segunda-feira, 12 de junho de 2017

AS PIMENTAS QUE ARDEM NOS OLHOS

AS PIMENTAS QUE ARDEM NOS OLHOS

                O que temos visto e acompanhado nos poderes da República não nos deixa esquecer a máxima: “pimenta nos olhos dos outros é refresco”.
                A fantástica e interminável hipocrisia mostra exatamente isso nas declarações das autoridades que não conseguem evitar os holofotes da mídia.
                Senão, vejamos:

1)            Quando se propôs o impeachment da então presidente Dilma, muitos políticos “ultra coerentes” berraram que se tratava de golpe;
2)            Mas, quando o assunto era dirigido para a “renúncia do presidente Temer”, exatamente os mesmos “ultra coerentes” achavam normal.
                Aí não era GOLPE?
3)            Quando a ex-presidente Dilma foi flagrada oferecendo uma providencial guarida ao Lula da Silva, a gravação foi extremamente condenada;
4)            Mas, quando um gangster da estirpe do Joesley Batista grava o presidente Temer, a gravação vale.
                Afinal, que tipo de gravação é considerada legal?
5)            Quando se divulga que um ministro do STF é alvo de investigação, logo saltam muitos para criticar, dizendo que tal ato “cheira a ditadura”;
6)            Mas, quando o investigado é o Presidente da República, o próprio STF dá autorização para os investigadores ir a fundo.
                Afinal, pode ou não pode investigar uma autoridade?
7)            Quando a OAB vem a público para criticar abertamente a fórmula de indicação dos ministros para as Cortes Superiores;
8)            Mas, se a “fórmula” é exatamente a mesma há muitos anos, e nunca antes a nossa OAB moveu um dedo para criticá-la, cabe perguntar (sem ofender):
                Por que, somente agora, o modo “ficou ruim”?
                Eu poderia citar aqui mais uma dúzia de fatos semelhantes, todos recentes, e que demonstram que para “os nossos” nada, enquanto que para “os outros”, tudo.
                Ou, para ser mais claro: Aos amigos, a lei; aos inimigos, os rigores da lei.
                É um tal de “dois pesos e duas medidas” que dá nojo a todos aqueles que gostam de igualdade.
                Até porque, falar em igualdade e democracia, sem – no entanto – exercê-las, é muito bonito num discurso demagógico, feito exclusivamente com a intenção única de enganar bobos.
                Estamos há menos de 400 dias de uma eleição histórica, e – pelo andar da carruagem – tudo aponta no sentido da reeleição das mesmas desgastadas figurinhas, representando os mesmos partidos que hoje são tão caluniados como “é tudo farinha do mesmo saco”, ou, “só muda o endereço” (isto para ser educado...)
                Então, em 2018 vamos caprichar para eleger colírios em lugar de pimentas. Se não, vai arder nos olhos.
                NOS NOSSOS OLHOS!


                Marcelo Aiquel – advogado (11/06/2017) 

Um comentário:

  1. Não se defende ideias, se defendem políticos. Deixo aqui como sugestão outro artigo, sobre o mesmo assunto.
    Abraços.

    http://mises.org.br/BlogPost.aspx?id=2620

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