terça-feira, 2 de maio de 2017

Artigo, Tito Guarniere - Greve meia boca

Artigo, Tito Guarniere - Greve meia boca
A greve geral era para ser um rugido de leão mas acabou sendo um rosnado de gato. Duvido muito que entre os manifestantes havia um só que não fosse filiado ao PT, PCdoB e PSOL, ativista dos "movimentos sociais", sindicalista de profissão ou funcionário público. As forças que promoveram a greve - que de geral não teve nada - não lograram agregar um só cidadão não alinhado com a turba de sempre.
O resultado seria ainda mais pífio se não utilizassem a tática manjada de queimar pneus nas vias de acesso, de atacar com paus, pedras e rojões a polícia, promover estragos e vandalismos em prédios públicos e privados. Manjada também é a tática de deixar para depois da passeata ordeira o trabalho sujo de arruaceiros treinados, como ocorreu no Rio e em São Paulo. Foram atos ilegais e incivilizados que deram visibilidade ao movimento.
A violência desses manifestantes, que se dizem "de esquerda", é uma marca registrada, um estilo de ação. Ironia: no dia seguinte Lula, em ato público na cidade de Rio Grande, chamou o governo de "troglodita". E não seriam trogloditas os que trancam as vias públicas, cerceiam o direito de ir e vir das pessoas, queimam lixeiras, quebram vitrines, incendeiam veículos?
O PT, os seus aliados nos "movimentos sociais", as esquerdas, investem nas provocações, nos incidentes criados de propósito, na brutalidade dos confrontos. Literalmente, estão brincando com fogo. Admira que ainda não tenha sobrado um cadáver no meio da rua. As forças policiais têm-se comportado em medida e proporção às vezes maiores do que os manifestantes.
No mundo democrático (e menos ainda nas ditaduras) não é tolerado o bloqueio das vias públicas de acesso às cidades. No mundo civilizado, manifestantes não incendeiam ônibus em nome de uma causa. Se o fizerem responderão como criminosos comuns, não como ativistas políticos.
Essa é a linguagem da greve geral meia boca: a linguagem da violência. Em tudo o PT e os seus aliados reclamam da "falta de debate" com a sociedade. Mas quando eles presidem as ações, não só dispensam o debate, como se permitem o uso da força bruta. A violência se dirige contra os adversários na arena política, contra o Estado (representado pela força policial), e contra todos que, no seu caminho, não quiserem aderir às suas causas e teorias.
Desconfio que, em boa parte, os trabalhadores não aderiram à greve "geral", não por causa dos fins, mas por causa dos meios. Talvez a causa, em alguma medida, lhes pertença, mas não querem ser vistos na companhia de baderneiros, de mascarados armados de pedras e rojões, que enfrentam a polícia e saem depredando tudo.
Trabalhador não gosta de quebra-quebra. Quem gosta de quebra-quebra é sindicalista às vésperas de perder a mamata do imposto sindical, são "black blocs" e grupos antissociais, militantes remunerados dos "movimentos sociais".
As postulações da greve "geral" não são todas descabidas. Mas se os seus patrocinadores querem ganhar no grito, se convulsionam as cidades, desrespeitam as leis e desandam na pancadaria, é porque lhes faltam argumentos. Se lhes faltam argumentos, também lhes falta razão.
titoguarniere@terra.com.br


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