quinta-feira, 21 de julho de 2016

Copom acena com queda de juros

Copom trouxe ponderações ao início da queda dos juros, mesmo reconhecendo que as condições para isso vêm ganhando força
Em um comunicado mais amplo e detalhado, abrindo a gestão da nova diretoria e presidência do BC e trazendo avanços na comunicação, o Copom optou pela manutenção da taxa Selic inalterada em 14,25% a.a., em decisão anunciada ontem. Dentro do esperado, os membros do comitê reconheceram os avanços incrementais no cenário, como o recuo das expectativas de inflação e a queda das projeções para a inflação em relação ao reportado no último Relatório de Inflação – segundo o cenário de mercado e referência, respectivamente, a projeção para o IPCA de 2017 encontra-se em torno de 5,3% e 4,5%. Mas várias condicionantes para o início do processo de flexibilização da política monetária foram enumeradas.  Dentre elas, destacam-se o fato de que as expectativas seguem acima da meta de 4,5% para 2017 e há riscos ainda presentes vindos: (i) do choque de preços de alimentos pode ser mais persistente, (ii) das incertezas relacionadas à aprovação e implementação dos ajustes fiscais necessários e (iii) da inflação em patamar elevado por muito tempo pode reforçar o processo inercial. Ainda assim, o Copom ponderou que “os ajustes na economia podem ser implementados de forma mais célere, permitindo ganhos de confiança e reduzindo as expectativas de inflação e o nível de ociosidade na economia pode produzir desinflação mais rápida do que a refletida nas projeções do Copom”. No cenário externo, o ambiente segue desafiador e há ainda muitas incertezas, mesmo que se reconheça que “o ambiente encontra-se relativamente mais benigno para as economias emergentes”.

Entendemos que, por ora, o BC deverá manter a cautela e monitorar esses condicionantes para o início do corte de juros. Em nosso cenário, entretanto, ao longo dos próximos meses, com os choques de alimentos se dissipando, a taxa de câmbio consolidando-se em patamar mais apreciado, as expectativas cedendo mais ainda e a política fiscal avançando de maneira mais tangível, o ciclo de queda da Selic poderá começar em outubro, com passos de 0,5 p.p., encerrando este ano em 13,25%. Por fim, ainda vale lembrar que a ata dessa decisão será divulgada na próxima terça-feira, quando teremos detalhes adicionais.

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