quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Metade dos inadimplentes sabem que não poderão pagar suas contas atrasadas no curto prazo

Uma pesquisa nacional do Serviço de Proteção ao Crédito (SPCBrasil) e da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) mostra que quase metade dos brasileiros inadimplentes (46,5%) não têm condições de pagar suas dívidas em atraso nos próximos três meses. Seis em cada dez entrevistados (61,2%) no estudo
“Perfil do Inadimplente Brasileiro” acreditam que a situação financeira piorou na comparação com o ano passado, seja em razão do endividamento (24,4%), porque estão desempregados (16,4%) ou pelo fato da renda ter diminuído (20,4%). Apenas uma em cada cinco pessoas entrevistadas (20,6%) tem intenções de pagar e reúne condições para quitar as dívidas integralmente nos próximos 90 dias.
O levantamento mostra que, na comparação com 2015, o valor médio total das pendências diminuiu 33,9%, chegando a R$ 3.543,60 – entre os entrevistados das classes A e B e com idade entre 35 e 64 anos a dívida é ainda maior, de R$ 5.633,95 e R$ 4.176,29, respectivamente. Porém, a diminuição do valor total da dívida dos inadimplentes não é um reflexo de uma possível melhora na capacidade de pagamento desses consumidores.
“Nos últimos anos, a recessão, o desemprego e os efeitos da inflação enfraquecem o poder de compra das pessoas. Ao mesmo tempo, o acesso ao crédito se tornou mais restrito, uma vez que os concedentes começaram a exigir maiores garantias dos tomadores”, explica Roque Pellizzaro, presidente do SPC Brasil.
Quando indagados sobre os principais motivos para deixar de pagar as contas atrasadas, percebe-se que a perda do emprego ainda é o fator de maior impacto, para 28,2% dos entrevistados (33,3% em 2015). Em seguida são mencionados a diminuição da renda (14,8%, contra 10,5% em 2015), a falta
de controle financeiro e de planejamento no orçamento (9,6%, contra 21,0% em 2015) e o empréstimo do nome para compras feitas por terceiros (9,3%, aumentando para 30,0% entre os mais velhos e 9,9% nas classes C, D e E).
Aluguel, plano de saúde e condomínio são principais contas em dia
A pesquisa fez um mapeamento do comportamento do brasileiro inadimplente em relação aos compromissos financeiros que possuem e também as suas dívidas. As principais contas que os devedores têm são de serviços básicos de água e luz (57,6%), cartão de loja (47,5%), contas de telefone (41,9%) e cartão de crédito (40,4%).
Os compromissos que mais se encontram em dia, são o aluguel (94,9%), o plano de saúde (91,8%) e o condomínio (91,3%). Por outro lado, considerando as contas em atraso, as principais são relacionadas a serviços de crédito como empréstimo em bancos ou financeiras (89,6%), parcelas do cartão de loja (83,9%), cartão de crédito (74,9%) e contas de crediário e carnês (68,7%). No geral, todas essas pendências em atraso estão nessa situação há mais de um ano. Os destaques são o longo período de 21,3 meses em média de parcelas atrasadas de empréstimo de bancos e financeiras, 21,7 meses do cheque especial e o tempo menor de atraso de sete meses para as contas de água e luz.


O levantamento do SPC Brasil e CNDL também identificou quais são os principais produtos e serviços que os consumidores compraram e que os levaram às dívidas e à inadimplência: roupas (45,0%, aumentando para 50,6% entre as mulheres e 57,7% entre os desempregados), calçados (25,8%) e eletrodomésticos (17,4%) – 11% nem ao menos se lembram dos produtos comprados.

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