domingo, 23 de maio de 2021

Artigo, Fábio Jacques - Afinal, o que importa

Até o presente momento, a CPI tem insanamente procurado confirmar a culpa já determinada do presidente da república na perda das quase 450 mil  vidas de brasileiros ceifadas pela Covid-19.

Como falou o relator Renan Calheiros em entrevista coletiva nas dependências do senado federal, as ações de governadores e prefeitos não são prioridade nesta CPI. O que importa é esclarecer os crimes cometidos pelo presidente da república já previamente condenado como genocida.

Suponhamos, entretanto, se além de dizer que pela sua compleição atlética, para ele a contaminação pelo vírus não passaria de uma gripezinha, de defender o “criminoso” tratamento precoce com hidroxicloroquina, de seu ministério da saúde não ter respondido à carta da Pfizer, o que já foi desmentido, cuja resposta teria evitado a contaminação do Brasil pelo vírus, de não ter usado máscara em várias oportunidade, de ter aglomerado pessoas em todas as suas aparições em público, mesmo que estas aglomerações tenham sido completamente espontâneas e sem convocação, se além disso tudo Bolsonaro tivesse desviado bilhões de Reais destinado ao tratamento e prevenção da pandemia, superfaturando respiradores comprados de loja de vinho ou importados de empresa de brinquedos, tendo pago até mesmo antes de finalizar a licitação e sem nem ao menos ter recebido os produtos até hoje, de desmontar hospitais de campanha dando sumiço em todos os equipamentos além de muitos outros desmandos, o que estaria acontecendo na CPI?

Imagino Omar Aziz, Renan Calheiros e o Randolfe Rodrigues, secundados por todos os senadores de oposição ao governo, rejeitando qualquer menção à escancarada corrupção dizendo que desvios de dinheiro público não teriam importância no libelo de acusação, exigindo que apenas fossem levados em conta  os maus exemplos do presidente.

Não importariam os desvios de recursos, e sim a falta de resposta à carta. Não importariam as compras superfaturadas de empresas completamente inabilitadas, e sim as aparições sem máscara. Não teriam qualquer importância as inúmeras investigações e denúncias do ministério público e da polícia federal, e sim a famosa frase da gripezinha.

Nem as buscas e apreensões realizadas pela polícia federal deveriam se levadas em conta, e sim o crime maior de defesa do tratamento precoce.

Viajei nestas minhas elocubrações? Creio que não.

Para esta CPI o que importa são as narrativas e não os fatos. Se Bolsonaro tivesse cometidos os crimes perpetrados pelos governadores e prefeitos, talvez saísse desta CPI como um herói da esquerda.

Por que, perguntará alguém, seria aclamado como herói da esquerda?

Muito simples, caro Watson, porque para cometer todos estes crimes ele teria que ser de esquerda, sendo, portando, aclamado como ídolo da democracia pelos seus parceiros de negócios cabulosos.

Fabio Freitas Jacques. Engenheiro e consultor empresarial.



Nenhum comentário:

Postar um comentário