segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Artigo, Nelson Jobim, Zero Hora - O tempo e a política

Nelson Jobim: o tempo e a política
Jurista, ministro aposentado do Supremo Tribunal Federal
21/11/2016 - 05h10min | Atualizada em 21/11/2016 - 05h10min
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 Lê-se no Eclesiastes (3:1): "Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu".
Dr. Ulysses Guimarães, lembrando Joaquim Nabuco, dizia que o "tempo não perdoa o que se faz sem ele".
Esta é a definição de "momento" para a política.
Agir antes do momento é o desastre e a derrota.
Agir depois é inútil.
Há o momento para definição política da ação, seus conteúdos e objetivos, ou seja, onde se quer chegar.
Este momento é de reflexão e análise.
Examina-se, sem emoção, o presente e descreve-se seus problemas e insuficiências.
Grande parte deles são objetivos.
Estão no mundo — saúde, educação, inclusão, mobilidade etc.
Outros, da comparação do presente com aquilo que os formuladores entendem que deva ser o futuro.
Estes não são factuais.
Decorrem da relação do "mundo como está" com o "mundo como deve ser", na perspectiva de uma orientação política.
Haverá divergências quanto ao que deva ser.
[Para uns, a distribuição dos resultados de acordo com sua produção; para outros, de acordo com suas necessidades.]
Temos outra divergência, muito aguda.
"Como fazer" para solver a totalidade dos problemas, factuais ou não.
No "como fazer" está contido o "quando fazer" — o momento de fazer.
Aqui entra o tempo.
Agora, amanhã, no curto, médio ou longo prazo?
Essa decisão é premida pelos fatos e crises e, em especial, pela política.
Mas requererá sempre uma decisão, que está no campo da estratégia.
Aqui surge o senso de oportunidade.
É a percepção, nada científica, dos fatos, movimentos e tendências que determinará o momento da ação.
Mary Beard lembra que na vitória final dos Romanos contra Aníbal (em Canas) houve um conflito de estratégias (SPQRN, Una historia de la antigua Roma).
Cipião, o Africano, queria o enfrentamento global.
Quinto Fábio Máximo, que comandava, deixou passar o tempo.
Combinou guerrilha com terra arrasada.
Daí surge o nome "Fabiano" — aquele que espera.
O nosso Getúlio Vargas foi, em grande parte, um Fabiano.
Jânio Quadros, ao contrário, atropelou.
A estratégia para a ação política não pode depender de temperamento.
A percepção aguda dos fatos é que informará o momento de agir e não agir.
O erro de percepção leva à derrota.
A mensagem de Ulysses não é nem fabiana, nem de atropelo.
É a submissão à Sua Excelência o fato, como ele o referia.
E, também, obra do acaso e da sorte.

Ao fim, "o tempo é o melhor antologista, ou o único, talvez" (Jorge Luis Borges).

Um comentário:

  1. "APRESSADO COME CRU"

    BASEADO NA REFLEXÃO CORRETA E APROPRIADA DO JOBIM PODEMOS DIZER:
    ALÉM DE USAR MAL O TEMPO LULA E SUA CORJA DE LADRÕES QUE ESTÃO SENDO PRESOS, NEM NOÇÃO DISSO,DO TEMPO, TINHAM, POIS NÃO DERAM ACABAMENTO À SUA OBRA,NO TEMPO CERTO,NO TEMPO CERTO FIZERAM A COISA MAIS ERRADA POSSÍVEL E VÃO PAGAR CARO POR ISSO.
    A MEGA ROUBANÇA, A MAIOR DA HUMANIDADE EM TODOS OS TEMPOS,FOI BURRA, FORAM PEGOS EM ATIVIDADE QUE DEVERIA ESTAR ENCERRADA E COM MOLDURA DOURADA.
    COM CERTEZA LULA NÃO LEU ANIBAL,NEM ULISSES ,NEM NINGUÉM,O QUE PROVA QUE ATÉ PARA ROUBAR LER É ÚTIL, SENÃO VITAL.

    O QUE JOBIM QUIS DIZER NUMA LINGUAGEM MAIS SIMPLES E POPULAR É:

    "O APRESSADO COME CRU,O ATRASADO MUITO PASSADO"

    ATÉ PARA COMER TEM O TEMPO ADEQUADO.
    QUEM SABE FAZ NA HORA,NÃO ESPERA ACONTECER.

    AGORA É HORA DE ESTUDOS,CONCLUSÕES E DE REENGENHARIA,BASEADO NAS COISAS QUE FIZERAM OU SE PRECIPITARAM,QUE SE FIZERAM ACONTECER.

    LOGO,LOGO, DAQUI A POUQUINHO SERÁ HORA DA AÇÃO, DO ATAQUE, E TERÁ QUE SER NA HORA CERTA,ENTÃO BOA FORTUNA; OU SERÁ INÚTIL, O DESASTRE.

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