Memória. Artigo, Marcelo Rocha Monteiro - O Grande Circo Mórbido: espetáculo degradante em São Leopoldo

Este artigo é retrato do que ocorria há dois anos no Rio Grande do Sul, quando a catástrofe climática foi politizada pelo governo.

Marcelo Rocha Monteiro, Procurador de Justiça (MPRJ), Professor da UERJ e coautor dos livros "Inquérito do Fim do Mundo" e "Sereis como deuses: O STF e a subversão da Justiça".

Um espetáculo macabro aconteceu no Rio Grande do Sul nesta quarta-feira (15/05/24), com transmissão ao vivo pela TV.

A pretexto de anunciar medidas de ajuda ao povo gaúcho, o ex-presidiário e sua trupe estão realizando um verdadeiro comício.

A cada medida anunciada, a plateia, composta pela tradicional tropa da mortadela, grita:

"LULA! LULA! JANJA! JANJA!"

No palco, a deputada Maria do Rosário e outros companheiros aplaudem e não conseguem esconder os sorrisos de satisfação com o espetáculo circense.

O festivo evento contou ainda com a animada participação do ministro do STF Luís Roberto Barroso, com direito a discurso.

Caso alguém não esteja ligando o nome à pessoa, trata-se de um juiz da mais alta corte de justiça do país.

Em dado momento, o ex-presidiário teve a cara de pau de afirmar que a diferença "entre o país que eu recebi (óbvia referência ao governo anterior) e o país de agora" podia ser vista no número de voluntários que estão ajudando nessa tragédia.

Ou seja: o grande número de voluntários salvando vidas no Rio Grande do Sul é mérito dele, Lula. Se fosse Bolsonaro o presidente, ninguém iria se voluntariar.

Isso é megalomania ou psicopatia?

Em dado momento, o ex-presidiário anunciou com todas as letras:

"Eu pretendo disputar mais umas dez eleições!"

Em resumo: essa gente está fazendo campanha eleitoral (mal) disfarçada em cima dos cadáveres das vítimas da tragédia.

E eu que pensava que, em matéria de exploração eleitoral de cadáver, eles já houvessem atingido o ponto mais baixo no caso Marielle.

Evidentemente, eu me enganei.

Em tempo (para ser justo): era visível o constrangimento estampado no rosto do Eduardo Leite e até do Haddad com o tom de campanha eleitoral tão absurdamente escancarado.


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