quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

Esquema Bendine

Antes de assumir a presidência da Petrobras, Bendine comandava o Banco do Brasil. Segundo as investigações da Lava Jato, já naquela época ele havia pedido R$ 17 milhões para uma dívida com a Odebrecht, mas não recebeu o valor.

Após assumir a presidência da Petrobras, em fevereiro de 2015, ele e seus operadores financeiros novamente solicitaram o repasse. Segundo a investigação, o pedido foi feito para que a empreiteira não fosse prejudicada na Petrobras, inclusive em relação às consequências da Operação Lava Jato.

O pagamento de R$ 3 milhões teria acontecido por meio do Setor de Operações Estruturadas, conhecido como o "departamento de propina" da empreiteira. Foram feitas três entregas em espécie, no valor de R$ 1 milhão cada, em São Paulo.


Ainda de acordo com o MPF, em 2017, um dos operadores financeiros de Bendine confirmou que recebeu a quantia de R$ 3 milhões da Odebrecht, mas tentou atribuir o pagamento a uma suposta consultoria que teria prestado à empreiteira para facilitar o financiamento junto ao Banco do Brasil. No entanto, a investigação revelou que a empresa usada pelo operador era de fachada.


Bendine, assim como os demais réus no processo, será julgado pela 13ª Vara Criminal da Justiça Federal de Curitiba, onde tramitam as ações da Lava Jato. O juiz Sérgio Moro decretou bloqueio de R$ 3 milhões, correspondentes ao repasse investigado, nas contas de Bendine.

Mônica Leal: mão firme contra a criminalidade

Guerras entre facções, violência diária nas ruas, com tiroteios, avenidas sitiadas, vidas ceifadas por balas perdidas e policiais abatidos como gado no Rio de Janeiro é o que temos visto incessantemente nos noticiários. Não havia outro caminho a ser implementado pelo governo federal que a intervenção na segurança pública daquele Estado. Apoio totalmente a resposta dada, confiante na seriedade, na competência e na credibilidade da instituição maior do Exército brasileiro e de seu efetivo à frente dessa operação extrema. Nas figuras do ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, general Sérgio Etchegoyen, e do comandante militar do Leste, general Walter Souza Braga Netto, a contribuição chega para colocar uma mão realmente firme sobre os que tomam o país de assalto e instituem o medo diário através do crime organizado. A população, acuada, em clamor, agradece. 
Quando o Estado perde o controle da segurança, se faz necessária a intervenção das Forças Armadas
Quando o Estado perde o controle da segurança pública, se faz necessária a intervenção das Forças Armadas para que a ordem se restabeleça. O decreto do presidente Temer chega depois de episódios pontuais de uso das Forças Armadas na segurança de alguns Estados, por solicitação dos governadores, que atestaram o despreparo e a omissão dos governos estaduais na administração da segurança pública. Essa área vital, que é um direito da população e um dever do Estado, só é lembrada em discursos de campanha, quando deveria ser prioridade dos nossos governantes. Já não era sem tempo a criação do Ministério da Segurança, finalmente anunciada. Porém, de nada vai adiantar haver uma pasta específica sem um projeto nacional. Dentro disso, cessar a logística poderosa dos bandidos que acessam armas e drogas com facilidade, controlando as nossas fronteiras.

A situação na Cidade Maravilhosa é gravíssima. Retrata um quadro ímpar e extremo que requer toda a atenção. O que se almeja é que este triste exemplo sirva para que nenhum outro município ou Estado chegue ao mesmo estágio. Como cidadã brasileira, sigo na expectativa e na esperança do estabelecimento de um Brasil de paz para a sociedade de bem.

Fakebook, Astor Wartchow

      O trocadilho é autoexplicativo. As redes sociais, Facebook especialmente, viraram um território selvagem e incontrolável. Não importa o assunto, o nível de discussão e postagem (e dos internautas), proliferam as mentiras, montagens, difamações, calúnias e injúrias.
      Não à toa muitas redes sociais ja adotam, ou pensam em adotar, filtros seletivos e impugnações de postagens. Importa não esquecer que muitos destes atos são crimes contra a honra alheia. Com certeza, não vai demorar, tais irresponsabilidades podem vir a se transformar num dilúvio de ações judiciais.
      No âmbito do jornalismo profissional as empresas de comunicação tem recorrido a agencias de verificação e criado equipes internas de auditagem das informações e notícias. Nas atuais circunstâncias negativas já não basta produzir notícias, senão que também é um dever desfazer boatos e esclarecer informações, notadamente aquelas oriundas da internet.
       Importa acrescentar que a postagem de evidentes mentiras ou fotomontagens atraem facilmente os incautos e desinformados, assim como os internautas de má-fé ou motivados por opções ideológicas.
      Mais: postagens e compartilhamentos de textos e fotos sensacionalistas e demagógicas geram “cliques” remuneratórios (via publicidade) a seus autores originais. Ou seja, a desinformação e a estupidez estão enriquecendo alguem.
      E aqui entre nós brasileiros, face o nível melancólico e despolitizante a que chegamos, tudo indica que durante o processo eleitoral vindouro haveremos de atingir o ápice da degração na internet.

       Serão tantas as notícias falsas, mentirosas, as difamações, calúnias e injúrias relativamente aos candidatos,  que não haverá advogados suficientes para atender a clientela e a demanda, assim como os próprios tribunais eleitorais irão se enredar num círculo vicioso sem solução objetiva e imediata. O que poderá significar no postergamento de decisões judiciais, resultados eleitorais e consequentes diplomações. Quem viver, verá!  

Saiba como votou cada senador

A FAVOR DO DECRETO (55)

Acir Gurgacz (PDT-RO)

Aécio Neves (PSDB-MG)

Airton Sandoval (PMDB-SP)

Ana Amélia (PP-RS)

Ângela Portela (PDT-RR)

Antonio Anastasia (PSDB-MG)

Armando Monteiro (PTB-PE)

Ataídes Oliveira (PSDB-TO)

Benedito de Lira (PP-AL)

Cássio Cunha Lima (PSDB-PB)

Cidinho Santos (PR-MT)

Ciro Nogueira (PP-PI)

Dalirio Beber (PSDB-SC)

Dário Berger (PMDB-SC)

Davi Alcolumbre (DEM-AP)

Eduardo Amorim (PSDB-SE)

Eduardo Braga (PMDB-AM)

Eduardo Lopes (PRB-RJ)

Elber Batalha (PSB-SE)

Elmano Férrer (PMDB-PI)

Fernando Bezerra Coelho (PMDB-PE)

Flexa Ribeiro (PSDB-PA)

Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN)

Hélio José (PROS-DF)

Ivo Cassol (PP-RO)

João Alberto Souza (PMDB-MA)

José Maranhão (PMDB-PB)

José Medeiros (Pode-MT)

José Serra (PSDB-SP)

Kátia Abreu (Sem partido-TO)

Lasier Martins (PSD-RS)

Lúcia Vânia (PSB-GO)

Magno Malta (PR-ES)

Marta Suplicy (PMDB-SP)

Omar Aziz (PSD-AM)

Otto Alencar (PSD-BA)

Pastor Bel (PRTB-MA)

Paulo Bauer (PSDB-SC)

Pedro Chaves (PSC-MS)

Raimundo Lira (PMDB-PB)

Reguffe (Sem partido-DF)

Renan Calheiros (PMDB-AL)

Roberto Muniz (PP-BA)

Romário (Pode-RJ)

Romero Jucá (PMDB-RR)

Ronaldo Caiado (DEM-GO)

Rose de Freitas (PMDB-ES)

Sérgio de Castro (PDT-ES)

Sérgio Petecão (PSD-AC)

Simone Tebet (PMDB-MS)


Tasso Jereissati (PSDB-CE)

Valdir Raupp (PMDB-RO)

Vicentinho Alves (PR-TO)

Waldemir Moka (PMDB-MS)

Wellington Fagundes (PR-MT)

CONTRA (13)

Fátima Bezerra (PT-RN)

Gleisi Hoffmann (PT-PR)

Humberto Costa (PT-PE)

João Capiberibe (PSB-AP)

Jorge Viana (PT-AC)

José Pimentel (PT-CE)

Lídice da Mata (PSB-BA)

Lindbergh Farias (PT-RJ)

Paulo Rocha (PT-PA)

Randolfe Rodrigues (Rede-AP)

Regina Sousa (PT-PI)

Telmário Mota (PTB-RR)

Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM) - NÃO

ABSTENÇÃO (1)

Roberto Requião (PMDB-PR)

NÃO VOTA (1)


Eunício Oliveira (PMDB-CE), presidente do Senado

terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

LIDE RS e Grupo GS& Gouvêa de Souza promovem Retail Trends para apresentar tendências e inovações ao futuro do varejo


O encontro acontecerá no Teatro Unisinos, no bairro Boa Vista, em Porto Alegre, no dia 21 de fevereiro, com apresentação das novidades e tendências para o segmento

Com o objetivo de debater e incentivar o desenvolvimento de tendências para o mercado varejista, O LIDE RS – Grupo de Líderes Empresariais promove, em parceria com o Grupo GS& Gouvêa de Souza, o Retail Trends – O Futuro do Varejo. O evento acontece no dia 21 de fevereiro, das 14h às 18h, no Teatro Unisinos, no Bairro Boa Vista, em Porto Alegre.
O grande objetivo do fórum é abordar as novidades do mercado varejista, com conteúdo personalizado e foco no mercado nacional, oportunizando que o público presente possa assimilar o conteúdo, interagir e trocar ideias com os profissionais que estiverem expondo suas ideias.
No dia, uma série de renomados palestrantes irá apresentar diversas frentes de conteúdo, conceitos e cases de empresas inovadoras, para que seja possível traçar um paralelo das tecnologias e das novidades que podem impactar na mudança dos perfis de consumo daqui para frente.
Para o presidente do LIDE RS, Eduardo Fernandez, o Retail Trends oportunizará novos horizontes e temas emergentes sobre o varejo. “Durante o dia falaremos sobre a volatilidade do varejo, sobre o uso de dados para conversão em negócios, sobre a experiência individual de compra e sobre formas de reinvenção para o mercado. Acredito que o evento será esclarecedor e repleto de conteúdo para os participantes”, destaca.
Estão confirmados no evento os palestrantes Marcos Gouvêa de Souza, fundador e diretor-geral do Grupo GS&, Fernando Lucena, diretor de expansão regional do Grupo GS&, Alexandre Van Beeck, sócio-diretor da GS&Consult, Caio Camargo, sócio-diretor da GS&UP, Fabio Sayeg, CEO da Zoly, Camila Salek, sócia-diretora da Vimer, Mauro do Valle, diretor da Portobello e Marcelo Leite, diretor executivo de marketing do Grupo RBS.

Sobre os palestrantes:
- Marcos Gouvêa de Souza, fundador e diretor-geral do Grupo GS&
Membro do conselho do Grupo Ebeltoft, aliança global de consultorias em varejo presente em 26 países. Fundador e membro do conselho do IDV (Instituto para o Desenvolvimento do Varejo) e também membro-fundador e do conselho do IFB (Instituto Foodservice Brasil). Presidente do LIDE Comércio e membro do FIRAE (Forum for International Retail Association Executives). Autor e co-autor de vários livros de gestão, consultoria global de negócios, varejo e distribuição, além de mais de 800 artigos em publicações nacionais e internacionais. Publisher da plataforma de conteúdo Mercado & Consumo, com foco em Varejo, Franquias, E-commerce e Shopping Centers.

- Fernando Lucena, diretor de expansão regional Grupo GS&
É autoridade renomada em gestão e vendas no varejo. Com especialização em Varejo pela Coppead - UFRJ e pós-graduação em Administração de Empresas pelo IBMEC, Fernando alia sua experiência no varejo ao conhecimento obtido em cursos de aperfeiçoamento realizados no The Friedman Group e na vivência com a consultoria para as mais destacadas redes de varejo nacionais. Fernando divide seu tempo entre as consultorias prestadas a importantes empresas do varejo e as atividades de palestrante dos seminários oferecidos pelo Grupo Friedman desde sua fundação em 1990. 

- Alexandre Van Beeck, sócio-diretor da GS&Consult
Formado em Comunicação e Publicidade pela PUC-RJ com MBA em Marketing pela FGV, possui 20 anos de atuação em Marketing e Varejo, com background em empresas de produtos de consumo, com grande experiência em planejamento estratégico e comunicação, pesquisa e análises de tendências de consumo, trade e shopper insights, promoção ao consumidor.
- Caio Camargo, sócio-diretor da GS&UP
É arquiteto pela Universidade São Marcos, com MBA em Marketing pela FGV e apaixonado por tudo que envolve o varejo. Blogueiro, palestrante, professor, executivo, anjo-investidor e empreendedor. É autor do livro Arroz, Feijão & Varejo e do blog Falando de Varejo.

- Fabio Sayeg, CEO da Zoly
Profissional com mais de 12 anos de experiência, é especialista em: Google Analytics, Online Advertising, Mobile Devices, Digital Strategy, Interaction Design,Web Analytics, Social Media Marketing e Marketing Digital.

- Camila Salek, sócia-diretora da Vimer
Licenciada em Publicidade pela Escola Superior de Propaganda e Marketing, pós-graduada em Moda pela Faculdade Santa Marcelina e com especialização em branding  pela Fundação Getúlio Vargas, Camila Salek é responsável pelo desenvolvimento de planos estratégicos para marcas de moda e lojas de departamentos no Brasil.

- Mauro do Valle, diretor da Portobello
O profissional é diretor da maior empresa de cerâmica bruta do Brasil, com atendimento interno e também em países dos cinco continentes.

- Marcelo Leite, diretor executivo de marketing do Grupo RBS
Profissional de general management, marketing e desenvolvimento de negócios, com larga experiência nas áreas de mídia, tecnologia e bens de consumo duráveis.

SERVIÇO
Evento:  “Retail Trends – O Futuro do Varejo”
Data: 21/2 (quarta-feira)
horário: das 14h às 18h
Onde: Teatro Unisinos
Endereço: Av. Dr. Nilo Peçanha, 1640, bairro Boa Vista

Dica de livro - O gaúcho Otávio e os 18 do Forte


A elite parisiense da Belle Époque definia pejorativamente como rastaqueouère o indivíduo sul-americano que gastava excentricamente na Europa a fortuna feita com o gado, como se arrastasse grosseiramente a riqueza do couro por onde andasse. No início dos anos 1900, Paris percebeu que Octavio Augusto da Cunha Corrêa não se enquadrava no tipo. Aquele gaúcho do Quaraí, ginete excepcional, refinado e inteligente, tinha uma forma toda própria de se conduzir nos ambientes que a riqueza lhe oferecia.
Como um centauro dos pampas a que se referia Alexandre Dumas, meio xucro e valente como os gaúchos que lutaram por nossas fronteiras e meio civilizado, refinado e culto, o seu temperamento evidenciava o dualismo político da sociedade do Rio Grande do Sul. A divisão da revolução Farroupilha, dos ximangos e maragatos,  do que se chama hoje de grenalismo. Octavio era de família monarquista. Os Cunha Corrêa mereciam distinções na Corte do Rio de Janeiro por terem permanecido com propriedades em Salto, na Banda Oriental, no fim da Cisplatina. Sua mãe tinha o nome da Imperatriz Leopoldina e o status de dama de honra da Princesa Isabel, apoiando a causa da Abolição da Escravatura.
O golpe militar que derrubou a monarquia, transformou o prestígio em motivo de perseguição por parte dos republicanos. O patriarca Carlos Alberto Corrêa, por vários anos o maior contribuinte do fisco como pioneiro no desenvolvimento genético de raças bovinas para exportação, teve que se refugiar no Uruguai para escapar da intolerância do positivismo. O ódio castilhista conduzido por Borges de Medeiros, acabou por atingir a Octavio, depois que, sozinho, armado apenas com uma faca, correu com uma patrulha da Brigada Militar cujo comandante molestava os peões da sua estância na fronteira.
Tal fato obrigou Octavio a partir para o exílio, para gastar o seu dinheiro na Cidade Luz, na cultura da paz e do divertimento. Jovial e vivaz, suas noitadas no Quartier Latin o fizeram famoso e querido. Lá, em 1912, ensinou a dançar o tango legítimo a Rodolfo Valentino que, depois, vestido a rigor retratou o amigo no filme “Os Quatro Cavaleiros do Apocalipse”, como o gaúcho meio parisiense que ele era.
Octavio viu Paris entristecer com a Primeira Guerra Mundial. Estava lá para receber a geração perdida dos americanos que chegavam, mas preferia conviver com os artistas espanhóis. Enamorou-se de uma princesa russa perseguida pela revolução soviética e acabou envolvido em um duelo contra três irmãos dela. Feriu, foi ferido gravemente e teve que deixar a França.
O destino o levou para o Rio de Janeiro, para entrar na História. Em julho de 1922, Octavio Corrêa foi o único civil entre os 18 heróis que decidiram não atirar mais contra a cidade do Rio de Janeiro e deixaram a pé o invencível Forte de Copacabana, na revolta que enfrentou oito mil combatentes do corrupto governo de Epitácio Pessoa. Sereno e elegante de chapéu, terno, gravata e um fuzil Mauser nas mãos, Octavio seguiu à frente. Aos 36 anos de uma vida emocionante, morreu na calçada mais famosa do mudo como a síntese de um tempo que acabava. O tempo dos homens que colocavam a honra acima da própria vida que ofereciam no altar das suas convicções.

(Fonte: livro “Octavio, O Civil dos 18 do Forte de Copacabana”, um capítulo da História do Brasil que nunca foi contado).


Artigo, Tito Guarniere - FHC e o mico Huck

Fernando Henrique Cardoso foi um combatente destacado e corajoso contra o regime militar e autoritário. Teve papel relevante na Constituinte e na transição para a democracia. Foi o presidente que botou o Brasil nos trilhos, curando-o da chaga inflacionária, que causava danos devastadores ao país e na vida das populações mais pobres. Presidiu um ambicioso programa de privatizações de empresas estatais, porque teve a percepção correta de que o Estado brasileiro, já naquela época, há mais de 20 anos, não teria recursos para arcar com novos e pesados investimentos, nas áreas de energia, mineração e telefonia, de modo a mantê-las no estado da arte da revolução produtiva e tecnológica.

FHC, por igual, nos permitiu “descobrir” que as receitas do Estado devem ser capazes de suprir as despesas, e que dinheiro público não dá em árvore - essa lição tantas vezes ignorada pelos nossos governantes e políticos, até hoje. Vide a reforma da previdência.

Certo: não devemos esquecer que ele patrocinou uma emenda constitucional que permitiu a sua própria reeleição. Ali, ele foi mal. Mas o saldo é positivo, amplamente positivo. Entregou a Lula um país em situação de equilíbrio no plano volátil das finanças públicas, em países da América Latina. Portou-se de forma elevada e republicana na eleição de 2002: não moveu um só instrumento de poder, não destinou um centavo de verba, de modo a beneficiar o seu candidato José Serra, derrotado por Lula.

Fez uma travessia elegante ao longo dos anos do PT no poder. Jamais exagerou na crítica, nunca levantou a voz, e suportou estoicamente os desaforos que lhe atiraram à cara os petistas e seus aliados, durante 13 longos anos.

À exceção de Aécio Neves, na eleição de 2014, não mereceu de Serra e Alckmin, candidatos do PSDB em 2002, 2006 e 2010, uma defesa firme do seu legado e das suas realizações. Não ficou bem para eles, que ainda tiveram que pagar o vexame de três derrotas eleitorais para Lula e para Dilma.

Mas nada disso justificava os recentes movimentos de FHC, ciscando para lá e para cá, na eleição deste ano. Ele flertou abertamente com uma solução “nova”, onde pontificava o apresentador de tevê Luciano Huck. FHC foi presidente da República pelo PSDB, um dos fundadores e é ativo militante e filiado do partido, que tem um mérito indiscutível: não há governante tucano que se meta em aventuras populistas, que no governo gaste mais do que arrecada e que não tenha por norma o equilíbrio das contas públicas.

No Brasil, isto é o que se pode chamar de um bom currículo. Por que, então, ir atrás de um apresentador de televisão, que não tem partido, nunca disputou uma eleição, que nada sabe de Brasília, de tantos partidos e tantos interesses conflitantes? Novo? Novo era Collor, em 1989, Dilma em 2010. E deu no que deu.

A desistência de Huck salvou FHC do mico, da tietagem fora de hora. Agora, se não incorrer em novo falsete, o ex-presidente pode ajudar Alckmin, o candidato coroado do PSDB, a viabilizar a candidatura. Alckmin patina nas pesquisas, mas ainda é cedo. E é um nome de peso e respeitável para ocupar a presidência da República.

titoguarniere@terra.com.br