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O escândalo que atingiu aposentados agora testa os limites entre apuração, blindagem e conveniência
Nesta quarta-feira (20/05/26), a lobista Roberta Luchsinger prestou depoimento à Polícia Federal no âmbito das investigações da "Operação Sem Desconto", desencadeada em 2025 para desbaratar uma organização mafiosa que lesou mais de seis milhões de aposentados e pensionistas do INSS com descontos não-autorizados em seus benefícios.
A PF levou cinco meses para ouvir Roberta. É o tempo que transcorreu desde que, em 18 de dezembro, os policiais instalaram uma tornozeleira eletrônica na dona da RL Consultoria e Intermediações Ltda. É por uma destas intermediações que ela virou alvo. É suspeita de fazer parte de uma triangulação em que recebia pagamentos mensais de R$ 300 mil do lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, o "Careca do INSS", e os repassava a um velho amigo dela, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.
Roberta admitiu ter recebido de Antunes cinco parcelas, que perfazem R$ 1,5 milhão, mas alegou que o dinheiro era para ela mesma por ter prestado consultoria a "Careca" para a montagem de um negócio de canabidiol que não parou em pé. Coincidentemente, Lulinha recorreu ao tal projeto de canabidiol para justificar por que aceitou viajar a Portugal com as despesas pagas por "Careca", figura central nas investigações sobre a farra do INSS, e hoje preso na Papuda, em Brasília. Roberta disse que os dois, Lulinha e "Careca", se conhecem graças a ela. Apresentou um ao outro "em contexto social", explicou.
A história não convence os investigadores. Ou não convencia, pelo menos até o dia 8 de maio. Nesta data, a Polícia Federal fez um movimento estranho. O inquérito saiu da coordenação do delegado Guilherme Figueiredo Silva, que chefiava a Divisão de Repressão a Crimes Previdenciários, e passou para a Coordenação de Inquéritos nos Tribunais Superiores (Cinq), não se sabe exatamente sob a liderança de qual delegado.
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