quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Artigo, Mário Cavalheiro Lisbôa, Zero Hora - É a economia

Mário Cavalheiro Lisbôa: é a economia
Procurador de Justiça aposentado

Porto Alegre vive uma crise sem precedente em relação à criminalidade. A outrora cidade que ostentava qualidade de vida tranquila transformou-se em local perigoso onde o direito de ir e vir somente pode ser desfrutado sob risco à integridade física, já que Porto Alegre registra um assalto a cada 15 minutos. O que houve? Que modificações substanciais teriam ocorrido nesses últimos anos para haver essa deterioração social?

Com base em pesquisa elaborada pela Universidade de Harvard, nos EUA, concluiu-se que uma queda de 2,6% no desemprego produziu redução de 3,9% nos índices de criminalidade. Logo, um aumento de pessoas desempregadas aumenta a criminalidade. De acordo com a Fundação de Economia e Estatística, a Região Metropolitana de Porto Alegre, de janeiro de 2015 a setembro de 2016, apresentou aumento no desemprego de 9,7% para 11% da população. Tudo produto da maior crise econômica em que foi mergulhado o Brasil nas últimas décadas. O rombo criado pelo governo federal afetou toda a sociedade, nisso incluindo Estados e municípios. E a situação não para de piorar. Vejam o que está ocorrendo no Rio de Janeiro.


É certo que a impunidade é a maior causa da criminalidade. Uma pesquisa da Universidade de Missouri, nos EUA, demonstrou que cada aumento de 10% na população carcerária causou redução de 15% a 20% no número de homicídios. Mas também nesse item a economia é fundamental. Como combater efetivamente a criminalidade se o Estado não tem recursos para aumentar o número de policiais nem para construir novos presídios? A grande diferença nos últimos anos no enfrentamento à criminalidade foi a grave crise econômica. E a área econômica não admite milagres ou pensamentos mágicos. A recuperação econômica é um processo lento, que exige coragem, sensatez e muita paciência. Não vamos nos iludir: enquanto perdurar a crise econômica, dificilmente a criminalidade haverá de diminuir. Mas convém parar com as injustiças. Não devemos jogar pedras em quem não tem culpa.

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