quarta-feira, 23 de outubro de 2019

Boletim de Conjuntura do RS


Mesmo em um contexto desfavorável, com redução nas exportações e fragilidade na retomada da atividade econômica brasileira, o Rio Grande do Sul manteve ao longo do primeiro semestre taxas de crescimento superiores às do país. A perspectiva, de acordo com o Boletim de Conjuntura divulgado nesta quarta-feira pelo Departamento de Economia e Estatística (DEE), vinculado à Secretaria de Planejamento, Orçamento e Gestão (Seplag), é de que os índices se mantenham acima dos registrados no Brasil também na segunda metade do ano.
O documento elaborado pelos técnicos do DEE analisa as questões mais importantes da conjuntura internacional, nacional e regional observadas até mês de setembro, com foco no Rio Grande do Sul.
A alta de 3,8% do Produto Interno Bruto (PIB) do Estado no primeiro semestre foi a maior dos últimos seis anos e acima da registrada no país (0,7%), sendo impulsionada pelo desempenho positivo da agropecuária (7,2%) e da indústria de transformação (5,5%).
A despeito da queda das exportações gaúchas (16,2% no acumulado do ano entre janeiro e setembro) e da dificuldade de recuperação da economia brasileira, o segmento metalmecânico se destaca com crescimento da produção de veículos, produtos de metal e máquinas e equipamentos.
“A retomada dos investimentos no Brasil impulsionou a produção de bens de capital, segmento em que o Rio Grande do Sul é especializado” afirma a chefe da Divisão de Indicadores Estruturais do DEE, Vanessa Sulzbach. Outros segmentos como derivados de petróleo, produtos do fumo e couro e calçados também contribuíram para o crescimento do ano.
Desemprego 
O mercado de trabalho, contudo, ainda não mostra sinais consistentes de recuperação. A taxa de desemprego no Estado permanece estável e, das novas posições registradas no segundo trimestre, aproximadamente 30% se referem a ocupações por conta própria sem CNPJ, caracterizadas pela informalidade e pelos rendimentos abaixo da média.
Dados mais recentes da indústria gaúcha, especialmente de julho e agosto, sinalizam que, para os próximos meses, a perspectiva é de leve desaceleração na atividade econômica. A redução sazonal da contribuição da safra de grãos no Estado para o PIB gaúcho também colabora para essa perspectiva.
“A baixa base de comparação do ano passado, quando houve a greve dos caminhoneiros e problemas de safra, deixará de existir e não contribuirá mais para que tenhamos taxas expressivas de crescimento nos próximos meses do ano como ocorreu no início de 2019”, diz Vanessa.
Mesmo com a desaceleração esperada do crescimento gaúcho, o boletim aponta que o Rio Grande do Sul deve encerrar o ano com avanço acima da média nacional, em função dos resultados já registrados no primeiro semestre e, em especial, porque a indústria extrativa não afeta o Estado como tem afetado o Brasil.
“A retomada de investimentos no país impulsionou a produção de bens de capital, segmento que o RS é especializado”, diz Vanessa - Foto: Carolina Greiwe / Ascom Seplag (foto anexo) Cenário desfavorável

No cenário externo, a redução de 28,8% nas vendas para a China e, especialmente, para a Argentina, terceiro no ranking das exportações gaúchas e que sofreu queda de 45,7% no comércio entre janeiro e julho na comparação com o mesmo período do ano anterior, chamam a atenção no Boletim.
O período foi marcado pela tensão comercial entre Estados Unidos e o país asiático, bem como pela possibilidade de uma saída sem acordo do Reino Unido da União Europeia e pela fragilidade dos mercados emergentes, com destaque negativo para o país vizinho, que sofre forte recessão.
No país, o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) registrado no segundo trimestre de 2019 interrompeu o ciclo de desaceleração apresentado nos dois trimestres anteriores. No entanto, a recuperação se mostra lenta, com retomadas modestas nos números da agropecuária e da indústria.
O Boletim ainda aponta que o processo de recuperação da economia nacional ocorre em meio "a uma alta capacidade ociosa", com o setor industrial operando com 74,9% da sua capacidade instalada, 4,8 pontos abaixo da média histórica dos últimos 20 anos.
A crise fiscal brasileira, com a recorrência de déficits primários e a elevação da dívida pública acima da capacidade de crescimento da economia, também impacta no baixo crescimento da economia. A discussão sobre a Reforma da Previdência é apontada como uma das medidas para atacar a questão no médio e longo prazos, mas de impacto restrito no curto prazo.
Edições trimestrais
A produção do Boletim de Conjuntura do RS dá início a uma análise que busca contextualizar a economia gaúcha no âmbito internacional, nacional, além de trazer informações atualizadas do Rio Grande do Sul.
O Boletim terá periodicidade trimestral. A próxima edição está prevista para dezembro, após a divulgação dos números do PIB.

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