segunda-feira, 15 de maio de 2017

Carlos E. B. Borenstein - a aposta no plebiscito

Carlos E. B. Borenstein - a aposta no plebiscito

* Cientista político
Diante das dificuldades encontradas na Assembleia Legislativa para obter os 33 votos necessários à aprovação da PEC 259, que acaba com a obrigatoriedade de plebiscito para as privatizações da Companhia Estadual de Energia Elétrica (CEEE), Companhia Riograndense de Mineração (CRM) e Sulgás, o governador José Ivo Sartori (PMDB) poderá partir para o plano B, convocar um plebiscito e realizar esse polêmico debate na opinião pública.
Essa opção representa uma oportunidade e um risco para Sartori. Como as corporações do funcionalismo público exercem uma forte pressão sobre os deputados na Assembleia e estamos em véspera de ano eleitoral, muitos parlamentares resistem em votar a favor de um tema polêmico.
Porém, se a privatização da CEEE, CRM e Sulgás for vitoriosa na opinião pública, é possível que o Legislativo dê o aval para Sartori vender as estatais, que servirão de garantias na renegociação da dívida com a União, pois o custo político de se opor ao resultado do plebiscito seria elevado. Por outro lado, uma eventual derrota na consulta popular, inviabilizaria de vez o avanço dessa agenda.
No passado, o tema das privatizações encontrou resistências em nosso Estado. Basta lembrar que Olívio Dutra (PT) venceu as eleições em 1998 cobrando fortemente de Antônio Britto (então no PMDB) a promessa não cumprida de não vender estatais.
Porém, a conjuntura mudou bastante. Dada a ineficiência na prestação de serviços públicos, é possível perceber um posicionamento mais favorável às privatizações. É por conta desse cenário que Sartori poderá apostar no plebiscito, pois se o governador vencer esse debate junto à opinião pública, criará uma nova agenda para a reta final de seu governo.

Com isso, mais do que melhorar a situação financeira do Estado, Sartori terá uma bandeira para reivindicar um novo mandato nas eleições de 2018. Mesmo que Sartori diga aos seus colaboradores que não deseja disputar a reeleição, a falta de opções no PMDB mantém o governador como candidato mais competitivo de seu partido.

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