quarta-feira, 12 de outubro de 2016

Artigo, Astor Wartchow - Alegria e tristeza

      Artigo, Astor Wartchow - Alegria e tristeza

     Retorno de Rondônia, mais precisamente da acolhedora e planejada cidade de Rolim de Moura, de pujante comércio apesar de seus apenas 55 mil habitantes. 
      Rondônia é um estado de grandes áreas de mata e campo, com intensa produção de gado de corte e leiteiro. Também cresce na região a produção intensiva de peixes em açudes. 
      Conhecer e conviver no nordeste e norte brasileiro é sempre uma experiência gratificante, educadora e elucidadora. Mesclam-se de forma comovente a simplicidade, generosidade e alegria de nosso povo, especialista em bem receber conterrâneos e estrangeiros.
      Tanto no norte quanto no nordeste fica muito evidente a dependência social dos recursos estatais federais e estaduais. A pobreza é majoritária.
      Ainda que respeitadas e qualificadas opiniões defendam o centralismo político-tributário brasileiro, não conseguem me convencer sobre o quanto é pernicioso o atual modelo. E por quê?
      Porque gera dependência política, social, econômica e financeira. Mas, pior, muito pior, é a reprodução de um ambiente de “coitadismo e vitimismo”, que aniquila a autoestima popular eis que submetido o povo a mendicância dos respectivos recursos.
      De modo que demagogos, populistas e messiânicos mantêm e reproduzem o clássico coronelismo, porém travestido sob variada retórica. Fraudulenta, obviamente. Meus sentimentos de indignação e frustração transbordam a cada passo e paisagem.
        Diante de tanta área geográfica, tanta terra virgem, como explicar a manutenção de alguns movimentos reivindicatórios, senão por mero aparelhamento político-ideológico.
      Vales e bolsas “disso e daquilo” mantém o povo “anestesiado e amansado”, sem ânimo reivindicatório, independente e libertador.
      O centro-oeste e o norte brasileiro, especialmente, têm um potencial extraordinário de ocupação físico-geográfica e exploração econômica, capaz de “libertar” o povo local, e por extensão beneficiar a todos nós brasileiros.
      Meses antes eu estive em Manaus. Tanto naquela quanto nesta viagem, voltei com o sentimento de alegria e tristeza. Alegria pelo nosso povo e território e suas potencialidades, e tristeza por nossa evidente irresponsabilidade e incompetência na transformação definitiva da nação. 
          



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