sexta-feira, 20 de abril de 2018

Temer dirá na TV que é hora de conciliação nacional


Fonte: jornal Valor.
  
No pronunciamento em rede nacional de rádio e televisão, que vai ao ar hoje à noite, o presidente Michel Temer dirá à população que é chegada a hora de promover a conciliação nacional. Em tom otimista, Temer voltará a citar os resultados positivos de sua gestão, como a recuperação da economia e a retomada dos empregos, num esforço para promover a reunificação do país, em tempos de radicalização da política a poucos meses das eleições presidenciais.

Um auxiliar nega que a manifestação presidencial venha a propósito do fantasma de uma possível terceira denúncia da Procuradoria-Geral da República contra Temer. "Não tem isso, será uma fala positiva, para levantar o astral". A avaliação no entorno de Temer é de que essa ameaça não prospera, porque o alvo principal do inquérito, a empresa Rodrimar, que atua no Porto de Santos, não teria sido favorecida pelo decreto assinado por Temer.

Temer reforçará o discurso que tem feito nas últimas semanas, em declarações que saem de forma fragmentada entre os vários eventos de que participa. Em linhas gerais, ele defende o respeito ao estado democrático de direito e à Constituição Nacional, sobretudo no tocante à harmonia e à independência entre os três Poderes.

Nas últimas semanas, Temer mostrou-se indignado com a "desvalorização da classe política", com suposto abuso de poder de autoridades e eventuais excessos do Poder Judiciário.

Nos bastidores do Planalto, há apreensão com uma sucessão de episódios negativos para a política, no qual se insere até mesmo a prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O petista é considerado um adversário político pelo entorno de Temer, mas todos neste núcleo reconhecem o "trauma" político de se ver um ex-presidente da República condenado e preso - sobretudo em tempos de democracia, pós-promulgação da Constituição de 1988.

Outro motivo de apreensão foi a prisão temporária, na Páscoa, de dois amigos próximos de Temer para prestar depoimento em um inquérito em que o próprio presidente é um dos investigados. Foram presos o coronel João Baptista Lima Filho e o advogado e ex-assessor presidencial José Yunes.

Todos esses fatos ocorrem num cenário de acirramento do debate político, que culminou nas ameaças à integridade física de ministros do Supremo Tribunal Federal e em tiros contra ônibus da caravana de Lula na Região Sul.


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