Hoffmann, terça-feira, no STF


O Supremo Tribunal Federal (STF) se prepara para iniciar o segundo julgamento da Lava Jato na Corte a partir de terça-feira (19). Depois de condenar por envolvimento no esquema de corrupção o deputado Nelson Meurer (PP-PR), no fim de maio, agora a Segunda Turma do STF vai analisar o caso da senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR).

Isto é o que escreve a Gazeta do Povo, hoje, em reportagem especial.

Leia tudo:

Ela, o ex-ministro Paulo Bernardo (marido de Gleisi) e o empresário Ernesto Kugler são acusados de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Segundo o Ministério Público Federal (MPF), o caso envolveu pagamento de propina de R$ 1 milhão, que teria sido usado por Gleisi na sua campanha ao Senado em 2010.

Segundo a PGR, dinheiro veio de empresas com contratos pela Petrobras.

"No ano de 2010, os ora denunciados, agindo de modo livre, consciente e voluntário, promoveram, em unidade de desígnios e em conjugação de esforços , a solicitação e o recebimento de vantagem indevida, em razão de funções públicas subjacentes", diz a denúncia apresentada ao STF.

No documento, a Procuradoria-Geral da República (PGR) afirma que o dinheiro partiu de empresas que tinham contratos com a Petrobras, que o valor teria sido arrecadado pelo então diretor de Abastecimento da estatal Paulo Roberto Costa e repassado ao doleiro Alberto Youssef, a quem coube fazer o repasse a Ernesto Kugler .

Paulo Bernardo, na época ministro das Comunicações do governo Lula, teria pedido a propina a Paulo Roberto Costa. Segundo a PGR, o empresário Ernesto Kugler, por sua vez, recebeu os valores em Curitiba para custear a campanha de Gleisi.

Nas alegações finais, o MPF afirma: “[a propina] foi repassada com a finalidade de manutenção de Paulo Roberto Costa no cargo, seja com a não interferência nesta nomeação e tampouco no funcionamento do esquema criminoso, seja com fornecimento de apoio político para sua sustentação, tanto por Gleisi Helena Hoffmann – então forte candidata ao Senado e expoente do Partido dos Trabalhadores –, como por seu cônjuge, Paulo Bernardo Silva, então Ministro de Estado e quadro forte da mesma agremiação partidária, ambos potenciais ocupantes de funções de relevo no Governo Federal".

O Ministério Público sustenta que Gleisi, Paulo Bernardo e o empresário sabiam da atuação de Youssef no esquema. “Paulo Roberto Costa afirmou que Paulo Bernardo era um dos poucos ministros que sabiam que Alberto Youssef era seu operador, ou seja, que o dinheiro vinha de ilícitos da Petrobras”, diz o documento.

Dinheiro teria sido entregue de forma parcelada e não foi registrado nas contas de campanha
As investigações revelaram que o dinheiro foi entregue a Gleisi e ao marido por Ernesto, em espécie, de forma parcelada, em quatro vezes de R$ 250 mil, e não foi registrado na prestação de contas da candidata.

Para a PGR, a sistemática montada pelo grupo prova a existência de dolo (intenção), ainda que eventual, por parte da então candidata, que utilizou método considerado “mais caro e arriscado que qualquer transferência bancária ou doação eleitoral lícita”.

A denúncia partiu dos depoimentos de delatores, mas a PGR menciona registros de ligações telefônicas em sua sustentação. De acordo com a acusação, entre setembro e outubro de 2010, Kugler realizou 116 ligações para o diretório estadual do PT no Paraná. A procuradoria menciona ainda telefonemas ao tesoureiro da campanha da petista naquele ano, Ronaldo da Silva Baltazar, à própria candidata, e a empresas que doaram para a campanha de Gleisi.

Para a PGR, os registros de ligações corroboram os depoimentos dos delatores Paulo Roberto Costa, Alberto Youssef e do advogado Antônio Pieruccini, que teria sido o responsável pelo transporte dos valores da propina.

O que dizem os acusados
Todos os envolvidos negam as acusações. As defesas adotaram a postura de ataque à PGR e às delações. Os advogados, contudo, embora contem com uma vitória na Segunda Turma, esperam um resultado apertado, por 3 a 2. A expectativa da defesa é de que o voto do relator, ministro Edson Fachin, seja bastante duro.

Importador pode deixar mercado de diesel


Empresas dizem que negócio ficou inviável depois de acordo com caminhoneiros O acordo fechado pelo governo com os caminhoneiros para acabar com a greve no mês passado gerou uma distorção no mercado de óleo diesel.

Responsáveis pelo fornecimento de 27% do combustível comercializado no Brasil, os importadores ameaçam abandonar o mercado sob alegação de que o negócio deixou de ser lucrativo.
A conta deve cair no colo da Petrobrás, que ficará com o ônus de garantir o abastecimento à população. Sem muita margem para produzir mais em suas refinarias, caberá à petroleira recorrer ao produto de outros países, o que, segundo especialistas, pode ser um retrocesso a um período em que a estatal perdia dinheiro com a venda de combustíveis.
Para garantir o desconto para os consumidores, o governo instituiu um preço de referência a ser perseguido pela Petrobrás e importadores desde a última sexta-feira. Se essas empresas venderem a um valor menor do que esse preço de referência recebem um subsídio do Tesouro, no limite de R$ 0,30 por litro.
Segundo as importadoras, essa nova política, válida até o fim do ano, significa perda de margem de lucro de 3% a 5%, dependendo do porto aonde o combustível chega. Dizem também que, dessa forma, não vale a pena levar o negócio adiante por não conseguirem cobrir seus custos. Cálculo do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE) confirma projeção de perda. A Petrobrás não se posicionou.
"Os preços de referência (estabelecidos pela ANP) são menores que o da paridade internacional, o que inviabiliza a importação e gera risco de desabastecimento no País", diz o presidente da Associação Brasileira de Importadores de Combustíveis (Abicom), Sérgio Araújo. Ele também acredita que, para evitar o desabastecimento de diesel, a Petrobrás será convocada a preencher a lacuna deixada pelas comercializadoras e a ampliar sua importação, o que deve afetar o caixa da petroleira.
Estoque. Desde sexta-feira, as importadoras trabalham exclusivamente com o que têm em estoque e apenas por esse volume receberão o subsídio do governo.
A avaliação do consultor Adriano Pires, diretor do CBIE, é que essas empresas são mais afetadas pela nova política de preço porque seus custos são maiores e porque elas têm menos fôlego que a estatal para aguardar o prazo de 30 dias para receber o subsídio do governo.
Entre os especialistas consultados pelo Estadão/Broadcast, é consenso que a solução do abastecimento com uma possível saída de cena das importadoras passará pela estatal. "No fim, quem vai importar é a Petrobrás, o que vai contra a estratégia econômica da empresa. Se fizer isso, será por imposição do acionista principal, a União, e não por interesse próprio", avalia o professor da USP, Edmilson Moutinho.
Desde julho de 2017, a Petrobrás reajusta os preços dos combustíveisseguindo as variações do petróleo no mercado internacional e do câmbio. Assim, aos poucos, refez o caixa para compensar perdas do passado, quando os valores permaneceram congelados.
Para David Zylbersztajn, exdiretor geral da ANP, "tem muito choro" na fala da Abicom e o mais importante seria "abrir as contas" para saber se o negócio deixou realmente de ser atrativo. Ele diz ainda "que a Petrobrás tem condição de suprir o mercado interno" e evitar um desabastecimento.
Fonte da estatal que não quis se identificar afirmou que, para ampliar a importação de diesel, a companhia deve ser provocada pelas empresas distribuidoras, que repassam o produto para os postos revendedores. Até agora, no entanto, isso não aconteceu, diz a fonte.
Entre a compra do combustível e a entrega num porto brasileiro são necessários cerca de 40 dias. Isso significa que se a Petrobrás quiser compensar a fatia de mercado deixada pelas importadoras deve começar a se movimentar nos próximos dias.
27% Do óleo diesel comercializado no Brasil vem do mercado externo.