segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Artigo, Marcelo Aiquel - "Envernizando" o cocô

       Eu li, não lembro bem onde, esta expressão um pouco grosseira, mas que define com perfeição a atual situação em que vivemos e, diante disso, tomo a liberdade de amplificar junto aos meus amigos.
      Porque, o governo federal não tem feito outra coisa senão “envernizar cocô” através de uma propaganda tão mentirosa e enganosa que deixaria o mestre Goebbels envergonhado. Logo ele, considerado desde os anos 40 como o gênio da propaganda política criativa.
      Tudo bem que o Brasil recebeu alguns bons discípulos do alemão, tais como Duda Mendonça e João Santana. Estes, demonstrando muita habilidade e competência, conseguiram vender como “saudáveis” produtos que sempre cheiraram mal, exalando o tradicional odor de carne putrefata.
      Mas o inacreditável é como tanta gente séria embarcou nesta canoa furada.
      Um belo exemplo clássico desta prática de “envernizar cocô” está ocorrendo com a Olimpíada no Rio de Janeiro. Uma cidade que enfrenta talvez a maior crise da saúde pública de seus 450 anos de existência, com dificuldades para fornecer até um mísero esparadrapo à sua população carente, está gastando – parte recebida via governo federal – uma das mais significativas verbas para “parecer” bonita e funcional aos visitantes.
      Enquanto o cocô, no caso a outrora cidade maravilhosa, vai estar lustroso e sem cheiro ruim aos olhos do mundo, os milhões de moradores viverão um mundo de fantasia. Mas com o velho e conhecido fedor na porta de suas casas.
      Entenda-se como “cocô” a segurança, a saúde e a educação. Isso só para falar na infraestruturabásica, apenas.
      Assim como na festa do réveillon e no carnaval, a prefeitura e o governo do Estado do Rio, com o apoio sempre incondicional de Brasília, injetarão fortunas para disfarçar o mau cheiro do cocô.
Agora, resolver os reais problemas da população, pra que? Pois ao redor dos palanques eleitorais nunca faltará remédio, comida, e segurança. Nem que seja à custa de muitas pedaladas...
      Abraçando a lição do tempo do Império Romano, o suficiente para embriagar a consciência do povo é dar-lhes “pão e circo”.O povo que, depois, seguirá sendo tratado como gado pelos governantes. Os mesmos que nunca se cansam de anunciar promessas vazias e enganosas.
      Outro triste exemplo recente foi protagonizado pela presidente Dilma: Depois de carregar uma delegação absurdamente numerosa para Paris (com tudo pago pelos impostos dos trouxas, é claro!), ela voa num jato privado para Porto Alegre, onde, rodeada de um aparato que causaria inveja ao Kremlin, foi visitar a filha que acabara de parir.
Logo ela que, ao conseguir concluir UMA só frase sem gaguejar ou cometer gafes históricas, tenta impor (com aquele olhar meigo) um lado de gestora séria e competente...
      Instalada (a filha) no melhor e mais elitizado hospital PRIVADO da cidade, o séquito da presidente entendeu de – por segurança da mesma – fechar uma ala inteira daquele nosocômio. Só para que a contente vovó pudesse conhecer seu mais novo netinho sem ser importunada. QUEBELEZA, exclamaria o conhecido narrador de futebol...
      Enquanto isso, o recém-eleito presidente da Argentina – um milionário neoliberal “coxinha” pertencente à “elite branca” – embarca num avião de carreira para atravessar o oceano e comparecer ao evento anual de Davos (na Suíça, para quem não sabe). Acompanhado de uma comitiva enxuta e discreta.
      Logo ele, tão acostumado a voos privados. Patrocinados com seu próprio dinheiro, é bom que se diga...
      O Brasil também deverá lá estar representado. Com certeza, numa caravana de centenas de viajantes que ficarão hospedados em maravilhosos hotéis estrelados, como convém ao estilo megalomaníaco do nosso governo democrático/bolivariano. E tudo por conta do governo federal.
      Plagiando a velha piada: E NA BUNADA NÃO VAI DINHA? VAI SIM! SUPOSITÓRIO FERREIRINHA!
      Enquanto isso, aqui só se fala nas olimpíadas. Principalmente na emissora “platinada”.
Isto tudo depois de uma Copa do Mundo onde o dinheiro farto da corrupção foi o grande campeão. Com aseternas mentirassendo sustentadas pelas mídias dependentes e compradas.
Que povinho acomodado. E burro. Segue acreditando em coelhinho da Páscoa...
      É assim que se enverniza um cocô!

      Marcelo Aiquel - advogado


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