domingo, 3 de abril de 2016

Artigo, Luís Milman

Por Luis Milman

Dilma Roussef e Lula, mais os setores da sociedade que apoiam o governo, continuam a recitar o mantra do golpe que estaria sendo conduzido por uma mídia mais do que conservadora, fascista mesmo, e por um judiciário apaniguado com poderosos. Que setores são estes? Além do PT, vociferam contra o golpe a CUT, o MSTe o MTST, organizações de perfil marxista-revolucionário que se, por um lado, expressam muito pouco das demandas sociais, por outro confessam o suficiente sobre sua ligação orgânica com o petismo. Unem-se a eles artistas e intelectuais que demonstram total falta de discernimento sobre os mecanismos saneadores das instituições democrático-constitucionais, preferindo apegar-se a clichês sobre uma fantasmagoria golpista que só é tangível para mentalidades doentias. O alegado golpe estaria sido gestado para destruir os avanços conquistados pelo lulopetismo, que, se não é imune, dizem alguns deles, a críticas pontuais, representa a vitória de aspirações legítimas do povo, mais especificamente, das classes desfavorecidas, em detrimento de privilégios dos ricos. Não pode haver algo mais desconexo com os fatos do que esta ladainha. Os esquerdistas, alguns em estado de desvario, avaliam que o país foi colocado à deriva pelo que eles chamam de um complô reacionário. É de se perguntar sobre a reação de quem e contra quem. O petismo, encastelado na corte há 14 anos, distribuiu inigualáveis lucros ao setor bancário, apostou no endividamento da classe média baixa para estimular o consumo desbragado de bens supéfluos, não investiu jamais em infraestrutura, associou-se aos oligarcas mais conhecidos em nome da governabilidade, pulverizou, por inépcia a gestão das estatais e atolou-se na mais desavergonhada corrupção, enovelando-se com o interesse criminoso do cartel das megaempreiteras. Agora se agarra, na sua última tentativa de sobrevivência, a Paulo Maluf, José Sarney e Renan Calheiros. É patético.

O PT, um partido fundacionalmente marxista-populista, em seu período de governo, não só reproduziu os piores padrões oligárquicos e patrimonialistas que conhecemos de nossa história, como o clientelismo, como os radicalizou, introduzido nelas o componente das práticas obtusas do sindicalismo na gestão de fundos públicos. Saqueou dinheiro de bancos estatais com as famigeradas pedaladas fiscais, para tapar os rombos de suas despesas. Lula, Dilma, José Dirceu, Vacari et caterva são os nomes próprios da debacle que produziu imoralidade, inflação alta, desemprego e recessão, tudo a um só tempo. São eles, os lulistas,  os reacionários de um marxismo ainda insepulto, cujos níveis de incompetência só são superados por seus patamares de corrupção, Não há sinal, no ambiente de esquerda brasileira, de vida inteligente ou de gestão eficaz. Tudo nesta esquerda ruiu, apodreceu. No âmbito do petismo, todos abriram mão da consciência e tornaram-se reféns do populismo mais pedestre, o lulismo, do qual Dilma e seu governo primitivo é o subproduto agonizante. As acusações que partem desta mentalidade contra alegados complôs da direita, envolvendo a mídia e o judiciário são, das três, uma ou todas: ou paranoides ou idiotas ou cínicas.


Devo completar: os petistas convictos, como Chico Buarque de Hollanda, para quem as ações de seus líderes são inquestionáveis, padecem de um confessionalismo dissociativo-cognitivo intransponível. Para estes, mesmo a mais despudorada ação ou declaração de um Lula ou de uma Dilma está acima da avaliação crítica. Eles são, no plano da opinião política, aquilo que os delirantes são no plano da interpretação dos fatos cotidianos. Lula e Dilma sabem disso e, com base neste apoio fanático, estão buscando incendiar as relações sociopolíticas com uma retórica vitimizadora, da mesma forma como faziam antigos populistas na América Latina. É neste ponto que se encaixa a narrativa distorcida e infantilizada de golpe no caso do impeachment. Até o judiciário independente é apresentado como conspirador contra a virtuosa cúpula do PT, essa mesma que vem patrocinando escândalos não adjetiváveis na história da República. Esta Câmara dos Deputados, mesmo que saibamos que boa parte dela é nocivamente flexível e tende para composições feitas às sombras, não pode se deixar intimidar pela gritaria desta esquerda fracassada, não pode ceder ao comércio de cargos, que nos provocam vergonha cívica. Dilma deve ser impedida em conformidade com a previsão legal, para que a nação possa começar a regenerar seus processos políticos, que, com o petismo e suas práticas corruptas, próprias do esquerdismo hegemonista, foram soterrados pelo vale-tudo da corrupção sistêmica.

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