domingo, 21 de maio de 2017

A VIDA COMO ELA É - Artigo de Adão Paiani*

A VIDA COMO ELA É
Adão Paiani*
Em respeito aos que me acompanham, não tenho como passar batido e deixar de comentar em relação ao episódio envolvendo o Deputado Onyx Lorenzoni, com quem mantenho uma longa relação de amizade, trabalho, propósitos, idéias e objetivos comuns.
Estamos vivendo uma oportunidade ímpar de limpar a merda que nós próprios fizemos neste país nos últimos 30 anos. Nós fizemos. Coletivamente. Não foi o vizinho argentino, o sujeito na África ou o cara sentado em Washington. Fomos nós. Reconhecer que pessoas, populações inteiras, países e nós mesmos temos uma capacidade inata de fazer grandes cagadas, em algum momento da vida (e às vezes mais de uma vez), é o primeiro passo para o amadurecimento.
A seqüência inacreditável de erros que temos cometido ao longo de nossa história como nação é muito explicada pela falta de maturidade pessoal e coletiva do povo brasileiro. Na ânsia juvenil de acertar, nos deixamos levar pela propaganda disposta a nos vender o salvador da pátria. E nós compramos.
De tempos em tempos aparece o cara puro ou a vestal, que nunca erra, que vai nos salvar e levar ao paraíso, e nós acreditamos que isso exista. E compramos Collor, Fernando Henrique, Lula, Dilma e outros menos cotados, com suas figuras de comercial de margarina. Não é a toa que o Brasil é o país dos marqueteiros. Eles nos vendem qualquer bosta, e nós compramos.
No fundo, o que queremos não é um líder; um cara com qualidades e defeitos, fragilidades e contradições, mas com boas idéias, capacidade de trabalhar e de oferecer o melhor de si em benefício do coletivo. Queremos o cara do comercial de margarina.
Somos tão imaturos que muitas vezes, já de cabelos brancos, buscamos o pai, um modelo daquilo que nós mesmos gostaríamos de ser e não conseguimos. E não conseguimos por um único motivo: somos humanos, não o Super-Homem ou a Mulher Maravilha. Sinceramente, esse é um problema menos político e mais psiquiátrico.
É inusitado um cara – ainda mais um político – vir a público e reconhecer que errou. E foi o que fez, corajosamente, Onyx Lorenzoni. Um cara com o qual convivo cotidianamente há quase uma década; que sei que não ficou rico fazendo política; muito pelo contrário. Muito mesmo. E do qual conheço bem as qualidades e defeitos.
Sim, defeitos, fragilidades, contradições. Onyx não é o cara da margarina. É gente. Não é o cara que veio nos salvar. É alguém que busca a salvação tanto como qualquer um de nós; com a diferença de que ele não quer se salvar sozinho. Ele quer levar com ele o maior número possível de pessoas, e de preferência sem deixar ninguém pelo caminho.
A verdade é incômoda, mas libertadora. A mentira reconforta, mas aprisiona. Onyx demonstrou decência, dignidade e hombridade em reconhecer que errou. Esse erro não o desmerece, ao contrário; apenas reafirma sua trajetória e demonstra, na prática, que ele continua sendo aquele cara em quem se pode confiar.
Mas quem quiser, pode continuar confiando no cara da margarina. Só não vale tentar me convencer a fazer o mesmo, principalmente aqui. Não perca seu tempo. Eu prefiro gente de verdade; que vacile, erre e faça merda de vez em quando; exatamente como eu.
Eu prefiro gente que acredite que estamos aqui para oferecer o nosso melhor em benefício deste país, do mundo e das pessoas que vivem nele.  
Eu prefiro as pessoas como elas são, e a vida como ela é.

*Advogado em Brasília/DF.

Um comentário:

  1. Eu prefiro que os políticos parem de querer "me ajudar" dessa forma que eu vejo há mais de 70 anos. Eu prefiro que eles vão ganhar a vida produzindo algo com seus próprios trabalhos e parem de viver às minhas custas arrancando quase 40% do meu trabalho. Eu prefiro que eles pensem antes de me roubarem para depois não terem que pedir desculpas ou ficarem aí negando o óbvio, na maior cara de pau.

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