sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Artigo, Darcísio Perondi - Impopularidade e Imposto-zumbi

       A presidente Dilma Rousseff, é campeã de impopularidade desde que o Brasil passou a adotar pesquisas de opinião pública. Ela começou 2016 sob o signo dos factoides, com encenações escoradas nos áulicos palacianos do marketing e da propaganda enganosa.
       Assombrada pelo fantasma do impeachment e acossada pela crise econômico-financeira que legou a si mesma, Dilma esconde momentaneamente sua congênita arrogância e autossuficiênciapara entrar no modo humildade,  no intuito de compartilhar com a sociedade e com o poder legislativo o ônus  do fracasso por ela mesma confeccionado, a responsabilidade pela lambança que o seu governo produziu, desorganizando as contas públicas, violentando a lei de responsabilidade fiscal com as criminosas "pedaladas", envenenando o ambiente de negócios mediante o intervencionismo retrógrado e promovendo uma farra do crédito público a serviço da sua reeleição e do projeto petista de perpetuação no poder.
       O Palácio do Planalto está fazendo de tudo para aliciar oParlamento, os partidos políticos, sobretudo o meu PMDB, para nos tornar cúmplices de sua nova investida contra o bolso do contribuinte, sob a forma da CPMF, um autêntico imposto-zumbi, que emerge da penumbra tributária para sangrar uma economia já combalida.
       Em paralelo à crise econômica, com seu cortejo macabro de milhões de desempregados em plena recessão - a maior que o Brasil enfrenta desde a grande depressão dos anos 30 do século passado, Dilmasofre o inevitável impacto da execração pública e das complicações penais que, pouco a pouco, fecham o cerco em torno do seu criador, do seu mentor, o ex-presidente Lula.
       É nessas precárias e frágeis condições que o governo e o PT se debatem no pântano que eles mesmos criaram para capturar o Parlamento no seu abraço de afogado. Isso, ameses de uma eleição municipal, um pleito que, tradicionalmente, prepara o cenário para as eleições gerais, dois anos depois.
       Ora, se não pela natural indignação que todos esses fiascos, todas essas delinquências suscitam, ou deveriam suscitar entre as pessoas de bem, o espírito de sobrevivência eleitoral aconselha o conjunto da classe política a tomar distância desse governo tóxico e a repudiar suas manobras de aliciamento.
       A experiência histórica do presidencialismo de coalizão, do presidencialismo à brasileira, ensina que a governabilidade de qualquer gestão se apoia em três pilares, que são: a prosperidade econômica, o bom relacionamento do executivo com o legislativo ea honorabilidade pessoal do chefe de estado.Hoje, todos os principais analistas políticos concordam que Dilma equilibra-se, precariamente, apenas no terceiro desses pilares.
       E aquela mesma experiência também revela que, em tais situações críticas, basta surgir um mínimo deslize, por exemplo, um mero "Fiat Elba", para pôr abaixo toda a estrutura governamental, levando de arrasto todo o esquema de sustentação do oficialismo.
       Os parlamentares de todas as legendas estão retomando o trabalho legislativo trazendo bem vívidas na memória os depoimentos colhidos nas conversas com eleitores e aliados de base. Conversas marcadas pelo desalento com a recessão e o desemprego e, obviamente, também pela perplexa indignação advinda das tenebrosas transações que a Operação Lava-jato e outras investigações paralelas não param de trazer à tona.
       O impeachment, acredito eu, transitará rapidamente do plano das possibilidades para o das probabilidades. Base jurídica objetiva para isso não falta, como demonstra o bem fundamentado pedido de impeachment dos juristas Hélio Bicudo, Miguel Reale Júnior e Janaína Paschoal, que desnuda para quem tenha olhos para ver e honestidade para entender os delitos contra a Lei de Responsabilidade Fiscal cometidos pelo governo Dilma.
       As condições subjetivas da indignação popular e do inevitável reflexo das mesmas na representação parlamentar não tardarão a se consolidar. Afinal, como pontifica um insuspeito aliado e conselheiro do governo, o professor e ex-ministro Delfim Netto, o presidencialismo, para funcionar, pressupõeum presidente atuando na plenitude da sua capacidade.
       Na prática, em razão dos erros e das omissões de Dilma Rousseff, a Presidência da República já se encontra vaga há bastante tempo.

DarcísioPerondi é deputado federal pelo PMDB do RS


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