sexta-feira, 12 de maio de 2017

Dallagnoll ri a tôa do “chefe” e de Iolanda

Dallagnoll ri a tôa do “chefe” e de Iolanda
Dilma confiava no tesoureiro do PT, João Vaccari. Para ter um canal sigiloso de comunicação com o casal Santana, Dilma criou o endereço eletrônico iolanda2606@gmail.com

Ricardo Noblat

Na quarta-feira 14 de setembro de 2016, o mundo desabou na cabeça do procurador da República Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa da Lava Jato. Naquele dia, durante uma entrevista coletiva em Curitiba, ele projetou um gráfico que apresentava Lula como o “comandante máximo do esquema de corrupção” na Petrobras.

Logo os termos PowerPoint e PPT chegaram aos trending topics do Twitter. Desatou-se a maior produção de memes da história da internet brasileira. As redes sociais enlouqueceram. Dallagnol foi exaltado pela turba anti-PT. E escrachado pelos que defendiam Lula. A batalha durou semanas a fio. E o assunto jamais seria esquecido.

O curioso é que o gráfico de tanto sucesso apenas traduziu o que de certa forma dissera quatro meses antes o Procurador-Geral da República Rodrigo Janot. Em denúncia encaminhada ao Supremo Tribunal Federal (STF), Janot apontara Lula como membro da “organização criminosa” que deveria serr investigada pelo assalto à Petrobras.

Pois bem: em depoimento de delação premiada despachado, ontem, pelo ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no STF, para o juiz Sérgio Moro, o marqueteiro João Santana revelou que o acerto para pagamento de dívidas eleitorais das campanhas presidenciais do PT entre 2003 e 2010 sempre dependeu “da palavra final do chefe”.

E quem era o chefe? Lula, segundo ele. Lula e Dilma sabiam do uso de recursos de caixa dois, dinheiro não declarado à Justiça. "Lula e Dilma sabiam que as dividas que possuíam com João Santana seriam saldadas com recursos de caixa 2 da Odebrecht", diz o resumo de uma gravação em vídeo do depoimento de Santana.

A mulher de Santana, Mônica Moura, contou, por exemplo, que recebeu cerca de R$ 5 milhões em espécie em caixas de sapato e de roupas em uma loja de chá do Shopping Iguatemi, em São Paulo, referentes a parte dos serviços prestados pelo marido à campanha de reeleição de Lula em 2006. Naquele ano foram R$ 10 milhões pagos por fora a Santana.

Dilma preferiu controlar por meio do então ministro Guido Mantega, da Fazenda, os pagamentos feitos com dinheiro ilícito, revelou Mônica. A ex-presidente não confiava no tesoureiro do PT, João Vaccari. Para ter um canal sigiloso de comunicação com o casal Santana, Dilma criou o endereço eletrônico iolanda2606@gmail.com.


Foi por meio dele que Dilma informou ao casal, que na época estava no exterior, que ele seria preso pela Lava Jato quando desembarcasse no Brasil. A prisão, de fato, aconteceu no ano passado. Mas antes o casal teve tempo de se livrar de informações e documentos embaraçosos. Iolanda – ou melhor: Dilma – nega tudo. Lula também. Dallagnol acha graça.

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