sexta-feira, 4 de maio de 2018

Artigo, Mateus Bandeira, Correio do Povo - Posição e verdade


Enquanto as eleições se aproximam, algumas das práticas mais demagogas vêm à tona. É o caso do discurso que se molda às circunstâncias – e que demonstra que figuras aparentemente jovens também adotam hábitos da velha política. Em uma mescla de conveniência e oportunismo, partidos que até ontem integravam a base do governo agora adotam posição contrária a temas relevantes para o futuro do Rio Grande do Sul, como o plebiscito sobre a privatização de três empresas estatais.

Há quase duas décadas, esse é o mecanismo necessário para se vender uma companhia do estado. Trata-se de um absurdo, é claro. Estatais não foram criadas por plebiscito, mas por projetos de lei aprovados na Assembleia Legislativa. E assim deveriam ser extintas. Mas se a Constituição estadual prevê esse procedimento, que assim seja – e que a população não fique privada de decidir sobre o destino de empresas deficitárias que, hoje, sugam recursos que poderiam ser alocados em segurança, saúde e educação.

Esse foi um tema exaustivamente discutido na imprensa, nas redes sociais e no Parlamento ao longo dos últimos anos. A dificuldade de encaminhar a matéria ao Legislativo deve-se a um equívoco do próprio governador José Ivo Sartori, que deveria ter falado abertamente sobre o assunto durante a campanha. Isso, porém, não tira o mérito da iniciativa.

É preciso ter postura definida: eu, pessoalmente, defendo as privatizações e um estado mais enxuto e eficiente. Ao tentar impedir que esse tema também seja votado em outubro, imagino que alguns políticos tradicionais tenham resistência – ou medo – de se manifestar a respeito.

Em um período de tanta descrença na política, o mínimo que se espera de um postulante ao cargo de governador é nada menos que a verdade. Ter posições claras para que a população, à frente das urnas, saiba em qual projeto está votando.

As eleições que se avizinham serão uma oportunidade de as pessoas se manifestarem através do voto. O que estará em jogo não é apenas o nome que assumirá o Piratini a partir de 2019, mas suas ideias, seus planos e seus posicionamentos. Espera-se que sejam retos e conhecidos, e que não mudem ao sabor dos ventos e das circunstâncias. Quem pretende governar o Rio Grande deve, no mínimo, ter coragem de assumir posições claras e objetivas. Depois, soberano, o eleitor decide.

Ex-CEO da FALCONI, ex-presidente do Banrisul e ex-secretário de Planejamento do Rio Grande do Sul

Um comentário:

  1. "[...] partidos que até ontem integravam a base do governo agora adotam posição contrária [...]": E qual é a novidade? Tão velho quanto a própria política...

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