segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Arrigo, João A. de Souza Filho, escritor - meu desabafo

Este ano completarei 70 anos de idade, o que significa que resido na cidade de Porto Alegre exatamente 66 anos. Desde os 14 anos de idade, quando tive meu primeiro emprego na Casa Genta, na Rua do Parque 437 que acompanho o desenvolvimento, a política e a vida na cidade. Era o tempo dos bondes.
Existem coisas gravadas na memória. Residia na Vila dos Comerciários e a prefeitura estava rasgando uma avenida que ligaria a rua Dr. Carlos Barbosa até o bairro Cristal. Eu tinha 11 anos de idade! Os meninos da minha idade e eu brincávamos de nos esconder nas tubulações subterrâneas do esgoto pluvial e também cloacal ainda limpos. Entrávamos por uma tampa de ferro e saíamos adiante. Era divertido. A prefeitura largou a obra e permitiu que casebres fossem erguidos no futuro leito da Avenida Cruzeiro do Sul, e a área se tornou uma grande favela! Hoje, o município não consegue recomeçar uma obra feita no final da década de 50.
Alguém se lembra disso? Não. Poucos como eu se lembram da futura avenida sobre a qual depois construíram um posto do INSS logo na entrada de quem vem pela Carlos Barbosa.
E, ao longo dos anos ouço promessas em tempos de eleições. Havia planos de viadutos na Zona Norte, junto ao Triângulo, mas, entrou um novo governo e construiu no local um terminal de ônibus que faz dois anos foi destelhado por um temporal e nunca restaurado. E aí Fortunati? O trânsito ali só pra quem conhece a região. E os planos de se fazer elevadas na Av. Sertório com a Assis Brasil; e a duplicação da Sertório até a Av. Baltazar de Oliveira Garcia; e o viaduto junto a FIERGS onde o trânsito engarrafa quilômetros adentro pela Freeway na hora do rush. Promessas e mais promessas!
A propósito, a Av. Sertório entre a Ceará e o Jardim Lindóia demorou vinte anos para ser concluída! Eu tinha 8 anos de idade e acompanhava meu pai levando argila na caçamba do caminhão para aterrar o banhado e quando eu tinha 28 anos de idade, finalmente aquele trecho foi concluído.
Não fosse o período de intervenção militar (não houve ditadura e sim intervenção) e não teríamos a Av. Castelo Branco (desculpem-me os vereadores que mudaram o nome da Avenida; deveriam também tirar o nome de Júlio de Castilhos de praças e ruas de Porto Alegre porque ele foi o interventor que esteve por traz da degola na história do RS e um humanista perigoso e implacável contra os que se lhe opunham). Repito. Não fosse a intervenção militar não teríamos a ligação via Freeway para o litoral, porque os ecologistas não permitiriam a construção da rodovia junto as lagoas de Osório.
E agora virão novas eleições para vereadores e prefeitos. Votar em vereador para apenas dar nome de rua, títulos honoríficos e proibir o uso de sal em restaurantes – interferindo na vida pessoal de cada cidadão – é um fardo que desanima o eleitor sair de casa e comparecer às urnas. Acho que depois dos 70 nunca mais comparecerei a uma urna para votar!
Finalmente, ao chegar aos setenta anos de idade tenho saudades de sair à noite pelas ruas da cidade, porque, agora, a qualquer hora somos atacados na entrada da casa, na esquina, nas ruas por assaltantes que vivem impunes. Quando os assaltantes são presos sempre existe um delegado concursado – outra anomalia em nosso sistema de segurança, porque delegado deveria ser cargo de carreira como nos Estados Unidos – prontos a soltá-los, por medo ou sei lá o quê.
Arrependo-me de voltar para o Brasil, eu que vivi em San Francisco na Califórnia de 1969 a 1971. Não tenho mais orgulho da cidade que me acolheu quando eu tinha quatro anos de idade; não posso subir os montes nem mirar a cidade de seus altos; não tenho orgulho de viver no RS hoje um dos Estados mais atrasados da Federação. Resta-me, portanto, recolher-me atrás das grades de minha casa, porque, para onde fugirei da violência se ela se espalhou como praga em toda a antiga Província Cisplatina do RS?
Que me responda o prefeito Fortunati, o Governador Sartori, o Secretário de Segurança, os vereadores e deputados. Afinal, em que mundo vive essa gente? Certamente não é o mesmo mundo em que eu vivo!

Hoje recomendo aos meus netos que saiam do Brasil de Dilma, de Cunha, de Temer e Calheiros, que fiquem longe dessa pátria que amamos, porque aqui não se vislumbra futuro algum!

Nenhum comentário:

Postar um comentário