segunda-feira, 23 de julho de 2018

Execuções são parte de um processo de naturalização da violência

O caminho passa pela gestão integrada dos investimentos em prevenção e controle da criminalidade
Por Aline Kerber, Socióloga e especialista em segurança cidadã
A maior chacina do Estado na última década ocorreu na noite de 19 de julho. A cena desse crime "fala" por si só. Um cenário como muitos das periferias brasileiras onde ocorrem homicídios, com pouca iluminação, sem calçamento, acúmulo de lixo e falta de infraestrutura. Nesse caso, em um território que concentra a maior parte dos homicídios da capital gaúcha. Essa execução se deu, ainda, configurando um processo de naturalização da violência letal, próximo do 20º BPM, conhecido, paradoxalmente, pela sua eficiência no trabalho integrado da prevenção e da repressão de crimes.
A priori, homens armados atingiram sete vítimas fatalmente, duas grávidas, com arma de uso restrito, o que pode indicar associação com o crime organizado. As execuções aconteceram, em tese, por disputas territoriais de tráfico de drogas entre duas facções criminosas, sendo que houve, na mesma noite, outros disparos em local próximo como resposta à chacina.
Esse fenômeno, infelizmente, não é novo. O RS já estava em 2016 na segunda posição de homicídios múltiplos, com 26 episódios e 90 vítimas, atrás somente do RJ. Cerca de 2,8% do total de casos envolvendo homicídios ceifam mais de uma pessoa em solo gaúcho — o triplo da proporção brasileira para esses crimes, embora venha apresentando reduções importantes nos últimos anos. Observe-se que, neste primeiro semestre de 2018, em relação ao mesmo período de 2017, houve redução de 23% de homicídios no Estado e de 14,7% na Capital, totalizando 363 vidas salvas!
Inobstante, o caminho passa pela gestão integrada dos investimentos em prevenção social e controle da criminalidade violenta. Salta aos olhos, a importância da especialização da investigação criminal de homicídios e, mais ainda, da presença do delegado de Polícia e de profissionais da BM e do IGP na cena do crime, como se viu com o envolvimento direto do delegado-chefe de Homicídios, Paulo Grillo. Esse fato é um símbolo importante do processo de priorização pública do enfrentamento dos homicídios, trazendo um alento no esclarecimento dessa barbárie.

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