quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

Atigo,Tito Guarniere - Escaladas (in)visíveis

TITO GUARNIERE
CONJUNTURA
Solução de emergência
Com as prisões ardendo em chamas e o sangue jorrando de cabeças decepadas, não fazia nenhum sentido que os 350 mil homens das Forças Armadas assistissem tudo à distância.
Altos comissários dos governos Lula e Dilma, da área de Segurança Pública, e outros críticos, alertam para o perigo de convocar Exército, Marinha e Aeronáutica para auxiliar na crise dos presídios e combater o crime organizado. O maior risco seria contaminar as forças armadas com a corrupção. Não posso crer que as forças armadas brasileiras sejam assim tão frágeis e indefesas.
A situação dos presídios não degringolou com a chacina de Manaus. Ela vem de longe e se agravou durante os governos de Lula e Dilma. É parte indissociável da herança maldita dos governos do PT. A bomba estourou no colo de Temer e ele fez o que tinha de fazer: em situação de emergência, solução de emergência.
De empulhações e de empulhadores
O jornalista Elio Gaspari tem indisfarçável predileção por ex-autoridades dos governos passados desde 2003, e delas ele fala fino. Quanto ao governo atual, ele não perde ocasião de passar pitos e dar lições de moral. Ele acusou o ministro da Justiça Alexandre de Moraes de fazer só marquetagem. Gaspari acha que o ministro Moraes, para resolver a crise penitenciária, deveria parar com a “propaganda e a empulhação”. “Parece pouco, mas ajuda”, segundo ele.
Gaspari também considera tapeação medidas aventadas para minorar o problema dos presídios, como o uso de tornozeleiras, satélites, radares, e mudanças pontuais na lei. Às vezes, o famoso jornalista derrapa na empulhação.
Dois e dois são cinco
No Brasil, menos de 8% dos alunos aprendem matemática como deveriam. Com tal nível de aprendizado, jamais seremos grandes. Como está, continuaremos no remanso fuleiro que nos aparvalha e rouba nossas energias.
E não há solução à vista. Tivéssemos ainda capacidade de reação, começaríamos pagando melhor os professores de matemática. Mas isso é tabu. No apego doentio à teoria de uma suposta igualdade, todos os professores (da rede pública) ganham a mesma coisa, lecionando matérias estratégicas para o desenvolvimento do país, ou disciplinas secundárias e não essenciais.
Pior: um mau professor de matemática deve ganhar o mesmo salário de um bom. A rejeição ao mérito, esforço e resultado prevalece nas corporações docentes, e está entre as razões determinantes da falência no nosso sistema de ensino.
A escalada autoritária de Boulos
Guilherme Boulos, que não é sem teto e nem trabalhador, mas é o líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto, MTST, denunciou sua recente prisão como parte de uma escalada autoritária em curso no país. Foi solto no mesmo dia.
A escalada autoritária de Boulos não impede que ele e o MTST confrontem ordem judicial de reintegração de posse, lancem rojões contra a polícia, queimem pneus e lixeiras, interrompam o trânsito, quebrem vitrines. E em meio à “escalada autoritária”, Boulos deita e rola e escreve o que bem entende na sua coluna semanal no maior jornal do país, a Folha de São Paulo.

titoguarniere@terra.com.br

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