terça-feira, 14 de março de 2017

Entrevisita, Jones Martins, deputado federal do PMDB do RS

ENTREVISTA
Deputado Jones Martins, PMDB do RS

O senhor é membro da Comissão da Reforma Trabalhista. Há quem não queira reformar nada. É isto ?         
Há uma tendência a estigmatizar o debate entre patroes e empregados. Deputados se contaminam pois querem manter suas relações eleitorais.

Mas tem que fazer a reforma ?
Temos que fazer algo na relação entre capital e trabalho. Sim, cabe ao Estado proteger o trabalhador, mas esta relação está distorcida pela prática do dia a dia. Para haver a relação, deve haver o capital, e o capital está cada vez menor.

O que mudou ?
A constituição de 1988 previu um crescimento econômico que não aconteceu. Vivemos uma dicotomia: os operadores do direito, enxergam o que diz a lei e os economistas que olham no mais real, nos desafios diários. Os operadores do direito não podem mudar nada, pois não podem ir contra o que está escrito. Os economistas e a sociedade vivem na aflição.

E os políticos ?
Nós, políticos, que dependemos do voto para legitimidade popular, estamos no meio disso tudo, sem poder dar respostas, pois o debate está contaminado.

Por que razão ?
Há uma luta entre sindicatos patronais e de trabalhadores, ao mesmo tempo em que os legisladores encolheram a capacidade de pensar no geral. Ficamos com discursos para agradar aqui ou ali, sem a capacidade de pensar no geral. Os operadores do direito devem mudar a cultura interpretativa, fazê-las mais extensivas, serem mais ousados e avançar. Juízes, Ministério Público encaram o ativismo judicial. Isto deve ser estendido aos operadores do direito. Este devem ser mais sensíveis.
Legislador sofre pressão diária, corredor-polonês nos aeroportos, com cobranças de sindicalistas.

Há muita judicialização.

A judicialização está em toda a parte, na saúde, na educação. E nas relações de trabalho. Poder Judiciário, promotores, advogados, façam sua parte, no sentido de mudar a cultura , dêem uma interpretação mais convincente com a realidade.

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