quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Quando o comando apoia a greve

Quando o comando apoia a greve
A chefia de uma organização militar tem outras prioridades. Uma delas é garantir segurança à população. E o Espírito Santo tem hoje de tudo, menos policiamento nas ruas
Por: Humberto Trezzi

Acabo de ver um vídeo. Nele, um policial militar fardado saúda como "legítimo e necessário" o movimento que deixou de joelhos a segurança pública no Espírito Santo. Ele ressalta que os PMs estão há três anos sem aumento, que cabos e soldados passam necessidades e chama de "guerreiras" dignas de aplauso as mulheres dos policiais, que bloqueiam os quartéis e impedem o patrulhamento das ruas.Seria natural ouvir isso de um grevista. Só que o homem que justificou a greve é o tenente-coronel Alexandre Quintino, comandante da PM no sul do Espírito Santo, sediado em Cachoeiro do Itapemirim, uma das mais importantes cidades capixabas. Aquela que ficou famosa como berço do cantor Roberto Carlos.

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Quando um integrante do alto escalão da Polícia Militar justifica a greve e aplaude os que trancam quartéis é possível ter uma ideia da dimensão que o movimento paredista alcançou. Ao invés de ordenar a prisão dos subordinados que se recusam a trabalhar, ele apoia a paralisação. Pelo menos, no discurso...
O repórter que aqui escreve até pode entender as razões da paralisação dos PMs. Lá, como aqui, soam justas. Mas o comando de uma organização militar tem outras prioridades. Uma delas é garantir segurança à população. E o Espírito Santo tem hoje de tudo, menos policiamento nas ruas. O crime campeia solto desde o início da greve.
A grande diferença em relação ao Espírito Santo é que, mesmo em situação até mais grave que a dos capixabas, a Brigada Militar não cruzou os braços durante protestos salariais (e isso que havia atraso de salário). 
Familiares dos policiais até bloquearam portas de quartéis, mas os comandantes retiraram os PMs por saídas laterais e impediram que a greve se alastrasse. Os batalhões de Operações Especiais e as patrulhas especiais dos demais batalhões não aderiram à paralisação. Com isso, a segurança ficou garantida.
Não é a toa que o comando da PM capixaba acaba de ser trocado. Diálogo com os policiais é necessário. Tolerar balbúrdia e saques, assistindo os bandidos assaltarem nas ruas, já é demais.


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