O autor é cientista político, Porto Alegre.
A nova rodada da pesquisa Nexus/BTG sobre a sucessão divulgada hoje (3) mostra que o senador Flávio Bolsonaro (PL) cresceu quatro pontos percentuais em relação a semana passada, reduzindo a desvantagem para o presidente Lula (PT) na simulação de primeiro turno de 9 pontos (42% a 33%) para apenas 4 pontos (41% a 37%). Lula, nesse mesmo período, oscilou negativamente um ponto. Como a margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, estamos diante de um quadro de empate técnico.
Na simulação de segundo turno, a situação também é de empate: Lula registra 46% das intenções de voto. Flávio aparece com 45%. Comparado à semana anterior, Lula oscilou um ponto para baixo (47% para 46%), enquanto Flávio teve uma variação positiva de dois pontos (43% para 45%).
Apesar da vantagem numérica de Lula, estamos diante de uma eleição acirrada pelos seguintes aspectos:
1) De acordo com o Nexus/BTG, a desaprovação do governo Lula (48%) é ligeiramente maior que a aprovação (47%). Ao votar na eleição para presidente, os eleitores estarão respondendo se Lula merece ou não mais quatro anos de mandato. Hoje, o saldo de popularidade – diferença entre a aprovação e desaprovação – é negativo para o Palácio do Planalto, o que traz obstáculos para o incumbente;
2) Em um eventual segundo turno, Lula apresenta dificuldades de crescimento – comparando as intenções de voto no presidente nas simulações do primeiro para o segundo turno, Lula cresce apenas cinco pontos. Flávio Bolsonaro, por sua vez, ganha oito pontos, Uma explicação para isso é o fato dos eleitores de Ronaldo Caiado (PSD); Romeu Zema (Novo); e Renan Santos (Missão) serem ideologicamente mais próximos de Flávio, preferindo o senador no segundo turno;
3) A abstenção, que tem girado em torno de 20% do eleitorado, foi maior nos segmentos de menor grau de instrução e renda em 2022, podendo tirar mais votos de Lula que de Flávio; e
4) Mesmo enfrentando divergências internas em sua pré-campanha e com dificuldades de atrair aliados para além do PL, Flávio continua mostrando competitividade, ancorado na força política e social do bolsonarismo e no desgaste do lulismo
Mesmo com Lula apresentando uma estreita vantagem numérica em relação a Flávio Bolsonaro, temos um quadro de empate na disputa ao Palácio do Planalto, deixando a eleição competitiva. Assim como ocorreu em 2022, novamente devemos ter uma eleição decidida por uma pequena diferença de votos.
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