quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Artigo, João Satt Filho, Zero Hora - Segundo turno quem define é o centro

João Satt Filho: 2° turno quem define é o centro
Estrategista
04/10/2016 - 05h20min | Atualizada em 05/10/2016 - 08h50min
CompartilharE-mailGoogle+TwitterFacebook
Depois de mais de 25 anos observando e trabalhando na condição de estrategista de marketing, aprendi que a primeira pesquisa do segundo turno muitas vezes é absolutamente desconcertante. Os votos migram em uma velocidade impressionante.
Quem define o segundo turno são os votos do centro. Explicando: o universo político brasileiro, de uma forma em geral, é distribuído em três pacotes: 30/40/30, ou seja, 30% da esquerda, 30% da direita e 40% do centro. A questão é que esse voto do centro não é monolítico, tem a centro-direita e a centro-esquerda.
No segundo turno, a estratégia, o posicionamento e a abordagem do discurso dos candidatos têm que ser revisitados. Para vencer, é preciso entender que vai pesar tanto o voto útil, quanto o voto gerado pela identificação com o propósito do candidato. O desafio é criar uma conexão emocional com as pessoas.
De nada adianta encher os ouvidos das pessoas com detalhes de programas de governo e inundar de críticas o adversário. Conquistar a confiança é o maior desafio; o atalho é a coragem de falar e enfrentar a verdade.
No final do dia, os eleitores querem saber: esse cara vai me ajudar ou não?
O segundo turno não é uma etapa de convencimento, e sim de identificação.
Dentro desse contexto, Porto Alegre apresenta uma situação peculiar neste segundo turno: em tese, temos dois candidatos de centro-direita. A pergunta que fica é: para quem vão os votos da esquerda? Não acredito no radicalismo sob forma de abstenção ostensiva. A vida continua e, na última linha, a grande questão é: qual dos dois vai me permitir dormir em paz, enquanto minha família está sob a mira de um revólver nas ruas?

Já vi e participei de situações em que quem estava na frente no primeiro turno acabou ganhando. Da mesma forma, também assisti o contrário: quem ficou em segundo lugar, na virada para o segundo turno já saiu na frente com mais de 10% em relação ao oponente. Política e futebol acabam ficando muito parecidos, nem sempre a estratégia que trouxe o time até as finais é aquela que vai fazer o time campeão.

Nenhum comentário:

Postar um comentário