sexta-feira, 17 de março de 2017

Gustavo Grisa: uma primavera gaúcha ainda é possível

Gustavo Grisa: uma primavera gaúcha ainda é possível
Economista

Primavera significa a volta de tempos mais prósperos, mais otimistas, mais pacíficos. No imaginário das pessoas, um renascimento, após longo e tenebroso inverno.

Os últimos anos têm sido particularmente duros com o Rio Grande do Sul, o já muito conhecido e falado cenário de estagnação econômica, relativo esvaziamento cultural e perda de centralidade e de autoestima já vem de décadas. Os gaúchos demoraram para "cair na real", mas, quando o fizeram, foi de uma forma feia, com um cansaço, como que sucumbindo à recorrência de lamentação pela má segurança, saúde pública, educação como problemas praticamente insolúveis. Mais recentemente, temos o Estado em colapso e a questão da insegurança pública como "case" nacional, uma imagem ruim que carrega certo autoflagelo.

Todas são questões aparentes, que não podem mais ser empurradas para baixo do tapete. Por bem não temos mais as bravatas, a negação, que tanto nos atrapalhou em tempos passados. Mas também é absurdo fazermos terra arrasada, desistirmos de buscar os caminhos, não fáceis e não óbvios é verdade, para recuperar o nosso Estado. Por baixo dessa camada de Rio Grande "em crise", segue vivo, como que submerso, um gigante econômico, cultural, muito resiliente e certamente ávido por voltar a ter autoestima, a ser inovador e fonte de boas notícias.


É ainda possível termos uma "Primavera Gaúcha". Ao percorrer o Estado, se vê que o problema é de pactuação, gestão e iniciativa, muito mais do que de condições para o desenvolvimento. Colocar à frente as coisas boas e as melhores pessoas que temos, dar condições para quem empreende, resolver questões prioritárias e parar de investir naquilo que sabemos trazer pouco resultado. Entender que não há recursos para tudo, é preciso fazer escolhas. Valorizar os gestores públicos e privados que fogem do lugar-comum, que não são medrosos. Fazer a mudança geracional. Deixarmos de ser tão chorões e reclamões. Pensar e agir por soluções. Fazer diferente, romper com a mesmice.

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