terça-feira, 1 de novembro de 2016

Desempenho da produção de bens de capital sugere retração dos investimentos no terceiro trimestre

Desempenho da produção de bens de capital sugere retração dos investimentos no terceiro trimestre
A produção industrial cresceu 0,5% na passagem de agosto para setembro, já descontada a sazonalidade, conforme divulgado hoje pela Pesquisa Industrial Mensal (PIM) do IBGE. O resultado veio em linha tanto com nossa projeção quanto com a expectativa do mercado, de acordo com coleta da Bloomberg, que apontavam um crescimento de 0,6% em setembro. Na comparação interanual, a produção recuou 4,8%, o que significou uma queda de 8,8% nos últimos doze meses.
Setorialmente, nove dos vinte e quatro setores pesquisados apresentaram crescimento em setembro, com destaque para produtos alimentícios, com variação de de 6,4%, indústrias extrativas, que mostrou expansão de 2,6%, e veículos automotores, reboques e carrocerias, que registrou aumento de 4,8%. Em contrapartida, houve forte recuo do setor de máquinas, aparelhos e materiais elétricos, com queda de 8,1%.
Dentre as categorias de uso, a produção de bens de consumo duráveis avançou 1,9% em setembro. Também chama a atenção o crescimento da produção de bens intermediários, com expansão de 1,2% na leitura de setembro. Entretanto, é importante destacar que o crescimento registrado pelos dois setores não foi o bastante para compensar as perdas registradas na última leitura, de 6,4% e 3,6%, respectivamente.
A produção de bens de capital recuou 5,1%, marcando a terceira queda consecutiva para o setor. A despeito do que vinha sendo apontado pela confiança do empresariado industrial e do crescimento significativo das importações nos últimos meses, os contínuos resultados negativos da produção de bens de capital e de insumos típicos da construção civil deve levar a uma nova retração da formação bruta de capital fixo no terceiro trimestre.
A melhora da confiança nos últimos meses (apontada tanto pela FGV como pela CNI) deve manter o desempenho morno da atividade industrial no curto prazo.  Deste modo, esperamos alta da produção industrial em outubro, especialmente em função da retomada da produção automotiva. De qualquer modo, acreditamos que a produção industrial encerrará 2016 em queda, em parte refletindo a contração do início do ano e o carregamento estatístico dos fortes recuos do ano anterior.
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Octavio de Barros
Diretor de Pesquisas e Estudos Econômicos - BRADESCO 

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