sexta-feira, 20 de novembro de 2020

Artigo, Orestes de Andrade Jr. - Uma nova e radical Câmara de Vereadores

- Jornalista.

A nova composição da Câmara de Vereadores se radicalizou, à esquerda e à direita. O centrão perdeu espaço, com exceção do PSDB. À primeira vista, as análises enalteceram as façanhas do PSOL, que teve três dos cinco vereadores mais votados. Alguns comentaristas chegaram a dizer que o crescimento das bancadas de esquerda poderia representar uma reconciliação da Capital com seu passado vermelho. Não é bem assim!

 

O mapa dos 36 vereadores eleitos mostra que os partidos de esquerda (PSOL, PT, PCdoB, PDT e PSB) ficaram com 13 cadeiras, só uma a mais do que na legislatura anterior. Os partidos de centro elegeram 19 vereadores, ante 23 na última eleição. Mas os partidos de direita, que tinham só uma cadeira na última composição do Legislativo, conquistaram quatro assentos. Além do Novo, que ganhou mais uma vaga, PRTB e PSL farão sua estreia na Câmara. Os números, portanto, comprovam um avanço maior da direita, um recuo do centro e um pequeno crescimento da esquerda.

 

Olhando o perfil dos vereadores eleitos para a Câmara, renovada em 44% dos seus ocupantes, notamos uma radicalização evidente. Isso porque PDT, PSB e Rede perderam espaço para o PSOL, que dobrou a sua bancada com grandes votações, e para o PCdoB. Os novos eleitos inclusive têm histórico de invasão do Legislativo. Perto deles, os atuais psolistas Roberto Robaina (reeleito) e Alex Fraga (não reeleito) são moderados. O PCdoB elegeu dois vereadores combativos e o PT ungiu um sindicalista extremista (Jonas Reis, do Simpa) na sua bancada de quatro cadeiras mantidas desde o último pleito.

 

Pela direita, além de Mariana Pimentel, pelo Novo, dois vereadores bolsonaristas conseguiram se eleger (Fernanda Barth e Alexandre Bobadra). Felipe Camozzato aumentou sua votação na carona do deputado federal Marcel Van Hatten. Olhando só para estes dois polos, é possível prever que os debates na Câmara a partir de 2021 serão muito mais ideológicos. A grenalização política certamente estará presente todos os dias no plenário. 

 

Ainda entre as novidades, a participação recorde de mulheres (11) e negros (5) na nova Câmara. Em geral, teve sucesso quem estava vinculado a causas e bandeiras específicas ou candidatos com posições ideológicas muito claras. A maioria que ficou em cima do muro foi abatida. Também ocorreu uma fragmentação política e um encolhimento das siglas tradicionais. Serão 18 partidos representados, ao invés dos 16 atuais. 

 

O centrão formado por MDB, PP, PTB E DEM fracassou. Deixou escapar 40% das suas cadeiras. O PP perdeu metade das suas quatro vagas. A exceção foi o PSDB, que mesmo não colocando o prefeito Nelson Marchezan Júnior no segundo turno, saltou de uma para quatro cadeiras. Será o novo comandante dos partidos ao centro, com uma clara inclinação à direita. 

 

Outra dualidade será entre vereadores novos e veteranos. Os experientes são Cezar Schirmer, Idenir Cecchim, Pedro Ruas, Mônica Leal, Lourdes Spengler, Airto Ferronato e Cassiá Carpes, que terão de conviver com colegas com menos ou pouco mais de 30 anos – Laura Sito, Matheus Gomes, Karen Santos, Felipe Camozzato, Bruna Rodrigues, Mariana Pimentel e Ramiro Rosário. Haverá, sem dúvida, um confronto de gerações. Nesse clima tenso e radicalizado, a tendência é de muitas discussões ideológicas e menos debates sobre as pautas de interesse da cidade.

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