segunda-feira, 6 de abril de 2020

Artigo, Ricardo Zimerman

Agora me explique, a mim, que sou médico, que fiz residência em infectologia, que já participei ativamente de outras epidemias, e em caráter exclusivamente técnico (não tenho partido), para que lado sua balança vai? Porque você deverá ser cobrado. Dizia Pasteur: “O parasita não é nada. O hospedeiro é tudo”. A boa notícia é que não estamos em 1918. Estamos em 2020. O vírus foi sequenciado quase que simultaneamente à sua descoberta, existem testes para diagnosticá-lo e existem medidas de controle de infecção. Nada disso considerado no modelo dos defensores do lockdown total. Se estes fossem oncologistas, teriam descoberto a cura do câncer: em doses suficientemente altas de quimioterapia, todo tumor sucumbe. A chave, porém, é manter as pessoas vivas.

Na hora de se tomar decisões importantes, imagine-se diante de uma balança. Nela, você vai colocar os prós e os contras de suas decisões. Mas você será o responsável pela sua posição assumida. Afinal de contas, esse é o mundo adulto. Você poderá colher os louros ou aguentar as consequências. Depende de sua sabedoria no momento de decidir.

Você vai defender um modelo de lockdown completo, algo inédito, baseado em um modelo matemático único, com erros básicos de premissas, que certamente vai ter um impacto enorme sobre a economia, gerando fome e potencialmente destruindo o sistema público de saúde ? Talvez. Depende do que estiver em jogo do outro lado da balança. Trata-se de alguma epidemia por algum vírus zumbi? Uma mistura de mortalidade da raiva com a infecciosidade do sarampo? Não.

Você vai colocar um vírus que, embora novo, vem de uma família relativamente bem conhecida, que tem uma letalidade real próxima de 0,5 %, e que pode cair ainda mais, com o redirecionamento de fármacos promissores, como a cloroquina e a hidroxicloroquina.

Calibre bem a sua balança.

Calibre-a com ciência e com consciência, porque a precisão de cada grama conta.

2 comentários:

  1. Excelente texto. Sou contrária com veemência à quarentena forçada. Sou grupo de risco e tenho de ficar em casa, mas trabalhadores, principalmente mais pobres devem ter o direito de voltar a trabalhar. Guardando todas as precauções. Mandetta está extrapolando a paciência, que seja trocado pelo dr. Osmar Terra que afirma a verdade, mostra exemplos e não coloca a população em pânico.

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  2. Todos com máscaras. Será que seria difícil conseguir isto?

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