quinta-feira, 28 de abril de 2016

O Brasil não pode ser gerido pelo segundo, terceiro, quarto, quinto escalão", diz CEO do Iguatemi

Carlos Jereissati Filho, terceira geração de uma família de empreendedores, esteve na Capital para inauguração da expansão do Iguatemi Porto Alegre

Por: Marta Sfredo, Zero Hora.

A agenda de quarta-feira de Carlos Jereissati Filho ilustra como anda a rotina do empresário, terceira geração de uma família de empreendedores que, entre outras personalidades, tem o tio Tasso Jereissati, cotado para o eventualministério de Michel Temer. 

Ele veio dos Estados Unidos para São Paulo, onde pela manhã pegou um jatinho para chegar a Porto Alegre e comparecer à inauguração da expansão do Iguatemi Porto Alegre. Ficou cerca de uma hora e retornou a São Paulo, onde tinha um almoço marcado com um investidor estrangeiro:
— Graças a Deus, o Brasil tem muita gente de fora investida aqui.
Todos se perguntam se esse é um bom momento para expandir um shopping, qual é a expectativa?
É sempre a melhor possível. O Iguatemi é um shopping consolidado, que já tem uma clientela enorme, que vem de todo o Estado. É aguardado, sempre traz muita novidade, isso gera atratividade nova, clientela nova. Gente que deixou de vir, porque faltava alguma coisa, passa a vir porque sente que o que faltava está completo. Essa ampliação reforça esse polo de consumo e lazer que o Iguatemi se tornou.
Como está a avaliação dos empreendedores sobre a crise?
O que existe no Brasil hoje é uma crise de confiança, que é pior do que a crise econômica, que leva os agentes a não investir por não ver perspectiva de futuro. Na medida em que se decida, para um lado ou para outro, o que vai acontecer com a política, a tendência é melhorar.
Que tipo de medidas os empresários esperam na economia?
Vai depender de o Brasil fazer o que o mundo inteiro faz, que é ser responsável fiscalmente, fazer as reformas necessárias para que a economia se torne mais produtiva, que gere mais emprego, que o dinheiro permaneça mais na mão das pessoas, que as pessoas decidam mais sobre suas vidas e que a economia volte a girar baseado nisso.
Um tio no ministério ajuda?
Meu tio? (risos) O Brasil tem muitas pessoas competentes, que adorariam poder contribuir. O Brasil não pode ser gerido pelo segundo, terceiro, quarto, quinto escalão. O país tem um primeiro escalão de pessoas que podem e devem contribuir com o país e podem fazer essa transformação. É curioso que o brasileiro comum ache que, para ser presidente de empresa privada, você tem de ter um bom currículo. E para ser presidente de uma nação ou para estar em cargo de primeiro escalão do governo federal você não tem de ter um belíssimo currículo. Não é verdade. É necessário que a pessoa tenha preparo. A complexidade, a dificuldade de gerenciar um país como o nosso não é brincadeira. É preciso que cada um de nós reflita e comece a perceber que para termos um país que funcione, precisamos de pessoas com muita competência na esfera pública.
Mas pela família, o tio está liberado?
Meu tio tem enormes serviços prestados ao Brasil, ao Nordeste brasileiro. Ele foi o primeiro a falar em gestão, mudou a cara do Nordeste. A mudança, a melhoria do Nordeste está intimamente relacionada com a entrada do tio Tasso em 1986 e as mudanças de gestão que o Ceará passou a ter.
A ampliação foi uma obra marcada por dificuldades, especialmente o atraso provocado pelo embargo. Qual foi o impacto?
O gaúcho recebe o shopping seis meses depois, custou milhões de reais a mais para todos. Ninguém ganha. Todos nós, hoje em dia, temos de trabalhar para mais eficiência em várias áreas, a privada, a pública. Já existe uma relação madura entre o setor público e o privado. É preciso encontrar caminhos que não sejam paradas de obras por longo tempo, questões como essa que só empobrecem e atrapalham o empreendedorismo no Brasil, que é a única maneira de sair desta crise. São as pessoas que investem, confiam, acreditam, geram empregos e não desistem.
Isso deixou uma marca negativa sobre Porto Alegre ou é questão superada?
Porto Alegre é surpreendente, porque é, de todos os lugares que eu trabalho no Brasil, a mais dual. Tem coisas maravilhosas e coisas mais difíceis. Toda a cidade tem algumas peculiaridades e algumas dificuldades. Essa foi uma dificuldade daqui, que eu não vejo em outros lugares do Brasil, que está sendo superada pela conversa, e pela noção de que as grandes empresas trabalham pelo melhor, não querem prejudicar nem ferir ninguém.


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