segunda-feira, 23 de maio de 2016

Artigo, Nelson Jobim, Zero Hora: José Serra e as relações exteriores

No dia 18, o senador José Serra tomou posse no Ministério das Relações Exteriores — o Itamaraty.
Fez discurso marcante e sem rodeios.
Anunciou, "com os olhos voltados para o futuro", diretrizes para sua pasta.
Arrolo algumas:
(1)foco intransigente nos valores e interesses econômicos dos Brasil;
(2)responsabilidade com o meio ambiente;
(3)soluções pacíficas e negociadas dos conflitos internacionais, com empenho na superação das crises econômicas e no comércio mundial;
(4)acordos bilaterais de livre comércio, diante da paralisia dos multilaterais;
(5)negociações comerciais para nossas exportações, com reciprocidade;
(6)renovação do Mercosul;
(7)ampliação do intercâmbio com a Europa, os Estados Unidos e o Japão;
(8)prioridade às relações com novos parceiros na Ásia, em especial a China;
(9)aumento constante da competividade e produtividade, com redução do custo Brasil, através da eliminação das distorções tributárias e ampliação/modernização da infraestrutura;
É relevante o pragmatismo da agenda.
Enfatizou que a política externa "será regida pelos valores do Estado e da Nação, não do governo e jamais de um partido".
É o abandono da instrumentalização ideológica do Itamaraty.
O que passa a importar são os interesses do Brasil e não as simpatias ideológicas paralisantes.
Ações internacional foram pífeas em resultados internos.
Voltavam-se para a produção de prestígio individual.
Hoje, do discurso para amigos e parceiros ideológicos, passamos para ações fixadas no "crescimento da produção e do emprego".
O Itamaraty, nos últimos tempos, porque lhe impuseram ser instrumento de proteção de ideologias, tornou-se inexpressivo.
Uma geração de diplomatas foi congelada.
Vemos, agora, que o Itamaraty volta ao "núcleo central do governo", porque volta a ser um instrumento efetivo da nação e de seus interesses.
Não mais o desprezo e a irrelevância.
Não haverá espaço para proselitismos e retórica vazia.
O Brasil tem pouco tempo.
Serra saberá utilizá-lo.
Sou testemunha, nestes últimos 30 anos, do dinamismo, competência e intransigente dedicação ao Brasil de José Serra.
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Um comentário:

  1. O Brasil está confiante no chanceler Serra. Sua atitude logo no primeiro dia, dando uma carraspana forte nas republiquetas bananeiras da AL deram o tom da nova atuação do Itamaraty.
    A favor do Brasil e não de egos petralhas.

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