terça-feira, 1 de março de 2016

Assassinato de reputação O Caso Tarso Genro (II) – O grilo falante

               Tarso e o “Barba”, no caso o ex-Presidente Lula, comandaram juntos a fábrica de dossiês falsos contra adversários político.
           Entre 2007 e 2010, o Delegado Romeu Tuma Júnior, filho do ex-senador Romeu Tuma, Chefe da Polícia Federal no finalzinho da ditadura militar, ex-carcereiro de Lula, foi Secretário Nacional de Justiça durante a administração do ex-Governador do RS, Tarso Genro, a quem ajudou a eleger em 2010, fazendo campanha para ele no RS, inclusive na elaboração do Programa de Governo. O Delegado contou para a revista Veja que foi nomeado porque Lula devia favores a seu pai, Romeu Tuma, já que ele, o pai, foi quem o recrutou para a função de informante do Dops, sob o codinome “Barba”.
           No livro que resolveu escrever, “Assassinato de Reputações”, Tuma Júnior conta que Tarso Genro comandou pessoalmente a fábrica de dossiês montada pelos governos do PT para destruir adversários:

“Desde 2008, o PT queria que eu vazasse os documentos enviados pela Suíça para atingir os tucanos na eleição municipal. O Ministro da Justiça, Tarso Genro, me pressionava pessoalmente para deixar isso vazar”.

“O ministro da Justiça, Tarso Genro, estava me pressionado pessoalmente, vinha à minha orelha como um grilo falante” (para vazar informações sobre o cartel dos trens)”.

“Eu, como Secretário Nacional de Justiça, investiguei casos engavetados, relacionados ao Opportunity. Mas nesse esforço, recebo um retorno diverso: Daniel Dantas aparecia como denunciante e não como réu. Embora tivesse cargo executivo no governo petista, eu suspeitava da existência de tal conta. E mais: que essa conta era a lavanderia do Mensalão no exterior (...) Mandei cópia para o ministro Tarso Genro apurar isso, e espero a resposta até hoje...”.

“Quando veio a resposta de Cayman (sobre a conta do Mensalão) os caras pararam tudo. Isso foi para a gaveta da Polícia Federal e do Ministro Tarso Genro. Eu publico no livro o documento para dizer isto: o governo não deixou investigar isso em 2007”.

          As denúncias e revelações de Romeu Tuma confirmam todas as informações e revelações publicadas antes no livro “Cabo de Guerra”, no caso a fábrica de dossiês montada pelo Ministro Tarso Genro, que originou perseguições implacáveis aos seus adversários do RS e o ajudaram a se eleger quase sem oposição, devastada por investigações dirigidas, prisões arbitrárias, inclusive com uso abusivo de algemas e exposição dirigida para fotógrafos e cinegrafistas de todos os prisioneiros, vazamentos sistemáticos de meias verdades e uso perverso de Partidos, ONGs e sindicatos aparelhados pelo PT e seus aliados no Estado.
         Um conjunto perverso de ações policiais intoleráveis.
          Algumas delas, utilizadas contra o PT e os Governos Lula e Dilma, mais tarde, no Mensalão e na Lava Jato, foram duramente condenadas pelo próprio Tarso Genro.
           No livro “Assassinato de Reputações”, o autor afirma que Lula o "usou como um fraldão, sumamente descartável".
            Um dos usos mais conhecidos ocorreu em 2009, quando o então Senador e ex-Ministro da Educação, Aloizio Mercadante, lhe teria entregue um pendrive com "seriíssimas denúncias" contra o Senador do PSDB, Tasso Jereissati.
             Leia na íntegra, o que relata o delegado Romeu Tuma Júnior, em seu livro “Assassinato de Reputação.
CASO 3 – DR. TUMA JR: FULMINE O JEREISSATI

Em janeiro de 2009, fui chamado na liderança do governo no Senado, onde encontrei o senador Aloizio Mercadante e um deputado federal, para tratar de projeto de interesse do governo e do ministério. Lá entregaram-me um pendrive, com “seriíssimas denúncias” contra um adversário do governo, que já tinham sido “entregues ao ministro Tarso e ainda não haviam sido apuradas”. Pensei: “Outro dossiê para destruir um novo ‘alvo’ do governo”. Depois daquela do Lab, com os “aloprados na memória e com a minha vivência policial, fiquei esperto com aquele povo. Dessa feita. O alvo era o ex-governador do Ceará, Tasso Jereissati, naquele momento um dos senadores líderes da oposição. A exigência era que eu plantasse uma investigação em cima do Jereissati. Disseram-me que naquele pendrive havia um dossiê. Levei aquilo para a secretaria e resisti a abrir.
Vai nisso um outro particular a ser esclarecido, e é preciso dar um salto no tempo. A 17 de dezembro de 1989, no dia do segundo turno que levaram Fernando Collor à vitória sobre Lula, a polícia veio a prender e apresentar os dez sequestradores do empresário Abílio Diniz. Naquela época, como delegado da Interpol, eu chefiava as investigações sobre o link entre os sequestrados chilenos e argentinos e grupos internacionais, como o ETA, grupo terrorista basco, e outras agremiações extremistas tais como o MIR, do Chile, e outros da Argentina e do Uruguai.
Nesse grupo estava o cearense Raimundo Rosélio Costa Freire. No começo de 1990, mostrei em minhas investigações em Fortaleza, que Raimundo já tinha um histórico de crimes de grande porte. Com isso, Tasso Jereissati me convidou para ocupar o cargo de secretário de Segurança Pública do Ceará. Naquela época, meu pai era diretor da Polícia Federal e secretário nacional da Receita, sob o presidente Collor. A Receita tinha, a pedido de Collor, aprontado algumas malhas finas contra Jereissati. O convite do governador havia sido feito tão logo ele venceu a eleição, ajudando a eleger seu sucessor, o jovem e promissor governador Ciro Gomes, em outubro, ainda no primeiro turno. Só que a posse, naquele tempo, ainda era em março. Quando faltava pouco tempo para a posse foi justamente a época em que houve as rugas da RF com as empresas do Tasso. Resultado: eu não poderia aceitar o cargo porque a imprensa logo iria dizer que meu pai teria negociado com Tasso para me botar nesse cargo no governo Ciro. Ninguém iria acreditar que o convite tinha sido feito havia quase cinco meses, através de um amigo comum chamado Julinho.
Tasso me ligou, nos entendemos e eu falei: “Governador, deixa que me desconvido do cargo e tudo bem. Obrigado pelo honroso convite que jamais esquecerei”. Passaram-se poucos dias e a picuinha acabou. Essa história só não ficou anônima porque o próprio governador, numa entrevista nas páginas amarelas da revista Veja, algum tempo depois, contou isso para dizer que “o único prejudicado na briga dele com o Collor foi o filho do Tuma”. O fato positivo daquele episódio é que acabei conhecendo e mantendo uma boa amizade com o Ciro Gomes e por suas mãos vim a me eleger deputado pelo PPS em São Paulo.
Portanto, eu tinha meus genes e ideia de que Tasso já havia sofrido uma injustiça política de um presidente. Além do que, é da minha natureza não aceitar denúncias quando não de pode conhecer seus denunciantes. Preservar o anonimato tudo bem, mas desconhecer o autor, ou sabê-lo falso, nem pensar. Sempre disse que não aceito para ninguém o que não aceitarei para mim. E olha que o destino me pregou uma peça!  Além dessa questão moral e de conduta profissional e de vida, não queria ver Lula fazendo com ele o mesmo que o governo Collor havia feito; frise-se, entretanto, a abissal diferença a favor de Collor. E assim engavetei o pendrive com o pedido da liderança.
Passado algum tempo, até por precaução, resolvi checar quem tinha preparado aquele dossiê e o que havia nele. Surpresa! O modus operandi era o mesmo já usado por procuradores federais ligados ao PT, e denunciado tempos atrás pelo site Conjur!
Havia alguns dados relativos a contas no exterior, mas o principal é que tinha sido montado em um escritório particular supostamente ligado a um banco. Desde quando algum banco copia documentos de clientes em pendrives? Até para fornecer informações à Justiça eles criam dificuldade! Portanto, era óbvio que aquilo era forjado. Elementar meu caro Watson! Mais uma tentativa de me usar como “fraldão”, baita sacanagem e falta de respeito! Enquanto eles estavam aprendendo, eu estava esquecendo.
Era para deixar engavetado mesmo.

Julius Bauer Bank & Trust é o nome do banco que produziu o dossiê falso contra Jereissati, e que o PT queria que eu difundisse a torto e a direito.

2 comentários:

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  2. Políbio, eu mudei para POA justamente no ano em que o Olívio assumiu a prefeitura. Como eu fazia pós-graduação na UFRGS pude sentir na pele todo o "bullying" a que eram submetidos todos os que não viam o PT com a redenção, a salvação da lavoura. Sentia isso partindo do zelador do prédio onde morava até a maioria dos professores e estudantes da UFRGS. Apesar da farsa ser evidente, era quase impossível contestar. Qualquer voz contrária era abafada por uma bateria ensurdecedora. Na época, confesso que via o Tarso como um sujeito com opiniões razoáveis e ponderadas. Na minha ignorância não sabia que ele, na época, considerava a Albânia como modelo de desenvolvimento. Com o passar do tempo e em eventuais presenças deste senhor na UFRGS passei a mudar minha opinião. O sujeito que eu considerava razoável, articulado e sensato mostrou sua verdadeira face. Um arrogante pretensioso e que posteriormente demonstrou claramente ser maquiavélico e pior de tudo, incompetente. Um ministro da justiça que envergonhou o país e posteriormente um governador que levou o RS à ruína. O ato mais digno que esse senho poderia ter é virar um eremita no Tibet, ou em Cuba, se recolher a sua insignificância e deixar de atrapalhar a vida dos mortais que trabalham. Recolha-se a sua insignificância Sr Tarso Genro e pelo menos tenha a decência de deixar quem trabalha, trabalhar. Quem sabe o Sr e seu protegido Cesare Battisti possam convencer alguns incautos que o esgoto é um lugar legal, politicamente correto.

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