quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Artigo, César Herkenhoff, ES Hoje – 50 tons de cinza

Confesso meu desconforto com a intolerância de alguns amigos, inclusive, que literalmente têm partido para o ataque frontal aos que ousam criticar o governo do Estado e o governador Paulo Hartung, como se fossem entidades acima do bem e do mal.

Estão tentando resgatar um dos episódios mais tristes de vida democrática brasileira, quando militantes e simpatizantes do Partido dos Trabalhadores partiram para o enfrentamento aos que se mostravam indignados com a corrupção generalizada: todos coxinhas fascistas.

Agora, na crise instaurada na segurança pública capixaba, há uma nova tentativa de marginalizar os que simplesmente não concordam com o atual modelo de gestão – de caráter nitidamente autoritário.

Nunca é demais lembrar que a história política de Paulo Hartung foi construída na crítica, na discordância, no enfrentamento à ditadura militar. E quem trabalhou nas redações capixabas no início dos anos 80 sabe o preço que nós pagamos para defender bandeiras em que acreditávamos.

“Ah, vocês deviam das graças a Deus pelo governador que têm. Recebem os salários em dia”, dizem os arautólogos pós-graduados em bajular o poder, coimo se pegar em dia fosse um favor imensurável, e não apenas um dever do governante.

Nunca é demais lembrar que os Estados da Federação em situação de insolvência foram exatamente os dois em que os governantes mais saquearam os cofres públicos: Rio de Janeiro e Minas Gerais. Sérgio Cabral, preso. Fernando Pimentel, inexplicavelmente, solto.

Não foram os servidores públicos cariocas e mineiros que quebraram seus Estados. Foram governantes corruptos, ladrões, que colocaram interesses particulares acime dos interesses públicos. Construíram fortunas incalculáveis em cima do sacrifício da população.

No Espírito Santo, felizmente, não se tem notícia de desmandos dessa natureza. A situação do Estado é razoavelmente estável se comparada a outras unidades federadas.

Mas mantenho a percepção de que o governador Paulo Hartung continua focado em seu projeto nacional que, a essa altura dos acontecimentos, parece ter naufragado.

A TV Antagonista veicula hoje, com o título “Hartung deu tiro no pé”:

“O peemedebista Paulo Hartung reclama que não tem meio bilhão para honrar o aumento dos salários dos policiais, mas abriu mão de R$ 4,3 bilhões em impostos com uma série de renúncias fiscais que são questionadas até no STF.

Hartung beneficiou alguns grupos econômicos com isenções consideradas ilegais, na mesma linha do que fez Sérgio Cabral no Rio. Resta saber se o governador teve alguma contrapartida”.

Quero crer que não houve contrapartida, pelo menos nos moldes de Sérgio Cabral e Fernando Pimentel. Imagino que, no máximo, doações para campanha eleitoral, com recursos de caixa dois, caixa três, diabo a quatro. Mas esse é a regra geral, não um privilégio do governador capixaba.

Agora há pouco postei no Facebook uma nota que pretende refletir apenas meu sentimento pessoal, embora eu tenha a imodéstia de falar em nome da sociedade capixaba:

“Para se chegar à verdade é preciso conhecer as diversas versões de um mesmo fato.

Está é mais uma versão para ser ouvida e analisada sem passionalismo e sem a vocação desmedida de imputar culpas.

A responsabilidade primeira é do poder público.

Não é legítimo jogar o peso e as consequências sobre a sociedade.

É hora de todas as forças políticas envolvidas renunciarem à arrogância e à prepotência.

Não queremos governo e PM medindo forças. O povo capixaba exige diálogo já”.

Os hartunguistas não gostaram porque acham suficiente o governo estar com salários em dia. É muito pouco. E o resto da população?

Não foi Odorico Paraguassu quem disse, mas Evelyn Beatrice Hall, mas é sempre um conceito a que não devemos renunciar:

“Posso não concordar com nenhuma das palavras que você disser, mas defenderei até a morte o direito de você dizê-las”.

Um comentário:

  1. Sou filho de operário e ele até militava no PC mas tinha uma dignidade de reconhecer os erros e os acertos de todas as correntes.....falava-nos na hora do jantar, quando escolhíamos o feijão para o outro dia:" eles não sabem o que significa chegar à porta de uma fábrica e não ter trabalho.....dizem, "agora eu tenho estabilidade e quero ver o patrção me colocar para fora!" Isso, afirmo, é FRUTO DE OUVIDOS EMPRENHADOS POR FALATÓRIOS DE FALSOS LÍDERES TRABALHISTAS que do trabalho nada entendem.....VOC~ES SABEM DE QUEM FALO....

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