terça-feira, 13 de setembro de 2016

Melhora da economia chinesa em agosto sugere crescimento mais forte neste trimestre, abrindo espaço para o avanço dos ajustes estruturais

Confirmando a sinalização mais favorável indicada pelo índice PMI e pelas importações, os indicadores de atividade, divulgados ontem, apontaram para uma melhora da economia chinesa em agosto. A produção industrial registrou alta interanual de 6,3% no mês passado, superando as expectativas (6,2%) e a expansão de 6,0% verificada em julho. Essa elevação se deve a uma retração menos acentuada do setor de mineração, mas também aos efeitos de reconstrução decorrentes das fortes enchentes ocorridas nos meses recentes no país. Na mesma direção, as vendas nominais do varejo chegaram a uma alta de 10,6% em relação ao mesmo período do ano passado, puxadas pelo setor automotivo, surpreendendo de forma positiva o esperado pelo mercado (10,2%), após terem crescido 10,2% no mês anterior. Os investimentos em ativos fixos, por sua vez, mostraram expansão de 8,1% no acumulado do ano, acima das expectativas (7,9%), mostrando estabilização ante julho. Dentre os principais vetores para os investimentos, notamos que as inversões conduzidas pelo governo seguiram fortes, ao passo que os investimentos do setor privado continuaram fracos. Entendemos que a retomada de projetos de infraestrutura – acelerada nos últimos meses – tem impulsionado a economia, evitando uma desaceleração neste trimestre, sugerida pelo arrefecimento das concessões de crédito e pela política monetária mais prudente. De fato, os estímulos fiscais têm sido importantes: as receitas do governo acumularam ganho de 6,0% no ano, até agosto, ao passo que as despesas subiram 12,7% no mesmo período. Dessa forma, os riscos baixistas indicados pelos dados de julho se dissiparam com o desempenho mais favorável da economia chinesa no mês passado, mantendo o crescimento deste ano ainda próximo à meta de 6,5%. De todo modo, acreditamos que a desaceleração da atividade seguirá presente nos próximos trimestres, tendo em vista os ajustes estruturais em curso – reforçados recentemente pelo comprometimento do governo em avançar no fechamento de capacidade instalada – e os riscos financeiros vindos do elevado nível de alavancagem das empresas e dos governos locais.

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