quinta-feira, 20 de maio de 2021

Só prevenção das doenças não basta

 A preocupação com o risco de contaminação pelo coronavírus tem levado muitos pacientes a focar somente nas medidas de prevenção, descuidando da saúde de modo geral. O uso da máscara, do álcool gel e o distanciamento seguem imprescindíveis durante a pandemia, mas manter o acompanhamento e os exames em dia também garantem a saúde e evitam o agravamento de doenças. 


Um levantamento das áreas de Coloproctologia, Endoscopia e Oncologia Gastrointestinal do Hospital Moinhos de Vento aponta para uma queda de 67% no número de colonoscopias entre abril e agosto de 2020, em relação ao ano anterior. A preocupação dos especialistas é que neste ano a redução ocorra novamente, diante do prolongamento da pandemia de COVID-19. Essa diminuição levou à queda de 44% no diagnóstico dos casos de câncer de intestino no mesmo período.


A colonoscopia é um exame fundamental para a detecção do câncer de intestino. No Rio Grande do Sul, é o segundo tipo de maior incidência entre mulheres e o terceiro entre os homens, de acordo com o Instituto Nacional do Câncer (INCA). “Atualmente, é recomendado o rastreamento das neoplasias do intestino grosso a partir dos 45 anos para ambos os sexos. Se houver caso na família, a investigação deve se iniciar dez anos antes da idade do paciente que teve a doença”, explica o oncologista clínico Rui Weschenfelder, médico do Núcleo de Oncologia Gastrointestinal do Hospital Moinhos de Vento.


De acordo com a chefe do Serviço de Coloproctologia do Hospital Moinhos de Vento, Heloisa Guedes Mussnich, a colonoscopia é um exame que identifica a existência de pólipos (crescimento da mucosa do intestino) que podem se tornar malignos e, portanto, devem ser removidos. “Deixamos de diagnosticar pacientes que podem ter pólipos que poderão se tornar tumores. Por isso é tão importante buscar o atendimento”, destaca Heloisa.


Conforme Rui, os pólipos muitas vezes não apresentam sintomas. O aparecimento de sangramento nas fezes e a alteração do hábito intestinal já pode indicar uma doença que teve espaço para desenvolver. “O ideal é fazer o exame periodicamente. Estamos aprendendo com a pandemia. É preciso o equilíbrio entre se proteger da COVID-19 sem descuidar da saúde. As outras doenças continuam ocorrendo”, finaliza o oncologista. Heloisa acrescenta que o hospital adotou protocolos para tornar a realização de exames ainda mais segura, como espaçamento na grade de horários e redução de salas para evitar aglomerações.

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