segunda-feira, 10 de abril de 2017

Com restrições menores, Brasil tira mercado da China na Argentina

Os produtos brasileiros voltaram a ganhar mercado na Argentina, depois de mais de uma década perdendo espaço para a China.

A participação do Brasil nas importações argentinas subiu de 21,8% em 2015 para 24,6% em 2016, enquanto a fatia chinesa caiu de 19,7% para 18,8%, diz a consultoria Abeceb (veja abaixo).

Os exportadores brasileiros, no entanto, ainda estão muito longe da posição que ocupavam 12 anos atrás. Em 2005, o país respondia por 37% das importações argentinas, enquanto a China detinha apenas 6,4%.

Dois fatores colaboraram para o avanço recente do Brasil no mercado vizinho: a forte recessão doméstica, que já dura 11 trimestres e incentiva as empresas a exportar mais, e a redução das barreiras à importação na Argentina.

Com um discurso mais liberal, o presidente Maurício Macri eliminou o controle de câmbio no país e vem, gradualmente, reduzindo as exigências burocráticas para a importação.

Os exportadores brasileiros ainda reclamam de retrocessos pontuais, mas caiu significativamente a adoção de barreiras em comparação com os governos Nestor e Cristina Kirchner.

"A medida que o comércio vai se normalizando, o Brasil recupera o mercado perdido para a China, que sofria menos com as barreiras", diz Dante Sica, presidente da Abeceb.

Entre os setores que mais avançaram no mercado argentino no ano passado estão segmentos que sofriam bastante com a concorrência chinesa, como calçados bens de capital.

A participação dos calçadistas brasileiros no mercado argentino, por exemplo, atingiu 32,3% em 2016, alta de 3,7 pontos porcentuais em relação a 20015. Os chineses, em contrapartida, ficaram com 27,8% das importações, queda de 4,4 pontos.

"Graças a maior previsibilidade, as empresas brasileiras estão se sentindo mais seguras para voltar a fazer negócios com a Argentina", diz Diego Bonomo, gerente-executivo de comércio exterior da CNI (Confederação Nacional da Indústria).

RECUPERAÇÃO

A melhora do ambiente de negócios no país vizinho vem ajudando na recuperação do comércio entre Brasil e Argentina, que atravessou um dos períodos mais fracos da história.

A corrente de comércio bilateral ficou em apenas US$ 22,7 bilhões no ano passado, período em que os dois sócios enfrentaram queda no PIB. O valor está bem abaixo do recorde de US$ 38,5 bilhões registrado em 2011.

Os exportadores brasileiros acabaram enviando mais mercadorias ao vizinho do que o contrário, porque a crise no Brasil foi mais grave na Argentina. O superavit do comércio bilateral em US$ 4,64 bilhões.

A expectativa é que as trocas fiquem mais equilibradas à medida que a economia brasileira também se recupere. "Desde dezembro, as importações de produtos argentinos vêm crescendo. O comercio bilateral está se fortalecendo", diz Abrão Neto, secretário de Comércio Exterior.

CARROS

As montadoras elevaram as exportações de veículos brasileiros para a Argentina, uma saída para a queda nas vendas no país. O setor respondeu por 70% do superavit brasileiro com o vizinho.

O forte volume de exportações levou o Brasil a estourar o limite de embarques para o sócio do Mercosul pela primeira vez em mais de 15 anos de acordo automotivo.

Pelas regras, o Brasil pode exportar US$ 1,5 para cada dólar importado da Argentina. De julho de 2015 a junho de 2016, último completo de vigência do acordo, a relação ficou em US$ 1,67. Não houve retaliações, porque os dois países já previam o estouro.

"Negociamos um acordo de longo prazo para evitar que as questões conjunturais afetem o fluxo de comércio", disse Antonio Megale, presidente da Anfavea.

Enquanto isso, Macri tenta convencer as montadoras a produzir mais na Argentina com incentivos tributários.


Segundo Abrão Neto, o Brasil acompanha o assunto com atenção para que os investimentos no país não sejam prejudicados.

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