segunda-feira, 24 de abril de 2017

Demora ou rejeição de ajustes na Previdência antecipam dificuldades

Demora ou rejeição de ajustes na Previdência antecipam dificuldades

Há cerca de duas semanas, o Valor PRO, serviço de informações em tempo real do Valor, perguntou a 40 economistas de bancos e consultorias se um atraso, ou não aprovação, da reforma da Previdência afetaria os preços de ativos, se poderia atrapalhar o ciclo de alívio monetário e as expectativas para a economia. A maioria dos profissionais chegou a uma mesma conclusão: o risco Brasil sofreria deterioração pressionando a taxa de câmbio e a inflação que poderia, sim, forçar uma parada no processo de corte de taxa de juro.
“ Se a reforma da Previdência não passar, a leitura é que o limite de gastos não se sustenta e que o ajuste terá que ser feito via aumento de imposto, começando este ano”, afirma Sérgio Vale, economista-chefe da MBA Associados. Ele  entende que, muito provavelmente, isso jogaria o risco Brasil e o câmbio para cima.
A inflação de preços livres subiria, puxando o IPCA e inibindo a queda do juro.
“ A recessão estaria de volta este ano, agravada pelo ciclo eleitoral muito arriscado no ano que vem. A volta da crise abriria espaço para um candidato com discurso agressivo e extremista. Mesmo que não ganhe, deixará o mercado arisco como em 2002. A dúvida é se as empresas aguentam 5 anos de recessão, talvez 6, a depender de quem ganhe a eleição. Uma reforma frustrante aumenta o risco da economia, mais à frente, abortar a recuperação atual”, diz Vale.
“ Se o governo não conseguir aprovar a reforma da Previdência, a percepção de risco deverá elevar-se substancialmente, causando forte desvalorização do real que pressionaria a inflação, reduzindo o escopo para um ciclo mais prolongado de queda da Selic” avalia Luciano Rostagno, estrategista-chefe do Banco Mizuho do Brasil.
Luiz Fernando Castelli, economista da GO Associados, tem visão semelhante. No resultado extremo de rejeição total do projeto do governo- possibilidade que Castelli descarta, uma vez que o governo cedeu em vários pontos da proposta inicial- o ciclo de alívio monetário poderia ser abortado e, no limite, o juro inclusive poderia ser elevado.
André Muller, economista-chefe da AZ Quest, diz que a flexibilização monetária só é possível porque há perspectiva de sustentabilidade fiscal. Para isso a reforma é essencial. Muller entende que o resultado é menos relevante para o cenário de juros em 2017 do que para os anos subsequentes. “ A aprovação de uma reforma suficiente para diminuir o risco fiscal é condição necessária para manter juros em um dígito no médio prazo”.

Para Nicola Tingas, economista-chefe da Acrefi, o mercado já tem margem nos ativos que embute uma reforma “não ideal”. “ A questão é o quanto a reforma poderá perder de consistência. Com perda significativa, o mercado estará embutindo um prêmio de risco maior e juro mais alto do que o esperado no melhor cenário que é o de cortes mais amplos.”

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